Juventude

PARALISAÇÃO UNICAMP

Estudantes do Instituto de Artes tiram paralisação com indicativo de greve

Nessa terça (19/04) os estudantes do IA realizaram uma assembleia pautando o anúncio de corte de $40 milhões para a Unicamp e a situação política nacional.

quinta-feira 21 de abril de 2016| Edição do dia

Com mais de 100 pessoas, as intervenções colocaram desde o começo a necessidade de responder com força dentro e fora da universidade não somente ao corte, mas também a toda a crise econômica e política pela qual estamos passando, ao show de horrores que todos vimos na câmara dos deputados nesse domingo! Os estudantes discutiram a necessidade de greve e qual papel que podemos cumprir nesse cenário enquanto artistas, fazendo uso de nossas produções como ferramentas de luta contra o corte de $40 milhões, contra o impeachment reacionário da direita e contra os ataques dos governos.

Afinal, como é possível planejar mais um corte em um Instituto de Artes já precarizado? Sem teatro, sem auditório, sem isolamento acústico nem salas de ensaio e com um laboratório de informática que nem merece esse nome, o IA já não consegue cumprir nem mesmo com suas próprias promessas. As obras do teatro estão embargadas desde 2013, transformando-o em um grande criadouro do Aedes aegypti (mosquito transmissor de dengue, zika e outras doenças), a obra do prédio de entidades está paralisada e o auditório está interditado desde uma chuva que abriu o teto e alagou o espaço. A arte produzida na Unicamp não é acessível à população e nem mesmo possível de ser realizada pelos poucos estudantes negros e provenientes de escolas públicas que estão no IA, já que muitas vezes os alunos precisam tirar do próprio bolso o financiamento para suas produções.

Também não existe condição alguma de cortar a verba de setores como o da saúde, o que foi apresentado como proposta alternativa da reitoria (em tom de chantagem, algo como “se não cortamos de vocês, cortamos da saúde”)! O Hospital Universitário, muitas vezes o único contato real que a população da cidade tem com a Unicamp, já está precarizado, já teve leitos e setores de atendimento cortados, como por exemplo a UTI pediátrica. Não podemos deixar que nem os estudantes e nem a população paguem pela crise!

A assembleia discutiu que esse corte faz parte dos ataques a nível estadual e federal à educação, como vemos no escândalo do roubo da merenda que fez com que os secundaristas de São Paulo estejam se alimentando de bolacha e água nas escolas, ou nos mais de 10 bilhões cortados da educação pelo governo Dilma! Também foi colocado que o corte faz parte da crise política pela qual estamos passando, pois não há dúvidas de que a direita reacionária quer passar o impeachment para poder cortar e privatizar com ainda mais força!
Foram feitas intervenções sobre a necessidade de nos mobilizarmos e respondermos à altura a esses ataques, unificando as lutas, desde com a realização de um diálogo entre as três estaduais paulistas, até nos colocando ao lado dos processos de luta por educação que estão ocorrendo no país todo, e de tomarmos como exemplo os artistas cariocas com suas intervenções artísticas contra o governo Pezão!

Para coordenar nossa luta é preciso construir entidades fortes e representativas, retomar o CAIA (Centro Acadêmico do Instituto de Artes) para que ele seja instrumento de luta que mobilize os estudantes! Que combata cara a cara esse projeto de universidade da reitoria e dos governos, que mantém a distribuição de verbas de acordo com as necessidades das empresas fomentadoras de pesquisa, fazendo com que ao mesmo tempo que o IA não tenha teatro, auditório e nem mesmo materiais e equipamentos, os institutos produtores de patentes não sintam nem o cheiro dos cortes orçamentários; com que no mesmo lugar em que trabalhadoras terceirizadas, em sua maioria mulheres negras, recebem $700 por mês e sofrem com condições de trabalho extremamente precárias, exista uma elite que recebe supersalários de até $60 mil!

Precisamos questionar até o fim quem são aqueles que querem passar o corte: hoje quem decide os rumos da universidade é o CONSU, com seus membros da FIESP - a mesma FIESP dos patos infláveis, a mesma FIESP que distribuiu filet mignon para os manifestantes pró-impeachment que agrediram quem usava roupa vermelha na paulista! Pois bem, para diminuir os gastos, por que não começamos retirando os privilégios dessa casta que dirige a universidade? Por que inclusive não tiramos eles de lá e colocamos as decisões nas mãos daqueles que de fato constroem a universidade, que são os estudantes, funcionários e professores? Cortemos todos os supersalários e efetivemos todas as trabalhadoras terceirizadas, sem concurso público!

Levamos a proposta de adesão para a assembleia geral dos estudantes da Unicamp realizada ontem (19/04), que a partir disso aprovou uma paralisação geral com trancaço para o dia 27 de abril, contra o impeachment e os ataques dos governos à educação e por permanência e cotas já!
Chamamos todos à paralisação de quarta feira, 27/04! Não vamos pagar pela crise! Os estudantes do IA deixaram o recado: vamos paralisar, e se o corte passar, vai ter greve!




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