Juventude

Estudantes da Unicamp deliberam pelo fim da greve

Na noite da última terça-feira, 3 de agosto, os estudantes da Unicamp reuniram-se em Assembleia Geral para discutir a mobilização.

quinta-feira 4 de agosto| Edição do dia

Foi deliberado o fim da greve com continuidade da campanha contra as punições e indicativo para os cursos de paralisação geral no dia da reunião da comissão de sindicância de Guilherme Montenegro, na próxima segunda, 8.

Acompanhe o calendário de lutas:

08/08 - paralisação, ato contra as punições (8h, na DGA), aniversário de descumprimento do acordo da reitoria, poster bomber na reitoria
11/08 - ato em frente à Câmara que discutirá a questão do Ruffino e ato no centro pelo Fora Temer
16/08 - CRU sobre o plebiscito sobre a reitoria do diálogo
17/08 - proposta de data para os GTs de cotas e permanência (sempre com ato!)
30/08 a 01/09 - realização do plebiscito sobre a reitoria do diálogo por toda a universidade
06/09 - proposta de data para os GTs de cotas e permanência (sempre com ato!)
15/09 - proposta de data para a Audiência Pública sobre cotas

Estudantes manifestaram em posts no Facebook suas impressões do conjunto da mobilização:

Amanhã vou dar uma aula de teatro pra substituir uma amiga. Vai ser minha primeira experiência com crianças tão pequenas.
Estou um pouco assustado, mas cada dia mais acredito na revolução dentro da sala de aula e por meio da educação de fato. Por isso, lutei estes quase três meses pela implementação das cotas étnico-raciais na Unicamp, pela ampliação da moradia e pelo fim dos cortes no orçamento. Foi uma greve histórica que se encerrou hoje, mas que foi história sem dúvidas.
E no papel de aspirante a arte-educador, devo dizer que me construiu muito enquanto ser humano esses últimos dias. Me faz crer ainda mais que ser professor é sim querer mudar uma sociedade e fui inspirado por mil e uma pessoas que me encorajaram e me encorajam todos os dias.
Obrigado!

Victor Luvizotto, estudante de Artes Cênicas do Instituto de Artes

Acabou uma greve histórica.
Uma greve difícil. Mtos haters vão dizer que saímos perdendo mas o que tivemos nesse greve foram vitorias.
Conseguimos:
- 600 vagas da moradia;
- 3 audiências publicas e 3 reuniões do no CONSU sobre cotas;
- reformulação no SAE;
- reforma na moradia
E o mais importante: o ganho politico. Nunca nessa universidade se pautou tão fortemente a questão das cotas. Colocamos essa pauta como a ordem do dia para a próxima consulta para reitoria. Mostramos as fissuras das relações que permeiam estudantes e professores. Mostramos bem esses contornos e onde estão as estruturas de poderes dessa universidade.
Até conseguimos levar o pessoal do grupo da Unicamp irem na assembleia, para ensinar e compartilhar um pouco sobre o que são ações políticas em espaços deliberativos.
E o maior ganho: os laços que criamos uns com os outros. Mostramos para nós mesmos como somos fortes e determinados. Mostramos que não queremos desigualdades e nem preconceitos. Mostramos que queremos discutir outros projetos de universidade e de sociedade e vamos permanecer unidos a cada dia.
Agradeço de coração todo esse tempo com todas essas pessoas. Pessoas corajosas e que vou me lembrar com mto orgulho desse momento que deixamos registrado na historia da Unicamp. O que eu aprendi nessa greve, nenhuma graduação vai poder ensinar.
Desse tempo, só carrego comigo ótimas relações, ótimos laços e ótimas lutas! Obrigada

Carolina Bonomi, estudante de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas

Dizem que a vida é feita de escolhas e que cada uma delas marcam os rumos da nossa história-Acho mesmo que fizemos escolhas tão fundamentais nesses quase 90 dias de greve que não só marcou a vida de cada um, mas também, a contragosto dos poderosos, dos conservadores, racistas, machistas e LGBTfóbicos, mudou para sempre a história da Unicamp!! Escancaramos que não aceitamos mais não ter voz: Ocupamos a reitoria por dois meses e construímos uma greve forte. Fomos 20 faculdades e institutos gritando em uma só voz "Cotas sim! Cortes não! Contra o golpe e pela educação! Por permanência e ampliação!". Num momento de ataques a nível nacional, em tempos TEMERosos, nós radicalizamos e nos enfrentamos com aqueles que querem manter o projeto elitizado e excludente dessa universidade, com muita garra arrancamos as 600 vagas da moradia, ampliação das bolsas, reformulações dos sistema do SAE, audiências públicas e reuniões do CONSU com pauta exclusiva para debater as cotas étnico-raciais!
Mas concordo com muitos estudantes que disseram hoje na assembleia geral que o nosso maior ganho foi político e está na força desse movimento lindo que construímos juntos, questionando as verdades prontas e opressoras, com a paixão e disposição de quem sonha alto sim. Tenho certeza que a reitoria, os burocratas de plantão e os professores e estudantes da direita terão muito mais dor de cabeça daqui pra frente- Não vão nos calar! Não vão nos punir porque lutar é um direito e vamos seguir mobilizados para derrubar a sindicância contra o Guilherme, cada processo judicial e também o corte de salário dos trabalhadores!
Aprendi muito com essa luta, conheci pessoas incríveis e a minha história ganhou uma página que já está marcada com muito carinho. Obrigada

Tatiane Lima, estudante de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas

gente, foi maravilhoso conhecer vocês, morar com vocês, aprender com vocês, tretar com vocês, jogar uno com vocês, perguntar se a comida é vegane com vocês, dormir de conchinha com vocês, perguntar o mapa astral de vocês, peitar o mbl com vocês, acordar animadíssima na alvorada com vocês, andar até todos os fins de mundo da unicamp com vocês, planejar táticas de guerrilha com vocês, inventar musiquinha com vocês, frequentar o posto da avenida 1 com vocês (bavaria 2 conto), enfim... esses 3 anos em 3 meses foram únicos, a greve acabou mas a luta continua e eu espero que os laços também <3 muito amor, muita coragem, muita garra sempre!

Anna Emília, estudante de Artes Visuais do Insituto de Artes




Tópicos relacionados

Greve das estaduais paulistas   /    Unicamp   /    Campinas   /    Juventude

Comentários

Comentar