Política

CORRUPÇÃO

Ex-presidente da OAS admite pagamento de propina para abafar a CPI

Em novo depoimento à Justiça nesta terça, depois de permanecer em silêncio, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, admitiu ter pago cerca de 3,8 milhões para abafar as investigações da CPI da Petrobrás, em 2014. Os pagamentos, segundo o empreiteiro, foram feitos aos exsenadores Vital do Rego, atual ministro do TCU, Gim Argello, além do deputado Marco Maia.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

quarta-feira 14 de setembro| Edição do dia

Os dois primeiros, presidente e vice-presidente da CPI instalada naquele ano, afirmaram que poderiam adiar requerimentos e controlar o calendário da investigação, além de impedir a convocação de determinados empreiteiros. De acordo Léo Pinheiro "eles me disseram o seguinte: nós podemos ajudar, e muito. Agora, o senhor vai ter que ajudar financeiramente". Maia era o relator da CPI e pediu R$ 1 milhão para proteger a OAS do relatório final.

O empreiteiro afirmou que o deputado foi "muito incisivo". Léo Pinheiro afirma que "O produto final da CPI é um relatório. Eu tenho preponderância nisso". Os repasses à Vital do Rego, segundo Pinheiro, foram feitos por doações ao PMDB Nacional, que recebeu R$ 1 milhão da OAS, e por caixa dois, com outros 1,5 milhões. Argello teria recebido por meio de uma doação a uma igreja do Distrito Federal, de 350 mil, e Maia, por meio de um empresário de seu círculo de relacionamento, cujo nome não foi revelado.

O que este caso mostra?

De um lado, é possível interpretar esta ação por parte de Léo Pinheiro como uma tentativa inicial de garantir uma estabilidade política naquela época. O motivo desta ação é que a crise no Brasil tem início em 2014 e, naquela época, uma parte da burguesia estava preocupada em construir um cenário político no país favorável para que os ataques aos trabalhadores passassem.

Este caso mostra também que o PMDB, um dos principais partidos que orquestrou o golpe institucional no Brasil, participou dos esquemas de corrupção que aconteceu no governo de Dilma. Isso mostra que o PMDB já estava de olho nos ataques que o ex-governo vinha implementando e, como Dilma não conseguiu aplicar todos os ataques que o imperialismo estava desejando, sofreu um processo de impeachment orquestrado pelo mesmo PMDB.

Do outro lado, este novo depoimento de Leo Pinheiro representa um avanço da Operação Lava Jato contra esta ala da burguesia nacional. Sabemos que através do depoimento de Léo Pinheiro, a operação Lava Jato teve como um dos objetivos centrais avançar contra o ex-presidente Lula, agora indiciado na Lava Jato. Isso mostra que para colocar setores mais alinhados ao imperialismo, a Lava Jato tem que acabar com qualquer pretensão eleitoral do PT.

Como já havia afirmado em textos anteriores, a crise que vive o PT não pode ser superada pela tradicional direita brasileira. Os casos de corrupção que aconteceram nos ex-governos de Lula e Dilma, foi porque o PT assimilou os métodos desta direita de governar. Para impedir que a crise do petismo seja canalizada até o final pela direita é necessário uma organização independente e revolucionária dos trabalhadores, que se enfrente contra os golpistas de maneira independente do PT.




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