Educação

OCUPAÇÃO UNESP

Estudantes da Unesp de Marília ocupam o campus contra a retirada do Diretório Acadêmico

sábado 23 de setembro| Edição do dia

Foto: Estudantes em ato no evento do curso de filosofia presidido pelo vice-diretor da unidade

Na última semana, a direção da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), campus de Marília, tem se colocado em clara posição de afrontamento ao movimento estudantil. Não bastando a repressão aos 35 alunos sindicados, por um piquete contra a reorganização das escolas em 2015 do governo Alckmin, nesta sexta-feira o responsável pela cantina do Diretório Acadêmico recebeu uma intimação de despejo da administração da faculdade, tendo o prazo de 24h para retirar seus pertences do local. O responsável pela cantina, estudante do curso de arquivologia, no inicio do mês foi investigado pela DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) por conta de uma denuncia anônima com acusação de trafico de drogas e armas dentro da faculdade. Visto que a denúncia era infundada, as investigações se interromperam, mas a repressão e ataques por parte da direção continuam. Em seguida, o chefe da seção de manutenção, a mando do diretor, compareceu ao espaço exigindo a regulamentação da cantina e criação de um CNPJ próprio. Dias depois enviou uma série de e-mails exigindo o comparecimento do responsável ela cantina na direção para tratar de assuntos de seu interesse, sem informar o conteúdo de fato, assim como aconteceu com os 35 estudantes sindicados. Diante disso, os estudantes reunidos em Assembleia Geral deliberaram por um abaixo assinado pela manutenção da cantina e D.A, que já conta com ampla adesão da comunidade acadêmica.

O espaço do Diretório Acadêmico, assim como o da cantina, foram uma conquista do movimento estudantil. Desde 2013 ela é gestada pelo estudante que esta sendo perseguido atualmente. Antes disso, este espaço foi também gestado por outros estudantes deliberados pela assembleia estudantil. Este é um dos poucos que restaram para a convivência dos alunos, visto que a direção tem minado todos eles, retirando o café do centro de convivência, construindo prédios no lugar de antigos espaços destinados a articulação política, cultural e social dos discentes como forma de desmobilizar o ME.

Em resposta os estudantes chamaram uma assembleia extraordinária para decidir qual medida tomar em relação ao ataque da direção. Nela foi deliberado um ato relâmpago no evento onde o vice-diretor da unidade compunha a mesa. Os estudantes entraram gritando palavras de ordem e fizeram a leitura de uma carta de pedido pela imediata revogação da intimação de despejo da cantina. O vice-diretor, como é de costume, respondeu que nada poderia fazer e que o responsável pela cantina fosse conversar com o diretor da unidade na segunda-feira, dia 25 de setembro. Após o ocorrido e retorno à assembleia, os estudantes aprovaram uma ocupação da Seção de Comunicação da unidade e uma vigília do D.A. para barrar a desocupação da cantina durante o final de semana, em que promoveram várias atividades durante este período, listadas ao final desta matéria, para divulgar o ocorrido e proporcionar amplo debate sobre a repressão no campus.

Esses ataques promovidos pela direção da universidade com grande intensidade desde o início de sua gestão tem total relação com o atual momento conjuntural em que estamos inseridos, onde a classe trabalhadora sofre diversos ataques e retirada de direitos conquistados através da luta. A reforma da previdência, a reforma trabalhista, o congelamento de investimento nas áreas da saúde e educação, o avanço do projeto escola sem partido visam precarizar, avançar a terceirização e possibilitar a privatização de universidades públicas assim como de outros espaços evidenciam claramente a intenção do governo de favorecer os grandes empresários.

Não por coincidência, na USP, três estudantes também estão sendo sindicados com base regimentar originada em contexto de Ditadura Militar por lutar contra as reformas do governo Temer e o pacote do fim da USP. Na Unicamp, tramita um também um pacote de ataques que visam despejar a crise nas costas dos trabalhadores e estudantes. A UERJ está fechada por tempo indeterminado por não ter verba para o orçamento anual de funcionamento da universidade, servindo de exemplo dos rumos que os governos reservam para a universidade pública no Brasil.

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Reitoria da USP utiliza decreto da ditadura militar para punir estudantes
Temer e Pezão assinam acordo com objetivo de fechar UERJ, UENF, UEZO e demitir servidores

Cronograma de atividades da ocupação:

ATIVIDADES DO SÁBADO:
14h: encontro do Berlô. Tema: o uso da maconha em espaços formais.
17h: SARAU no D.A.

ATIVIDADES DO DOMINGO:
10h: Debate: “Reformas trabalhistas e Previdência: reflexos na Universidade Pública”.
14h: Roda de conversa: “LGBT constatado pelo CID e a liminar da cura gay”.
Após o debate “Gaymada” – Jogo de bola queimada do Vale dos Homossexuais
18h: Comando de Ocupação
20h: Churrasco no D.A.

Hoje a entrada à universidade é até às 18h, devido às regras de acesso ao campus, estabelecidas pela congregação.
A ocupação está aceitando doações de produtos de limpeza e alimentos!
Vem! O D.A É NOSSO! Contra as 35 sindicâncias!
Acompanhe pela página no Facebook:Solidariedade aos 35 sindicados da Unesp Marília




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