Cultura

CULTURA NO GOVERNO BOLSONARO

Estudantes de artes se posicionam em repúdio ao vídeo de Alvim

O Esquerda Diário e a juventude Faísca convidam estudantes de artes a se expressarem frente ao vídeo do ex-secretário de cultura de Bolsonaro. A publicação está em contínua atualização. Caso seja um estudante ou profissional da arte e queira contribuir com uma nota ou produção autoral referente ao assunto, entre em contato nos comentários.

quarta-feira 22 de janeiro| Edição do dia

(Imagem: Terça Livre)

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"É preciso enxergar que aquele vídeo bizarro de Alvim é uma das expressões de até onde vai a política de Bolsonaro para censurar e impedir a liberdade artística, buscando transformar a arte num veiculo de propaganda/transmissão da sua ideologia reacionária. A demissão simbólica de Alvim depois de toda a repercussão que o vídeo teve e algumas tentativas de defesa do próprio Bolsonaro, não consegue esconder que a política de Bolsonaro é a de censura e perseguição à toda arte que fuja daquilo que eles chamam de "nacionalismo na arte", que nada mais é que um projeto de propagando obscurantista e reacionário que anda junto com todos os ataques econômicos do bolsonarismo para garantir os lucros dos capitalistas e fazer os trabalhadores e a juventude pagarem pela crise.

Assim que vi o vídeo, logo associei com aquela foto de Bolsonaro no final de 2015 ao lado de Março Antônio Santos, um sósia de Hitler e defensor do Escola sem Partido que foi candidato a vereador do RJ em 2016 pelo PSC. Essas tantas ocorrências de Bolsonaro em relação ao nazismo, que não param no discurso de Alvim, só provam que todo o ódio que o mesmo nutre pelos negros, mulheres, LGBTs e toda a sanha para atacar os trabalhadores com diversas reformas não veem nenhuma importância em simpatizar com símbolos do nazismo. O discurso de Alvim também mostra que a agenda de Bolsonaro para a cultura se centra em atacar, perseguir e censurar a liberdade artística, e desde aí vejo que é preciso um forte contraponto por uma arte livre e independente."

Luno, estudante de licenciatura em teatro na UFRGS e coordenador do Centro Acadêmico Dionísio.

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"Fui surpreendido na manhã de hoje com um vídeo gravado e divulgado pelo Secretário de Cultura, Roberto Alvim, no qual ele anunciou os parâmetros para aquilo que, bizarramente, chamou de "Nova Arte Brasileira". E fiquei enojado, além de obviamente assustado.

Pra começar, o vídeo faz uso de uma estética formalista que remete diretamente ao nazismo. Acompanhado por trilha sonora de Wagner (o compositor preferido de Hitler), e mantendo a mesma entonação vocal o tempo todo, num ritmo que chega quase a ser hipnótico, o Secretário utiliza de linguagem rigorosamente formal - gerando um contraponto inclusive dentro do próprio Governo, que vinha se utilizando de estéticas e linguagens falsamente populares, numa tentativa de se distanciar de qualquer intelectualização e de se aproximar das massas - e discurso que, em alguns pontos, apresenta inacreditável semelhança com o discurso de Joseph Goebbels, famoso Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista, para apresentar a proposta de nova lei de fomento à Cultura. E a proposta é absurda! Uma tentativa evidente de elitizar a arte e a cultura brasileira, identificando como valores aquilo que ele chama de "mitos fundadores" do Brasil (família, Deus, conservadorismo etc) e marginalizando ainda mais qualquer forma de arte popular. Aliás, é tão bizarro que tem a categoria ÓPERA!

Particularmente, me considero um fã do gênero. Contudo, temos que convir que, primeiro, esta não é uma forma de arte tradicional brasileira, e, segundo, não é nada acessível ao grande público. E este é só um exemplo de quão anômalo é o projeto de Alvim. Enquanto ele fala de coletivo e de maioria, sua proposta beneficia apenas a minoria da minoria. E é uma tentativa de impor a cultura de cima para baixo, quando, na verdade, ela deveria vir de baixo para cima: criada pelo povo, movimentada pelo povo, transformada pelo povo, gozada pelo povo. Também, em seu discurso, Roberto Alvim fala de símbolos e valores nacionais, mas nada do que ele propõe tem a cara do Brasil ou do brasileiro. Somos reconhecidamente um país de diversidades, uma nação de profusão de cores, formas, sons, sabores, e, claro, indivíduos, credos, crenças, etnias.

O que me consola nessa história toda é que, no geral, os artistas, principalmente brasileiros, somos irreverentes e progressistas. E vamos fazer muita troça em cima desse projeto que tem cheiro de nazista, estética de nazista, discurso de nazista, trilha sonora de nazista, mas nããão, não é nazista. Podem esperar."

Rodrigo Amaral - Estudante de Artes Visuais da UFMG




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