Juventude

GREVE TRABALHADORES UNICAMP

Estudantes da Unicamp votam paralisar junto aos trabalhadores por permanência e contra as punições

Em assembleia realizada nesta segunda-feira (4), cerca de 250 estudantes da Unicamp discutiram e deliberaram um paralisar entre os dias 12 e 14 de junho em apoio à greve dos trabalhadores, em defesa da ampliação da permanência estudantil e de enfrentamento com a reitoria, suas novas regras de jubilamento e punições aos grevistas de 2016, mas também contra o assédio no campus.

terça-feira 5 de junho| Edição do dia

A assembleia foi chamada com um indicativo de greve deliberado pela reunião do Fórum das 6 (entidade representativa de estudantes e funcionários das três estaduais paulistas), logo após o Conselho de Reitores das Estaduais Paulistas (CRUESP) decretar o reajuste irrisório de 1,5% nos salários de professores e trabalhadores das universidades.

Uma proposta que dá continuidade a uma política de arrocho salarial e precarização do trabalho nas estaduais, contraposta pela proposta dos trabalhadores de reajuste de 12,6%, para suprir as perdas salariais desde 2015. Desde o ano passado, Marcelo Knobel aliado ao governo de Geraldo Alckmin (PSDB) e Márcio França (PSB), vem congelando a contratação de novos funcionários, que tem gerado consequências em especial no Hospital das Clínicas, vinculado à universidade. A falta de profissionais para atender a população de Campinas tem gerado um quadro caótico no hospital, além da falta de equipamentos e leitos, que demonstra o papel da reitoria e do CONSU frente a crise: descontá-la nos trabalhadores, nos estudantes e e na saúde da população da cidade.

Frente a esse indicativo, os estudantes deliberaram uma proposta de plano de lutas que prepare a greve estudantil, com assembleias de cursos, uma paralisação na data da próxima reunião do CRUESP em São Paulo, e uma paralisação de três dias para a próxima semana. Foi discutido paralisar nos dias 12, 13 e 14 de Junho, com uma nova assembleia geral marcada para o almoço do dia 14h com indicativo de greve. O indicativo de paralisação nesses dias deverá ser aprovada pelos cursos ao longo da semana. O mote aprovado foi:

“Em apoio à greve dos funcionários e em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. Por mais permanência e contratações. Contra o assédio, as punições e as novas regras de jubilamento!"

Sobre a solidariedade dos estudantes aos funcionários, a estudante de pedagogia Ursula Noronha, do grupo de mulheres Pão e Rosas, declarou ao Esquerda Diário: “É muito importante para os estudantes essa greve de trabalhadores, em especial porque ela se enfrenta com o nosso principal inimigo, que é a reitoria. A vitória da sua luta enfraquece esse inimigo que hoje quer punir os estudantes que pararam a universidade em 2016 e conquistaram as cotas étnico-raciais, e que corta e deve cortar ainda mais das bolsas estudantis, além de quebrar o compromisso com a construção de novas vagas na moradia.”

Sobre a organização dos estudantes para esse momento de mobilização, a estudante Vitória Camargo, militante da juventude Faísca, disse que: “O nosso DCE hoje, dirigido pela UJS e o grupo Apenas Alunos, tem se provado um obstáculo para a luta dos estudantes contra a reitoria e seu projeto de universidade. Provam isso quando chamam o candidato Flávio Rocha, que tem denuncias de uso de trabalho análogo à escravidão nas oficinas da Riachuelo no Rio Grande do Norte. Chama essa pessoa para debater ‘alternativas para a crise’, ao invés de colocar a entidade a serviço de unificar a luta dos estudantes com a dos trabalhadores e de uma saída independente da burocracia acadêmica e da reitoria para a crise da Unicamp. Cumprem na universidade o mesmo papel traidor que o PT cumpre nacionalmente, que permite que o descontentamento popular se apoie em movimentos que fortalecem a direita e os patrões, ao se negar a construir um plano de lutas nacional e ter impedido que os trabalhadores fossem alternativa às contrarreformas e ataques aos direitos democráticos com greves gerais.

Completou defendendo propostas para a universidade: “Nós da juventude Faísca achamos que é essa unidade entre trabalhadores e estudantes que pode pensar um projeto de universidade que se ligue a um projeto de país que responda a crise. Em primeiro lugar, por que nós que estamos sofrendo com os ataques da reitoria não temos o mínimo direito de decidir sobre os gastos da universidade? Funcionários e estudantes são a maioria, que fazem ela funcionar e tocam a produção de conhecimento aqui dentro, mas é uma casta de burocratas do CONSU e da reitoria que decidem tudo, desde esses ataques aos estudantes, funcionários, ao HC, mas inclusive que o conhecimento ‘de excelência’ sirva centralmente aos interesses privados e os lucros de grandes empresas e fundações, que tem até membros no conselho. Defendemos a abertura de contas da Unicamp para que seja essa maioria de estudantes e funcionários que decida sobre os rumos da universidade, suas contas, como se ligar à população, e que golpeie essa casta burocrática do CONSU”




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