Educação

RACISMO

Estudantes protestam contra agressão racista na UFMG

Acontece agora no campus da UFMG ato contra uma agressão racista por parte da segurança universitária a um estudante do Centro de Extensão da Faculdade de Letras da UFMG (CENEX-UFMG).

segunda-feira 30 de setembro| Edição do dia

o ato começou por volta das 12:30 e nesse momento já são mais de 100 estudantes que se manifestam e exigem tanto da reitoria, como da polícia, que o caso seja apurado e sejam tomadas as devidas ações contra os autores da violência racista. A manifestação agora segue para a Faculdade de Letras e Ciências Humanas com o objetivo de entregar à diretoria um ofício contra as catracas na faculdade, que ilustram e ampliam a segregação promovida.

A agressão racista ocorreu no último sábado (28/09), quando o estudante compareceu à Faculdade de Letras da UFMG para regularizar questões referentes à sua matrícula. O estudante foi impedido pela segurança do campus de circular dentro das dependências da universidade.

Segundo a nota de repúdio do Movimento Negro UFMG, publicada ontem (29/09), o estudante "após se recusar a se retirar, foi constrangido, imobilizado e agredido, verbal e fisicamente, por quatro (4) seguranças da instituição, contratados via empresa terceirizada. Tal agressão – materializada em socos, pontapés, uma "gravata" no pescoço e a própria imobilização por parte dos seguranças – foi registrada por diversas testemunhas que passavam pelo local, tendo sido obtidas como prova diversas gravações em vídeo e em áudio. Ao serem ouvidos os gritos de socorro do jovem, diversos estudantes, professore(a)s e funcionário(a)s foram até o local para tentar impedir a agressão."

Sobre à queixa prestada à polícia militar, a nota de repúdio ainda diz que "o rapaz que teve seu celular destruído, junto com alguns companheiro(a)s, se dirigiu a uma base móvel da PM para realizar o registro. Os demais, juntamente com o jovem agredido, ficaram no local do ocorrido do período de 12h (meio dia) até o horário próximo das 18h. Foi então que observou-se, por quem estava no local, uma incomum movimentação das viaturas e dos seguranças da universidade, entre eles do chefe do Departamento de Segurança, que se posicionou na principal portaria da universidade. É notável observar que, antes mesmo da chegada da PM, estivessem já no local onde a viatura pararia e, inclusive, foram os primeiros a serem ouvidos pelos PMs no relato de sua versão do ocorrido.

Ainda mais grave foi a recusa dos oficiais da PMMG em realizar o boletim de ocorrência, alegando que um boletim já havia sido feito em outro local. Mesmo com os pedidos insistentes para que a ocorrência fosse registrada sob a versão do estudante, os policiais se indispuseram a prestar seus serviços, deslegitimando toda a narrativa do ocorrido apresentada pelos presentes, que não os seguranças, incluindo a própria existência de racismo no caso. Ainda, um dos presentes foi ameaçado de prisão por supostamente estar "causando confusão", enquanto tentava argumentar sobre a atitude arbitrária, absurda e racista daqueles seguranças, e por apontar o completo despreparo dos oficiais da PM tanto para lidar com situações de racismo quanto para serem mesmo capazes de reconhecê-las." Você pode acessar a nota na íntegra clicando aqui

Confira a fala da Maria Eliza, estudante da UFMG, militante da Faísca e membra da chapa 3 - "Nosso Futuro Vale Mais que o Lucro Deles"

São dezenas de entidades, coletivos e estudantes que assinam a nota de repúdio e se manifestam contra mais essa violência racista. Nós do Esquerda Diário, enquanto mídia independente, seguiremos cobrindo o caso. Reproduzimos abaixo a nota publicada pelos estudantes da Chapa 3, que também impulsionam o Esquerda Diário.

Repudiamos a agressão racista na Faculdade de Letras da UFMG

A Chapa 3 - "Nosso futuro vale mais que o lucro deles" para as eleições do DCE da UFMG, composta pela Juventude Faísca, pelo grupo de mulheres Pão e Rosas e estudantes independentes, repudia a agressão racista sofrida por um ex-estudante no interior da Faculdade de Letras da UFMG.

No último sábado, 28, um ex-estudante do Centro de Extensão da Faculdade de Letras da UFMG sofreu um grave caso de racismo. Tendo ido ao local para tratar de questões da sua matrícula na instituição, foi impedido por quatro seguranças, que o agrediram gravemente, chegando a quase enforcar o rapaz, tal qual aconteceu com o jovem Pedro, morto por um segurança em um supermercado no RJ. Ao ouvir gritos de socorro da vítima, estudantes, professores(as) e trabalhadores(as) da Faculdade foram ao local, alguns gravaram o que estava acontecendo, e uma dessas pessoas, também negra, teve o celular completamente quebrado por um segurança.

Repudiamos veementemente este caso de racismo. As universidades vêm sendo fortemente atacadas por um governo racista e de extrema direita, como é o governo Bolsonaro, que tenta atacar o direito às cotas étnico-raciais porque eles não suportam ver jovens negros nas universidades. Um governo que tenta impor o pensamento único e anti-científico tentando minar com qualquer espaço de diversidade étnico-racial. Numa sociedade em que a juventude negra segue morta pelas mãos da polícia racista quando poderia estar nas universidades, estudando a solução para problemas como o da moradia, do meio ambiente e se dedicando à produção artística, à ciência básica... As mulheres negras seguem sendo a maioria dos trabalhadores terceirizados, as primeiras a sofrerem os cortes.

O governo Bolsonaro odeia os negros porque sabe do passado heroico do povo negro, que no Brasil é a história dos quilombos e da maioria da classe trabalhadora e da juventude, que hoje pode dar um basta aos ataques que esse governo e todos os setores escravocratas da burguesia nacional e internacional querem impor. Lutamos contra o racismo cada vez que ele se expressa, seja em agressões como essa ou pelo fato de que os negros são a maioria fora das universidades, mas não dentro delas como estudantes e professores.

Contra os ataques de Bolsonaro e suas políticas racistas, não basta apenas defendermos a universidade tal como ela é. A estrutura universitária tal como ela é hoje, estruturada a partir do filtro do vestibular e pela presença das empresas terceirizadas que administram um trabalho semi-escravo nas universidades, é uma base de sustentação do racismo institucional. Batalhamos por uma estrutura de poder realmente democrática em que o racismo institucional não seja um pressuposto.

Apenas um verdadeiro processo estatuinte universitário, democrático, imposto pela mobilização, poderia abrir as vias de batalhar por uma gestão universitária realmente democrática e antirracista e composta proporcionalmente por estudantes, professores e servidores, que garantisse, entre outros, a defesa incondicional das cotas, o fim do vestibular para toda a juventude ter direito de estudar e o fim dos convênios da UFMG com empresa terceirizadas, garantindo a imediata efetivação dos trabalhadores, que em sua maioria são mulheres e negras.

A comunidade da UFMG e a população que têm o direito de usufruir da UFMG e da produção do conhecimento aqui produzido têm que ter o direito de pleno acesso ao campus e qualquer medida de segurança teria que estar como mínimo sob controle da maioria da comunidade acadêmica, além de seus sindicatos e entidades estudantis, movimentos sociais e de direitos humanos, sem nenhum vínculo com empresas privadas e com a PM, instituição que tem como alvo privilegiado a juventude negra e o povo trabalhador. A UFMG, que vem sendo fortemente atacada por um governo racista e de extrema direita como Bolsonaro, não pode ser palco de agressões racistas. Exigimos um posicionamento imediato da Reitoria frente ao caso escandalosamente racista.




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