Educação

CORTES NA EDUCAÇÃO

Estudantes e Terceirizados da FAETEC iniciam mobilização contra os cortes na educação

Nesta terça e quarta-feira, estudantes e trabalhadores terceirizados da FAETEC se mobilizaram, os trabalhadores estão há 5 meses sem receber e os estudantes também são afetados pelos cortes, fruto do sucateamento do ensino público.

quinta-feira 20 de outubro| Edição do dia

Há 5 meses sem receber, terceirizados se mobilizam em Quintino

Na FAETEC, é recorrente o não pagamento dos salários dos terceirizados. Durante a ocupação dos estudantes ocorrida no início do ano, foi reivindicado que pagassem todos os salários, no entanto os trabalhadores estão novamente há 5 meses sem receber, mostrando o aberto descaso da Reitoria e do governo para com estes trabalhadores, enquanto sobra dinheiro para isenções fiscais e benefícios às empresas e aliados do governo.

Na noite deterça (18) circulava pelos grupos de WhatsApp um áudio dizendo chamando todos a se mobilizar pelo pagamento dos terceirizados da Átrio Rio Service, que é contratada pela FAETEC, marcando manifestação na manhã seguinte, no campus de Quintino. A ação estava marcada para as 6 horas da manhã no dia seguinte. Ao chegar lá os funcionários encontraram duas viaturas da Polícia Militar a espera, mas apesar da intimidação permaneceram com a iniciativa e realizaram um trancaço da entrada do Campus reivindicando o pagamento de 5 meses de salário atrasado. Por volta das 6h40min da manhã o sindicato que estava presente resolveu liberar uma das entradas do campus.

Contrariando a vontade de luta dos terceirizados, o sindicato colocou entraves para uma mobilização vitoriosa. Assim que um dos portões foram abertos os funcionários foram exigir uma explicação do sindicato que disse “não poder impedir o direito de ir e vir das pessoas”. A declaração foi o necessário para que já se soubesse de que lado estão. Conforme os terceirizados se deslocaram para tomar justificativas outros funcionários que resolveram (leia-se receberam) trabalhar abriram o outro portão para a entrada na unidade. O descontentamento dos trabalhadores ficou evidente nos pedidos de união entre a classe e contra o sindicato.

Os terceirizados resolveram manter o ato até que algum representante da presidência aparecesse para conversar. Mas ninguém apareceu até às 10h40min, quando o ato terminou com uma oração e a convocação para um novo amanhã. Esses trabalhadores estão há quase 5 meses sem receber. Isso é trabalho escravo!

No início do ano, eles estavam em uma situação parecida com a de agora, ficaram 6 meses sem receber. Na mesma época aconteceram as ocupações das escolas, que trabalharam em conjunto não só com os professores mas também com os terceirizados. Dessa vez, com o novo descumprimento do acordo os terceirizados dizem que os alunos têm que se unir a luta, de forma que possam combater juntos o sucateamento da educação.

Alguns dos manifestantes contaram as suas experiências com essa situação, dentre elas se destacou a de um homem que, devido a falta de salário, se divorciou da esposa e não vê mais os filhos e está morando na rua. Segundo ele: “A minha mochila é o meu travesseiro, o meu colchão e o meu cobertor”. De acordo com os terceirizados, esta semana o Vice-Presidente da Faetec disse que se caso a Atrio não pague os trabalhadores, o contrato será cancelado.

Um dos funcionários terceirizados da Fundação nos deu entrevista, mas preferiu não se identificar. Acerca dessa situação ele disse: “Posso dizer que está tudo às claras: o abandono, a ingerência, a má administração etc.”. Disse também que isso não passa de “uma política de arrocho, que manipula as circunstâncias; neoliberalismo” e que os políticos têm uma clara relação com os as empresas e usam dessa relação para enriquecerem.

Não podemos deixar de relacionar essa situação tenebrosa no estado do Rio de Janeiro às políticas destrutivas de Sérgio Cabral e Pezão do PMDB e os ataques do presidente golpista Michel Temer, também do PMDB. O governo golpista de Temer quer atacar não só o serviços básicos, como Saúde e Educação através da PEC 241, da Reforma do Ensino Médio e do Escola Sem Partido, mas também quer através de suas políticas neoliberais aprofundar ainda mais a desigualdade no Brasil, privatizando empresas públicas como a Petrobrás e terceirizando-as por meio da flexibilização das leis de trabalho.

De forma que possamos impedir que agressões desse nível ocorram contra a classe trabalhadora, é mais do que necessário que construamos uma força anticapitalista no Rio de Janeiro e no Brasil, para que possamos assim bloquear o avanço da direita contra os nossos direitos, tentando descarregar a crise nas costas dos trabalhadores. Para isso, será preciso superar o estado vegetativo no qual se encontra as centrais sindicais como a CUT e a CTB, para que assim possamos vencer esse luta.

Alunos da FAETEC caminham 96km contra o sucateamento da Educação

Estudantes da Escola Técnica Estadual Bacaxá, em Saquarema, decidiram percorrer a pé o caminho entre a cidade fluminense e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Foram 96km de caminhada e mais de 35 horas andando. A decisão dos estudantes da unidade foi o que incentivou a formação de um ato conjunto dos alunos da FAETEC. Alunos de diversas unidades estiveram presentes nessa terça-feira (18) no centro da cidade. A concentração estava marcada para as 14h30min na Candelária, mas a presença de policiais e de alguns professores foi crucial para impedir os alunos de manifestarem seu descontentamento com o governo do Estado na rua.

Assim que pôde um policial militar disse aos estudantes, responsáveis e professores presentes que eles não poderiam caminhar pela rua, deveriam expressar-se na calçada, pois, segundo ele, mais tarde, às 17h, haveria um outro ato contra a PEC 241 e “não seria legal” que os atos fossem confundidos. Claramente evitando que a quantidade de pessoas aumentasse e se fundisse numa grande manifestação, além de transparecer o caráter autoritário que a polícia teria no próximo ato. Aliás, que estudante contra o sucateamento do ensino público não é contra a PEC do Fim do Mundo?

Um debate demorado se iniciou permitindo que o ato saísse apenas uma hora depois, às 15h30min. O bloco teve que seguir pela calçada, a contragosto de muitos alunos, passando pela Av. Rio Branco e depois pela Rua da Assembleia, onde puderam estender faixas e cartazes com dizeres como “Eu cumpri a minha parte e você?” ao caminharem pela via de carros.

É preciso lembrar que a FAETEC, assim como todos os setores do Estado do Rio de Janeiro, está sendo sucateada. Há alguns meses os alunos ocuparam mais de 15 escolas da rede contra esse descaso do governo do Pezão. A ocupação foi acompanhada pela greve de professores, funcionários e terceirizados, esses últimos não recebiam há mais de 6 meses. Depois de um acordo fechado com o presidente da Fundação os alunos desocuparam as escolas e as aulas voltaram ao normal. Ou deveriam. Ainda hoje falta almoço para os alunos e os horários de aula estão comprometidos pela falta de merenda.

A falta de limpeza também é visível nos campi da FAETEC. Os terceirizados estão novamente há quase 5 meses sem receber salário e benefícios. Realizaram, inclusive, um ato hoje na unidade de Quintino e programam um novo para amanhã (20).

É importantíssimo que esses combates não estejam fragmentados, uma aliança entre a juventude estudantil e os terceirizados formará uma base muito mais sólida de resistência contra qualquer ataque do Dornelles ou de Temer. Apenas fortalecendo a luta seremos capazes de sairmos vitoriosos.




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