Política

LAVA-JATO

Ex-secretário do PT envolvido no Mensalão é preso na 27° fase da Lava-Jato

Além de Silvio Pereira, conhecido como Silvinho do PT, também foi preso o dono do jornal "Diário do Grande ABC; Nova fase da Lava-Jato foca nas ligações do PT no grande ABC, berço político do partido, e pode trazer o assassinato do ex-prefeito de Santo-André a tona novamente.

sexta-feira 1º de abril de 2016| Edição do dia

Foi deflagrada nessa sexta-feira, 1°, a 27° fase da Operação Lava-Jato, culminando na prisão do ex-secretário nacional do PT Silvio Pereira, o Silvinho do PT, e do dono do jornal "Diário do Grande ABC", Ronan Maria Pinto. Foram presos também sob condução coercitiva, mas soltos após o depoimento, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT que foi um dos pivôs do Mensalão e Breno Altman, diretor do portal de notícias "Opera Mundi" e conhecido aliado de José Dirceu.

Silvinho é um quadro histórico do PT que caiu em desgraça durante o escândalo do Mensalão, em 2005 após ficar famoso por ter recebido uma Land Rover de presente de uma empreiteira, presente que a Lava-Jato agora desconfia que já era uma propina relacionada a Petrobrás. Além do automóvel, a Lava-Jato também acusa Silvinho de ter recebido R$500 mil das empreiteiras OAS e UTC através de uma de suas empresas, a DNP eventos.

Segundo o delator Fernando Moura, também conhecido como "Baiano", essa quantia seria uma espécie de "cala-boca" para que Silvinho não delatasse possíveis irregularidades do PT que ele pudesse conhecer. Outros envolvidos na Lava-Jato também fizeram transferências à DNP, como Augusto Mendonça, empresário da Setal e o lobbysta Julio Camargo, somando mais R$166 mil.

Sergio Moro afirma em sua decisão que "é certo que Silvio José Pereira não é agente público, mas se os pagamentos se inserem nesse contexto, fariam parte da repartição de propinas acertadas pelas empresas fornecedoras da Petrobrás com a Diretoria de Serviços da Estatal".

Moro relembra passado para tentar acabar com o PT no presente

Após toda a seletividade aplicada por Sergio Moro em seus julgamentos e despachos são poucos os trabalhadores que hoje enxergam na Lava-Jato qualquer coisa de progressista, pois sabem que os interesses de Moro são apenas os interesses de outro setor da burguesia e dos patrões, que também buscam descarregar o custo da corrupção e da crise econômica mundial, apenas com mais rigor e rapidez.

Isso fica mais escancarado com essa nova fase da Lava-Jato, onde Moro seleciona cuidadosamente, dentre tantas roubalheiras que o PT praticou nos últimos anos, aquela que tem o potencial para trazer de volta os dois maiores fantasmas do PT: O mensalão e o caso Celso Daniel.

A justificativa legal para essa nova operação é um empréstimo fraudulento contraído no Banco Schahin pelo amigo do Lula, José Carlos Bumlai, e que, segundo depoimento desse à Lava-Jato, foi repassado ao PT, especificamente para o PT de Santo André. Com isso abriu-se as portas para a investigação em um dos mais antigos feudos petistas, berço da organização e um dos primeiros laboratórios da conciliação de classes petista, junto com São Bernardo, e também para ressuscitar o nunca esclarecido Caso Celso Daniel.

Para quem não se recorda, o caso do assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002, foi o primeiro escândalo que o PT envolveu-se publicamente, com as investigações apontando motivações políticas que nunca foram esclarecidas. Os boatos fartamente veiculados nos jornais eram de que Daniel teria sido morto por desacordos na partilha dos lucros de um esquema de corrupção envolvendo a secretaria de transportes de Santo André na época em que foi prefeito. Nos distantes 2002, ninguém acreditou muito nisso, ainda mais com o clima favorável ao PT, que iria eleger Lula pela primeira vez naquele ano, mas hoje tal hipótese parece plenamente convincente diante do mar de lama que emerge a cada novo passo de qualquer um dos partidos da ordem.

Não devemos ter ilusões na justiça dos ricos

Mas não se deve pensar, de forma alguma, que tal investigação poderá esclarecer de uma vez as relações nefastas que o PT mantém com empresários desde seu início, pois tal investigação é funcional aos interesses do "bunker" reacionário de Curitiba e seus interesses neoliberais, mas este se encontra com sua capacidade de ação reduzida devido aos excessos cometidos nas últimas.

O principado de Toga do STF já deixou claro essa semana, retendo consigo as investigações sobre Lula, que não tolerará novas indisciplinas de um reles juiz de primeira instância. Somente a mobilização independente dos trabalhadores contra o impeachment e contra o governo do PT que pode gerar as condições nas quais poderemos julgar, de fato, toda essa corja de ladrões e covardes que sugam nosso dinheiro através do governo. Essa mobilização deve ser independente de todos os partidos burgueses que disputam o poder e deve exigir, a partir da CSP-Conlutas, o rompimento da CUT e das demais centrais com o governo, que financia os atos "pela democracia" com milhões e não gasta um centavo para defender os trabalhadores dos duros ataques que esse mesmo governo faz.

Essa mobilização deve ir além das questões momentâneas e lutar por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, que surja das cinzas desse falido regime dos ricos e que busque resolver os problemas que realmente importam para classe trabalhadora, como a questão do desemprego, dos baixos salários, do racismo, para ficar só em alguns exemplos. É com suas consignas históricas que a classe trabalhadora pode conseguir seguir um caminho independente, que não capitule nem ao impeachment da direita nem ao governo de ataques de Dilma-Lula.

Fonte: O Globo




Tópicos relacionados

Operação Lava Jato   /    Crise no governo   /    Política

Comentários

Comentar