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UnB | Estudantes de medicina da UnB entram em greve por aulas práticas presenciais

Desde o dia 31, os estudantes de medicina da UnB deliberaram por meio de assembleia uma greve estudantil por tempo indeterminado defendendo, entre outras coisas, o retorno das aulas práticas presenciais. Como os próprios estudantes afirmam, a formação médica é impossível de forma integral sem as práticas necessárias na área, inclusive para melhor atender a população. A decisão unilateral e autoritária da Faculdade de Saúde (FS) foi de manter, sem consultar os estudantes, o conjunto do curso remotamente. Todo apoio à greve dos estudantes!

Caio Rosa Estudante de Relações Internacionais na UnB

Luiza EineckEstudante de Serviço Social na UnB

quarta-feira 2 de fevereiro | Edição do dia

O semestre 2021.2 da UnB começou no dia 17 de janeiro, com um retorno presencial parcial, pouquíssimas disciplinas de alguns cursos estão ocorrendo dessa maneira. Porém, o avanço na “EADização” não cessou, pelo contrário, continua à todo vapor como parte do projeto de precarização do ensino de conjunto na universidade, o que tanto querem os capitalistas, Bolsonaro, Mourão e Milton Ribeiro, rebaixando o nível da formação para jogar a juventude em trabalhos cada vez mais precários, recebendo salários de miséria.

A demanda por aulas práticas dos estudantes da Medicina - que não estão tendo nenhuma disciplina sendo ofertada de forma presencial -, expressa um profundo desgaste entre os estudantes com o ensino remoto e a precarização do aprendizado. Podemos ver isso em inúmeros relatos de estudantes, assim como a própria mobilização do curso de Direito por mais presencialidade, diante da decisão igualmente autoritária da Faculdade de Direito (FD) de suspender as aulas presenciais.

O ensino, pesquisa e extensão foram profundamente precarizados, bem como o trabalho do professor, dos técnicos administrativos e dos terceirizados. Essa “EADização” anda de mãos dadas com o sucateamento das universidades públicas, como os cortes milionários no orçamento de Bolsonaro e do Congresso, a EC do Teto dos Gastos etc. Todo esse descaso do governo com a população é expressado com força novamente agora com a nova onda da pandemia com a variante ômicron, onde em dois anos de pandemia ao invés de ter investido na saúde, em testes, vacinas, em infraestrutura para atendimento na saúde, inclusive, nos hospitais universitários, na realidade cortou ainda mais.

Veja mais: Orçamento de 2022 - Cortes nas Universidades Federais

E, frente a tudo isso, vemos a Reitoria dita “progressista” de Márcia Abrahão aplicando os cortes e ataques do governo e de todo regime. Não podemos esquecer que foi ela quem implementou autoritariamente o ensino remoto, com conivência da burocracia universitária; faz demagogia com o passaporte vacinal, mas se nega sistematicamente a fornecer testagem aos estudantes que voltaram presencialmente, bem como nunca o fez com os terceirizados que estão desde o início da pandemia na linha de frente deixando a universidade em pé; é a Reitoria quem é responsável pelas mais de 3 mortes de trabalhadoras terceirizadas de COVID, pelas mais de 94 demissões no setor de limpeza, pelo trabalho precário e a sobrecarga laboral.

Assim, como na Reitoria, que apesar de ter delegado autonomia para cada faculdade e departamento, não podemos confiar na burocracia universitária, como no caso da FS (Faculdade de Saúde) e da FD (Faculdade de Direito) que decidiram de forma unilateral e autoritária de manter, sem consultar os estudantes, o conjunto do curso remotamente.

Por isso, o Esquerda Diário e o Coletivo Faísca Anticapitalista e Revolucionária deixa todo o seu apoio à mobilização dos estudantes de Medicina e do Direito. É importante e urgente batalharmos para que seja a comunidade acadêmica, com estudantes, professores, técnicos e terceirizados quem decidam democraticamente e pela base como organizar o retorno presencial, não a Reitoria racista que promove o trabalho e o ensino precário, e implementa os ataques do governo. Os estudantes juntos dos trabalhadores, a partir da mobilização, são os únicos que podem garantir um retorno democrático e seguro que atenda as demandas reais da comunidade acadêmica e garanta, de fato, todas medidas de segurança sanitária como testes e EPIs.

Colocamos o Esquerda Diário à serviço da voz dos estudantes e trabalhadores da UnB. Entre em contato por (61) 99903-2711




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