Sociedade

TRAGÉDIA EM NITERÓI

Estudos de 2009 já alertava a prefeitura do risco de deslizamento que ocorreu em Niterói

O prefeito de Niterói/RJ, Rodrigo Neves (PDT) afirmou que não havia como prever tragédia na área. Mas estudos realizados a pedido da prefeitura já em 2009 apontava que o Morro Boa Esperança era uma área de alto risco. Mesmo ter sido alertada, a prefeitura não tomou nenhuma medida na região, e agora alegam que não tinha como prevenir. Mostrando um total descaso da prefeitura que resultou na morte de 15 pessoas.

segunda-feira 12 de novembro| Edição do dia

O rompimento e o deslizamento de uma pedra no Morro da Boa Esperança, na cidade de Niterói/RJ, deixou 15 mortos confirmados até esta segunda (12). Após a tragédia, o prefeito da cidade Rodrigo Neves (PDT) afirmou, em entrevista concedida à imprensa neste domingo (11), que a área do acidente não era considerada de alto risco. Segundo o prefeito não havia necessidade de obra no local, e a tragédia era “imprevisível”.

O presidente do Departamento de Recursos Minerais do Rio de Janeiro, Wilson Giozza, disse que no estudo realizado pelo governo estadual na região, em 2012, o Morro da Boa Esperança não estava entre as áreas de risco. Porém um professor da Universidade Federal Fluminense fez um levantamento completo da região em 2009, e já dizia que o risco de deslizamentos na região era “médio”, e que todos os morros da cidade precisavam deste acompanhamento.

Segundo o relatório do estudo, o morro que ocorreu a tragédia, precisava de monitoramento constante por causa da possibilidade de deslizamento e das construções irregulares na área. O estudo foi feito a pedido do Ministério das Cidades e da Prefeitura de Niterói.

No ano passado, a Defesa Civil de Niterói interditou casas na comunidade. “A prefeitura já sabia que ia acontecer. Falou que ia tomar providência e não tomou providência”, contou a empregada doméstica Rosimeri da Silva, moradora da região.

Uma das vítimas do deslizamento no Morro da Boa Esperança se chamava Maria Madalena. Dez anos atrás, a casa dela já tinha sido atingida por outro deslizamento. A vítima foi morar com um vizinho e, pouco tempo depois precisou voltar para a casa onde morreu no último sábado (10).

Apesar dos laudos, relatos e histórico de deslizamentos, o prefeito de Niterói diz que não havia como prever a tragédia, se baseando apenas no levantamento de 2012 que não classificava a região como área de alto risco. Isso mostra um descaso total da prefeitura de Niterói com os bairros periféricos.

O prefeito ainda disse que “esse fenômeno, é um fenÔmeno que eu não sou técnico, mas tenho ouvido vários técnicos, é um fenômeno completamente imprevisto”, em sua entrevista no domingo. Mesmo com todos os laudos e histórico, o prefeito Rodrigo Neves quer tirar toda a responsabilidade da prefeitura que foi alertada desde 2009 sobre o alto risco de deslizamento na região, e nunca nada para prevenir essa tragédia que deixou 15 mortos e 22 duas famílias sem casas.




Tópicos relacionados

precarização   /    Sociedade   /    Rio de Janeiro

Comentários

Comentar