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Evangélicos, religião, Deus e luta de classes

Gilson Dantas

Brasília

quarta-feira 27 de maio| Edição do dia

O crescimento sustentado e relativamente meteórico dos evangélicos no Brasil e sua presença no Estado, coloca várias discussões em debate, especialmente depois que o rebanho de fieis votou nas últimas eleições de forma determinante para a eleição [manipulada, em todo caso] de Jair Bolsonaro, conservador de ultradireita.

Um dos pontos em discussão é, naturalmente: por que ocorre esse fenômeno religioso de massas?

Mas outras questões também podem surgir: muitos dos seus líderes/pastores alegam que Deus está no controle da pandemia: qual o real sentido dessa afirmação?

Deus e luta de classes: algo a ver? Por que surgem as religiões?

Por que o peso dos evangélicos é fundamentalmente no meio pobre ou mais pobre?

Que tem a dizer K. Marx [ou Lênin] sobre as religiões? Por que o marxismo defende total liberdade de religião e de culto mas também defende o Estado totalmente laico, isto é, nenhum centavo de dinheiro público para as igrejas?
Que diálogo travar entre religião e marxismo?

Por que boa parte da pequena burguesia remediada também é religiosa e busca, em escala nunca vista, apoio em psicólogos e misticismo de todo tipo?

Capitalismo e pentecostalismo/catolicismo: algo a ver?

O Comitê Esquerda Diário DF/GO [Cerrado] sobre a pandemia reuniu-se virtualmente nesse último sábado para pautar essas questões e outras do gênero. Com um bom número de pessoas o debate foi profundo e apaixonante.

Na nossa perspectiva, é importante procurar entender essa relação profundamente dialética entre religião, vida material e luta de classes. Mais consciência sobre essa esfera pode ser um impulso para a luta real e concreta pela transformação dessa espúria sociedade capitalista, fraturada e exploradora. E pela construção de uma sociedade finalmente humana, que não mais reproduza o suspiro do oprimido em busca do coração que não existe nas relações sociais, e que, ao final, ao não encontrar uma vida plena e rica de sentido, se refugia no entorpecimento da divindade e do além túmulo.

Pode lhe interessar o áudio da palestra sobre esse tema:

Breve bibliografia:
K. Marx – Contribuição à crítica da filosofia do direito de Hegel

Lênin – Sobre a religião

Rosa Luxemburgo – O socialismo e as igrejas

C. Loreto Mariz: Lidando com a pobreza: pentecostais e comunidades cristãs de base no Brasil, Temple UP, Filadélfia, 1994.

Paul Freston: "Breve história do pentecostalismo brasileiro" em Alberto Antoniazzi e outros: Nem anjos nem demônios. Interpretações sociológicas do pentecostalismo, Vozes, Petrópolis, 1994.

ALVES, JED, BARROS, LFW, CAVENAGHI, S. A dinâmica das filiações religiosas no Brasil entre 2000 e 2010: diversificação e processo de mudança de hegemonia. REVER (PUC-SP), v. 12, p. 145-174, 2012.




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