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Estudantes da USP organizam ato em defesa da ciência e contra os cortes do governo Bolsonaro

Alunos da USP se mobilizam pela realização, nesta quarta (8), de um ato contra os cortes não só das Universidades e Institutos Federais, mas também da educação como um todo. A chamada “Marcha Pela Ciência - Contra os cortes e o desmanche da educação” conta com o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Marcha Pela Ciência SP e Internacional.

terça-feira 7 de maio| Edição do dia

A iniciativa parte de um rechaço absoluto contra os cortes que foram anunciados recentemente pelo governo. Se o ataque a Sociologia e Filosofia já era um alerta importante da tentativa de desmonte da educação crítica e do livre pensar, buscando contrapor ao crescimento do interesse por política da juventude brasileira, esses cortes mais amplos na educação que Bolsonaro e o ministro da Educação Weintraub estão aplicando representa um ataque brutal contra as universidades e os movimentos estudantis que atuam nelas, o que fica claro ao declararem que vão aplicar cortes em universidades onde houvessem “balbúrdias”.

O governo também quer condicionar os cortes da educação à reforma da Previdência, com um discurso demagógico que a causa dos cortes é consequência da demora para se aprovar a “Nova Previdência” de Bolsonaro e Paulo Guedes. Com isso, o governo pretende fazer uma chantagem para segregar a luta dos estudantes e dos professores, pois sabe da potencialidade que tem a unidade das categorias, lado a lado com a juventude, lutando por um programa que imponha que sejam eles, os capitalistas, que paguem pela crise.

Nesse momento, o DCE da USP, que é dirigido pelo Levante Popular da Juventude, PT e UJS, afirma que deve existir uma “unidade ampla”, até mesmo com a burocracia acadêmica, para lutar em defesa da Universidade. É possível defender uma educação crítica, científica, laica e a serviço da população, com aqueles que implementam planos de terceirização, que matam estudantes que ganham 400 reais em um estágio, enquanto os burocratas ganham mais de 20 mil reais, que mantêm muros e catracas separando uma comunidade inteira dos espaços da universidade? Isso tudo só mostra que a burocracia acadêmica é o nosso inimigo e que pretende manter todo o conhecimento produzido na universidade longe da população. A USP foi uma das últimas universidades a aprovar o sistema de cotas, depois de muita luta do movimento estudantil e dos trabalhadores! O DCE da USP, que fará a primeira assembleia do ano só agora em março, prefere se reunir com a burocracia acadêmica, do que se aliar aos estudantes e trabalhadores da universidade.

Nem morrer sem se aposentar, nem morrer sem estudar, nem morrer trabalhando. É preciso que os estudantes se organizem em assembleias e comitês de base que se liguem nacionalmente e superem suas burocracias no movimento estudantil que tentarão manter a movimentação dos estudantes “sob controle”. É preciso que lutemos contra os cortes nas universidades e na educação, e também contra a reforma da previdência, essa que nos retira o horizonte de um futuro que não seja o de trabalhar até morrer.. Que lutemos para atacar aí sim os lucros dos grandes empresários e banqueiros que, a partir do mecanismo da dívida pública, mantêm a subordinação do país e o roubo da população.

A educação deve estar a serviço da classe trabalhadora. Lutamos pela implantação das cotas, agora temos que lutar pela sua continuidade em direção ao fim do vestibular e o fim dos grandes monopólios da educação que têm interesse no sucateamento da educação pública. Esses monopólios devem ser estatizados sob controle da população, para acabar com a lógica da educação como mercadoria e para avançar no acesso da população ao conhecimento produzido nas universidades.

Devemos cobrar todos as nossas entidades como o DCE e os Centros Acadêmicos para a partir de já preparar e organizar uma forte mobilização no próximo dia 15, junto a categoria de professores. O movimento estudantil já demonstrou a força que pode ter se alia-se a classe trabalhadora, e é esse o fantasma que assombra constantemente os políticos burgueses e as burocracias.




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