Educação

CORTES NA EDUCAÇÃO

Estudantes mostram o caminho: Milhares protestam no país contra os cortes de Bolsonaro na educação

Na tarde dessa quarta-feira 8/5 aconteceram atos em diversas cidades do país em protesto contra o corte de 30% nas universidades federais que o governo Bolsonaro está levando à frente como parte dos ataques contra a população, a classe trabalhadora e a juventude.

quinta-feira 9 de maio| Edição do dia

A força da juventude nesses atos é expressão de que existe energia e disposição em setores de massa para enfrentar o governo Bolsonaro e os ataques não só contra a educação mas também a mãe de todas as reformas, a reforma da previdência.

Estudantes e professores da UFPB se manifestaram nas ruas de João Pessoa após assembleia onde ficou deliberado também um calendário de mobilizações para a greve da educação convocada para o dia 15 de maio.

Em Natal mais de 6 mil estudantes e professores dos IFs, da UFRN e também de outras universidades ocuparam as ruas da cidade contra os ataques do governo de Bolsonaro chegando inclusive a ocupar com grande força a BR101, gerando impacto no conjunto da cidade.

Em Curitiba estudantes da Universidade Federal do Paranã (UFPR) protestaram no ato “Eu tô na luta pela educação”, denunciando a situação crítica que se encontra atualmente a universidade e que frente aos ataques às universidades federais, com corte de 30% coloca em xeque a continuidade do funcionamento da instituição no futuro próximo.

São Paulo também expressou nas ruas a disposição de luta de setores de estudantes das universidades onde mais de 5 mil estudantes marcharam na Avenida Paulista.

Em Niterói, estudantes, professores e trabalhadores da UFF encabeçaram a manifestação mais expressiva da jornada no país com uma presença de mais de 12 mil pessoas. Outras unidades da Universidade Federal Fluminense em cidades menores também tiveram atos convocados como Campos dos Goytacazes, Macaé, Volta Redonda, Angra dos Reis, Santo Antônio de Pádua, Nova Friburgo, Rio das Ostras.

Luisa, coordenadora do CASS e estudantes do Serviço Social, no Ato Eu Defendo a UFF que reuniu cerca de 10.000 pessoas hoje, chamam a construção do dia 15/05 para que seja um dia de paralisação e fortes mobilizações em todo país, contra os ataques de Bolsonaro e seus ministros, contra os cortes na educação pública e contra a reforma da previdência.

Em muitas destas universidades como a UFPB foram e estão sendo organizadas assembleias de base em preparação para a paralisação geral da educação convocada para a próxima quarta-feira dia 15 de maio. Na UnB uma assembleia com mais de mil estudantes votou por aderir à paralisação do dia 15, mas foi atropelada pelo DCE da universidade dirigido pelo grupo de direita “Aliança e Liberdade”.

A juventude que saiu às ruas em diversas cidades do país no dia de ontem expressou a força e uma renovada energia com o potencial para contagiar outros setores não só da educação apresentando uma outra alternativa frente à crise e mazelas nas quais vivem hoje grande parte da população com fortes ataques e ajustes contra a juventude e os trabalhadores.

É preciso organizar e fortalecer a luta não só contra os cortes na educação, mas contra os ataques do governo Bolsonaro e dos capitalistas como um todo, uma saída de fundo contra as chantagens destes setores, que oferecem mentirosamente anular os cortes às universidades e IFs se a Reforma da Previdência for aprovada.
A luta contra os ataques na educação, a defesa da universidade precisa dar um passo à frente, para transformar e revolucionar o que as universidades são hoje, onde mesmo sem o corte de 30% sofrem com a precarização além de excluir grande parte da população da possibilidade do acesso à educação pública superior com o filtro social do ENEM, onde mesmo as cotas só permitem o acesso para uma parcela muito pequena da população negra.

É preciso colocarmos as instituições universitárias realmente a serviço da população, da juventude, dos negros, mulheres e trabalhadores. É preciso lutar também pela estatização das universidades privadas que hoje funcionam com verbas do estado que garantem o lucro dos capitalistas, de monopólios enormes como a Kroton-Anhanguera e colocar esses recursos para fortalecer uma educação pública, gratuita e de qualidade a serviço da população e dos trabalhadores, eliminando o vestibular em todas as instituições públicas de ensino superior para que a classe trabalhadora e seus filhos possam estudar e pesquisar o que mais lhes interessar, com bolsas de estudo garantidos pelo Estado, em base ao não pagamento da dívida pública.

Frente à perspectiva colocada pela direita e pelos empresários da crise ser paga com os direitos, o suor e a própria vida dos trabalhadores, nós do Esquerda Diário e do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) colocamos a necessidade de batalhar pelo não pagamento da dívida pública, para fazer com que os capitalistas paguem pela crise que eles mesmos criaram.

As burocracias estudantis do PT e do PCdoB, que compõem a direção da UNE, precisam cessar sua inércia (que envolve inclusive as relações da UJS com Rodrigo Maia do DEM, principal articulador da reforma da previdência!) e colocar todo o aparato material dos DCEs e CAs que dirige para organizar pela base comandos de mobilização por cada curso mobilizado, e um comando nacional que coordene os esforços de todas as universidades mobilizadas. As ações propostas não podem ser contrapostas a organismos de auto-organização pelas bases, para que os estudantes decidam tudo democraticamente!

É preciso convocar com todas as forças um forte dia 15 para que o movimento estudantil saia massivamente às ruas junto aos professores e as demais categorias da classe trabalhadora, e dê uma demonstração de forças contundente contra os ataques do governo Bolsonaro à educação e contra a reforma da previdência!

A força dessas últimas manifestações é uma pequena expressão da força que estes setores podem organizar para derrotar o Bolsonaro. Não será com acordos parlamentares com setores burgueses ou políticos golpistas como quer a o PCdoB da UJS com Rodrigo Maia, e as Centrais Sindicais, que impedem que o chamado dos professores para o próximo dia 15 contra a Reforma da Previdência chegue a outras categorias, ou mesmo a confiança no STF, como prega a UNE, que serão revertidos os ataques a educação e a aposentadoria.

Somente fortalecer a luta dos estudantes ao lado da luta dos trabalhadores que a juventude poderá não só derrotar Bolsonaro, mas impor uma saída anticapitalista para a crise.




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