Sociedade

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Estudo do IBGE mostra que a idade de aposentadoria é maior que a expectativa de vida

A partir de dados coletados pelo estudo "Tábuas completas de mortalidade" do IBGE, a respeito da expectativa de vida e da esperança de vida ao nascer, é notável que o discurso do governo de uma reforma “mínima”, que tirará apenas dos privilegiados, não passa de uma grande mentira para encobrir o fato de que será uma reforma para que os trabalhadores morram sem se aposentar.

Ítalo Gimenes

Campinas

sexta-feira 8 de dezembro de 2017| Edição do dia

De “mínima” essa proposta de Reforma da Previdência que Temer e os golpistas, com ajuda da traição das centrais sindicais, querem nos enfiar goela a baixo, não tem nada. Nela estão contidas mudanças que prometem levar o trabalhador a morrer no trabalho, conforme demonstram dados divulgados pelo IBGE na semana passada.

Fonte : https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/sociais/populacao/9126-tabuas-completas-de-mortalidade.html?&t=resultados

A chamada esperança de vida ao nascer do brasileiro já não é tão distante dos 65 anos mínimos de trabalho que a reforma quer submeter o trabalhador. A média nacional não passa dos 72 anos, sendo que por diversas razões a grande parcela da população nascida em 2016 poderá sequer a chegar a esse tanto.

Há estados que mesmo os nascidos em 2016 provavelmente não viverão até terem a idade mínima para se aposentar, como é o caso do Maranhão, do Alagoas e do Piauí. Veja os dados do gráfico.

Esperança de vida ao nascer dos Homens por Estado (2016)

- Alagoas: 66,9 anos
- Maranhão: 66,9
- Piauí: 66,9
- Bahia: 69
- Goiás: 71,1
- Mato Grosso: 71,1
- Mato Grosso do Sul: 72,1
- Brasil: 72,2

Por um lado, as condições de vida dos negros, portanto da maior parte da população do país, associa-se a condições de trabalho mais precárias, terceirizadas e mal remunerados, legados a bairros periféricos onde a expectativa de vida é ainda menor, assim como sendo assassinados cotidianamente pelas mãos da polícia.

Se na cidade de São Paulo, capital do estado que está na 4ª posição de melhor média em expectativa de vida, com 74,2 anos para os homens, é assim, podemos imaginar a expectativa de vida por município nos 13 dos 27 estados do país cuja média é menor que 70 anos entre os homens. E não falar das enormes diferenças entre os próprios bairros das distintas cidades, um verdadeiro fim ao direito de aposentadoria de milhões.

Mesmo na cidade mais rica do país que é São Paulo há diferenças de expectativa de vida, de modo que em alguns bairros é provável que a maioria da população simplesmente morra trabalhando. Bairros como Grajaú tem expectativa de vida de meros 56 anos, e outros como Cidade Tiradentes (53,8 anos), Anhanguera (54,3 anos), menos ainda. O que há de privilégio aí, onde nem mesmo com a idade mínima atual a tendência das pessoas desses bairros é de chegar vivos à aposentadoria?

Segundo um cálculo aproximado de dados do senso, em todo o país as gerações de homens nascidas aproximadamente até 1997 já não teriam a expectativa de vida correspondente sequer à idade mínima de 65 anos para se aposentar.

Expectativa de vida ao nascer total por geração - 2016




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