Sociedade

RACISMO

Estudos comprovam: nas favelas COVID mata 10 vezes mais. Mais motivos para ir às ruas hoje

Dois estudos conduzidos por pesquisadores de diversas universidades públicas brasileiras comprovam como nas favelas do Rio e de Fortaleza as taxas de mortalidade, em qualquer cenário, serão 10 vezes maiores que dos bairros ricos.

domingo 7 de junho| Edição do dia

Foto: Cemitério Público em Fortaleza

A assustadora discrepância na taxa de mortalidade comprovada pelos estudos acadêmicos devem-se às precárias condições de moradia, saneamento e diversas comorbidades produzidas por trabalhos precários, extenuantes, duplas e triplas jornadas de mulheres. O racismo e a política genocida não são exclusividade Bolsonaro. Witzel e Santana do PT também tem suas mãos sujas de sangue de favelados, não só com suas operações policiais mas também diante da pandemia.

Estudos comprovam taxa de mortalidade de COVID 11 vezes maior em favelas do Rio e Fortaleza

No Rio de Janeiro estudo publicado pela rede Ação Covid 19 mostra como em qualquer cenário de isolamento social as taxas de mortalidade no Pavão-Pavãozinho superam em mais de dez vezes as taxas do asfalto.

Se fosse possível o isolamento social para dezenas de milhares de pessoas dos morros e favelas ainda morreriam mais. Dezenas de milhares tem que sair diariamente de suas moradias, muitas vezes sem saneamento e super-lotadas, para realizar seus trabalhos precários e informais para sobreviver, com R$600 é absolutamente impossível alimentar-se e viver numa capital como a carioca. Assim, milhares tem que sair diariamente para garantir o funcionamento do transporte público, dos hospitais e tantos serviços essenciais que os moradores de favelas garantem, muitas vezes como trabalhadores precários e terceirizados, como se vê frequentemente na limpeza hospitalar.

No estudo citado, em uma situação de zero isolamento social a taxa de mortalidade do assalto seria de aproximadamente 0,9% dos infectados, já no Pavão-Pavãozinho seria de 2%, caso fosse possível o impraticável isolamento de 80%, no asfalto morreriam 0,2% e no morro 1,25%, e se fosse viável um isolamento ainda mais radical, de 92% ainda assim morreriam mais de 10 vezes no morro (0,3% versus 0,02%). Essa cruel discrepância bebe das condições de moradia e das comorbidades adquiridas por uma vida de exploração e racismo. Com exatamente o mesmo isolamento social o estudo prevê que no asfalto em 7 meses teríamos 25% de infectados, já no Pavão-Pavãozinho o índice seria de 68%.

Toda essa argumentação hipotética choca-se ainda mais com a realidade, com o prefeito Crivella abrindo igrejas e o governador Witzel está abrindo comércios e escritórios. Expondo mais trabalhadores, mais moradores de favela ao vírus e portanto a falta de atendimento médico, sem hospitais, sem leitos, sem respiradores apesar dos milhões super-faturados e desviados para suas compras. A pandemia permite Witzel seguir sua política de “mirar na cabecinha e atirar” sem parecer tão sanguinário e ainda tentar se contrapor ao igualmente racista e genocida Bolsonaro.

13 anos de governo dos Gomes e do PT e o aprofundamento de uma imensa desigualdade que mata pobres, favelados

O Ceará é governado por forças ditas progressistas há muitos anos. Cid Gomes governou de 2007 a 2014, o PT está lá desde 2015. Porém a desigualdade marcante em todo país, e particularmente no Ceará, só aumenta. Na pandemia isso se escancara.

Na capital cearense os mesmos estudiosos compararam a situação de dois bairros muitos desiguais na cidade, que segundo a ONU é a segunda mais desigual das Américas. No estudo comparam a situação do bairro de Meirelles, com IDH de 0,953 e Barra do Ceará com IDH de 0,215. Se estes dois bairros fossem países, Meirelles seria o segundo mais desenvolvido do mundo quase empatando com a líder Noruega e seus 0,954. Já a Barra do Ceará estaria no extremo oposto, muito abaixo do país pobre do mundo, o Níger que consta na tabela da ONU bem acima do bairro com 0,377.

Os achados do estudo assemelham-se aos mostrados no Pavão-Pavãozinho no Rio:
no cenário 3, com o isolamento social sendo praticado por 80%, a discrepância entre Meireles e a Barra é alarmante. Enquanto que no bairro mais rico o número de infectados total atingiria 9% da população em 7 meses, no bairro mais pobre, em 7 meses, 42% da população seria infectada, resultando um total de aproximadamente 0.8% de mortos (576 pessoas segundo o censo de 2010). Sem nenhuma intervenção de isolamento social, ambos atingem um elevado contingente de mortos que é mais duro para a comunidade. Assim, aponta-se para a importância da coordenação entre os diversos níveis de autoridade pública, movimentos sociais e lideranças comunitárias no enfrentamento da crise. É necessário pensar em políticas de isolamento social adaptadas à realidade de cada área com manutenção da renda e melhora nas condições sanitárias urgentes, de forma a salvar vidas em um esforço coletivo de solidariedade.

Ir às ruas contra o racismo e um programa para salvar vidas

É preciso ir às ruas neste domingo, seguindo todas medidas de segurança sanitária, para levantar um programa para salvar vidas do racismo, da extrema direita e seu programa genocida, mas também de governadores que lavam suas mãos, em sangue. É preciso lutar pela imediata expropriação de hotéis para que tantas instalações disponíveis e não utilizados virem moradias dignas, por uma renda de no mínimo R$2mil para que seja possível ficar em casa e não continuar se expondo ao vírus e assim expondo famílias e comunidades, impor a proibição de demissões em todas empresas, liberação de todos trabalhos não essenciais com salários pagos às custas dos lucros patronais, garantir imediata contratação de equipe de saúde e reconversão das indústrias sob controle operário para garantir respiradores e todos equipamentos necessários para salvar vidas. A pandemia escancara características estruturais do capitalismo, o racismo e a desigualdade entre eles. Nossa luta para salvar vidas das mãos da polícia assassina também é também para salvar vidas na pandemia não só do criminoso negacionismo bolsonarista mas também da conivência e co-responsabilidade de governadores sejam eles de extrema direita como Witzel ou petistas como Pimentel.




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