CALOURADA UNICAMP

Estudantes indígenas chegam a Unicamp

Esta semana começaram as matrículas dos ingressantes de 2019 da Unicamp, que neste ano está marcado pela entrada de estudantes negros e indígenas via cotas étnico-raciais. Uma importante conquista que só foi possível graças a grande mobilização que os estudantes travaram na greve em 2016.

sexta-feira 22 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Denny Cesare/Codigo19

São 69 estudantes indígenas, de diferentes etnias, que fizeram matrícula na Unicamp neste último dia 20. Um marco histórico em uma das universidades mais elitistas de um país marcado pela colonização racista. O primeiro ano do vestibular com cotas étnico-raciais na Unicamp no mesmo ano que o ministro da educação fala que a universidade tem que ser de uma pequena elite intelectual.

As cotas étnico-raciais foram conquistadas durante uma grande greve em 2016 somado à ocupação da reitoria. Logo após a votação do impeachment, os estudantes da Unicamp se posicionaram contra o golpe institucional, contra o corte de R$ 40 milhões da reitoria e pelas cotas. Um momento vivo e de muita luta que possibilita a grande alegria de receber os estudantes indígenas.

A mesma reitoria que lutamos contra em 2016 fez um discurso na recepção indígena se colocando como a reitoria democrática e inclusiva. Totalmente contraditório com as punições que vem aplicando, desde 2016 até os dias atuais, aos estudantes que lutaram na mesma greve que possibilitou a conquista das cotas. Ao mesmo tempo que se diz em prol da universidade pública, quer aplicar a proposta de Bolsonaro, os endowments, que para financiar a universidade, vende a ciência para as empresas.

O grande momento que vivemos hoje tem que servir como ponto de apoio para radicalizar ainda mais o acesso à universidade. As cotas foram uma importante conquista e temos que avançar para que na verdade não tenha mais vestibular e que se tenha vaga para qualquer pessoa que queira estudar.

É também um ponto de apoio para lutar contra o corte de R$ 40 milhões no orçamento da Unicamp que afetará diretamente na permanência dos estudantes como bolsas permanência, PIBID, iniciação científca e pós-graduação. Bem como a ampliação da moradia, conquistada na greve, mas nunca concretizada pela reitoria.

Bolsonaro promete grandes ataques. Quer escolher os reitores das universidades e fiscalizar o ENEM. Fala-se, inclusive, na lava-jato da educação para investigar universidades federais e acabar com o sistema S. Bolsonaro já começou o ano atacando os indígenas passando terras demarcadas a latifundiários e o pacote de Moro que dá licença para a polícia matar, só com seu anúncio incentivou uma chacina de negros no RJ.

A vitória do movimento estudantil em 2016, que se materializa hoje nas cotas étnico-raciais, tem que servir como ponto de apoio para que nos organizemos para lutar contra os ataques desse governo reacionário. Queremos nos preparar para esse combate, por isso propomos um Congresso dos estudantes para unificar o movimento estudantil para lutar contra os ataques dentro e fora da Unicamp.




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