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Denúncia estudante UFPE | “Eu vou de ambulância para o interior comprar comida e não ter que pagar passagem”.

Reproduzimos aqui a denúncia de um estudante da UFPE sobre as condições precárias em que se encontra para seguir estudando na universidade, sem direito a bandejão, moradia e sem bolsas de auxílio.

sexta-feira 5 de agosto | 17:37

Como já denunciamos aqui, a situação dos estudantes na UFPE é bem alarmante na nessa volta as aulas presenciais. O RU segue sem funcionar, muitos deles continuam sem bolsa e sem direito a moradia, ou seja, os estudantes se encontram numa situação de completa precariedade e sem assistência estudantil. Reproduzimos aqui a denúncia de um estudante da UFPE:

Meu pai é agricultor e minha mãe trabalha vendendo roupa. É agricultura familiar e minha tem uma banca de roupa, a gente ganha o suficiente para pagar as contas. Sempre estudei em escola pública desde o fundamental até o ensino médio. No ensino médio foi quando ficou mais complicado, a gente sofre com toda precarização do ensino. Não tinha professor de matemática, sociologia, filosofia. Daí vinha uma professora de história ensinar história sociologia e filosofia. O professor de física, ensinar matemática…aí fica nessas coisas. Não tem infra estrutura e a gente não é preparado para o ENEM, a gente é preparado para a prova que vai avaliar o ensino público e aquela instituição. Todas essas coisas que a gente tá acostumado e convive com isso aí já faz até bastante tempo.

Eu venho para a universidade pública por conta das políticas de cota, não daria para entrar aqui sem elas. E para me sustentar e para ver como que eu tô em Recife… Eu já fiz uma faculdade em Caruaru, mas não consegui me sustentar porque as condições econômicas não eram favoráveis e eu acabei voltando para o interior. E agora na segunda faculdade eu fui buscar, e talvez seja meio broxante dizer, o apoio dos meus padrinhos porque eles tem uma situação financeira melhor e daí eu falei com eles, falei todas as coisas, daí eles falaram “tudo bem a gente paga o aluguel” e eu tenho me virado com meus pais no lance de comida e tudo mais. Comprando lá no interior e trazendo pra cá porque é mais barato, quando eu vou visitar eles. Eu vou visitar eles, indo numa ambulância porque tem uma ambulância que vai de Recife para minha cidade levando as pessoas pro médico… Eu faço isso para não ter que pagar a passagem.

Eu tento fazer um planejamento financeiro do mínimo só que às vezes não rola. O lance do RU (Restaurante Universitário) foi que quebrou todo o planejamento que eu tinha feito, quando eu descobri que não tinha RU. Eu preciso saber do valor prévio para ajudar nas finanças da casa e tudo mais, só que tipo não tinha RU. Aí fui eu novamente tentar organizar as ideias e tipo como que eu faço para me alimentar e me alimentar de forma barata? Eu compro bastante cuscuz porque cuscuz é barato, compro alimentos de marcas não tão caras assim, o arroz numa qualidade mais duvidosa. Acho que é uma realidade talvez um pouco privilegiada, tipo que não tô ali vendo igual as pessoas que eu vejo na faculdade vendendo paçoca, bolo de pote, tentando se desdobrar. Eu tenho ajuda desses dois meus padrinhos, eu peço só para pagar aluguel porque não quero me escorar neles tanto assim. E eu venho tentando me virar com esse lance ai dos alimentos mais baratos, ir pra minha cidade de ambulância ou até uns ônibus públicos que vão pra lá, daí eu vou lá pego comida. Eu estou tentando correr para ver se eu pego bolsa, auxílio, essas coisas, para eu conseguir me alimentar melhor, porque tem uns alimentos que são baratos, mas é ruinzão, fico até triste de comer.

É necessário que a reitoria abra imediatamente o RU, porque, assim como este estudante, há milhares por vários campus da UFPE que passam por situação semelhante ou pior para tentar se alimentar, sem contar os que já abandonaram os seus cursos. Além de que sejam oferecidas, imediatamente, bolsas emergências de permanência e alimentação. É um absurdo que estudantes tenham que passar por situações como essa. Só o movimento estudantil organizado pode dar uma resposta não só aos problemas referentes à permanência estudantil, mas também aos ataques à educação no governo Bolsonaro. Por isso, também é importante que CAs e DAs, além do diretório central dos estudantes, organizem assembleias de base para que se possa debater essa situação de precariedade.

Mande também sua denúncia para: (81) 9948-9975




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