Política

LAVA JATO

Ex-presidente da Eletronuclear é condenado a 43 anos de prisão

Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, foi condenado por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisa e organização criminosa durante investigações referentes a usina nuclear de Angra 3.

Julia Rodrigues

Estudante da EACH USP

quinta-feira 4 de agosto| Edição do dia

Foto: Brasil247

Em mais um desdobramento da operação Lava Jato, que investiga crimes na construção da central nuclear Angra 3, na noite desta quarta-feira (3), foi preso o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, condenado a cumprir 43 anos de prisão. O responsável pela condenação é o juiz da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas. Dos 15 réus envolvidos na investigação, outros 12 também foram condenados. Entre eles o ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, e José Augusto Sobrinho, um dos sócios da Engevix.

A operação Pipryat, faz referência a uma cidade na Ucrânia que fazia parte da União Soviética, próxima da usina Chernobyl. E foi a primeira denúncia do Ministério Pública Federal encaminhada para a equipe da Lava Jato do Rio de Janeiro. Após o juiz Marcelo Bretas acolher a denúncia, viraram réus Luiz Antônio de Amorim Soares, Luiz Manuel Amaral Messias, José Eduardo Brayner Costa Mattos, Edno Negrini e Pérsio José Gomes Jordani, ex-dirigentes da Eletronuclear. Além dos executivos da Andrade Gutierrez e Engevix.

Othon havia sido preso pela primeira vez em julho de 2015 na operação Radioatividade da 16ª fase Operação Lava Jato, porém foi para o regime aberto em dezembro. Dessa vez, o empresário cumprirá pena pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, embaraço às investigações, evasão de divisas e organização criminosa. As investigações indicaram que Othon cobrou propina em contratos com as empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix durante obras da Usina Nuclear de Angra 3.

Em abril, o empresário afirmou em depoimento para a 7ª Vara criminal do Rio que usou contratos de fachada com empresas de pessoas próximas para receber dinheiro da empreiteira Andrade Gutierrez.

O ex-presidente da Andrade Guitierrez, Otávio Marques de Azevedo, também condenado na operação, teve sua pena reduzida mediante um acordo de delação premiada. Ele deverá cumprir 7 anos e 4 meses de prisão. Já o sócio da Engevix, José Antunes Sobrinho cumprirá 21 anos e 10 meses.

A filha de Othon Pinheiro, Ana Cristina da Silva Toniolo, também foi condenada. Ela cumprirá 14 anos e 10 meses de prisão.

Tudo indica que os empresários condenados pela Lava Jato, diferentemente do que acontece nas periferias do Brasil, além de pena reduzida, poderão cumpri-la em regime aberto. Os acordos de delação premiada e leniência são um privilégio de empresários e políticos que a população negra e pobre residente na periferia não possuem. Esta, quando não são assassinadas pela polícia militar ou pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio, são jogadas nas prisões sem qualquer tipo de prova e muitas vezes esperam meses ou anos até conseguir um “julgamento injusto”.




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