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Estudantes da UFABC contra os cortes da educação se somam ao 15M

Ontem (07/05), aconteceu no campus de Santo André da UFABC uma reunião convocada pelo DCE para debater os cortes de verbas na educação. O corte de 30% anunciado pelo governo Bolsonaro na sexta-feira passada, atingirá a manutenção da universidade, colocando em risco não apenas suas bolsas de assistência e o desenvolvimento cientifico, mas a sua própria existência, como em outras federais no país.

Virgínia Guitzel

ABC Paulista | @virginiaguitzel

quarta-feira 8 de maio| Edição do dia

Combinado ao corte na educação, foi debatido a necessidade de ligar a luta pela educação a denuncia da reforma da previdência que tem como único objetivo, descarregar nas costas dos trabalhadores e da juventude a crise capitalista à favor da manutenção dos lucros dos empresários e banqueiros.

Com cerca de 70 estudantes, a reunião aprovou encaminhamentos para organizar a luta e formas de conscientização da população sobre os impactos deste corte. Entre as resoluções, os estudantes decidiram por incorporar as ações e manifestações na greve geral da Educação no dia 15 de Maio.

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Jenifer Tristan, aluna do campus de São Bernardo e militante do grupo de mulheres feminista e socialista, Pão e Rosas, interveio colocando os desafios que a luta contra os cortes colocavam para o movimento estudantil nacional, e a necessidade de debater um programa a altura de disputar com Bolsonaro não somente os rumos da educação, mas o projeto de país sequestrado pelos golpistas e os Bolsonarista discípulos de Trump. Para tal, Jenifer ressaltou a importância da atuação unificada com as demais universidades e a classe trabalhadora pra enfrentar a crise, para que sejam os capitalistas que paguem por ela.

Basta de negociações! Neste dia 15M precisamos construir desde as bases uma força antiburocrática capaz de impor que sejam os capitalistas a pagar pela crise

Que pese o fim do quadrimestre, a reunião de ontem expressou uma preocupação de parte dos estudantes de não ter reunido centenas de alunos como foi durante a eleição de Bolsonaro. Uma reunião que não teve ampla divulgação e acontece num momento com já menos alunos frequentando a universidade, e alguns ainda com provas e trabalhos finais, precisava apontar para caminhos de organização desde a base dos estudantes para sermos uma força real neste 15M.

Muito dos temas expressos na reunião dialogaram entorno da unidade necessária para barrar os cortes de verbas e a reforma da previdência, porém não se abordou os obstáculos que encontramos em nossas próprias entidades estudantis e sindicais para romper a tregua a este governo e impor nossas reivindicações. Entre as organizações presentes, estavam a UJS (União da Juventude Socialista) e a LPJ (Levante Popular da Juventude) que juntos dirigem a União Nacional dos Estudantes, que recentemente adiou seu Congresso para final de Junho, numa semana sem feriado, impedindo que centenas de jovens trabalhadores e estudantes que terminem seu semestre neste periodo, possam participar. Estes mesmos grupos, recentemente, disputavam o Diretório Central dos Estudantes (DCE) numa mesma chapa com o PPL, em nome da "frente ampla" que significa buscar alianças com setores da burguesia democrática.

Mas aqui queremos dialogar com a Oposição de Esquerda da UNE, especialmente a UP (Unidade Popular pelo Socialismo / Correnteza), a UJC (União da Juventude Comunista / PCB) e a Juventude Manifesta (PSOL) que participaram de todo o processo anti-democrático de eleições de chapa e que ontem atuavam na reunião na construção desta "Unidade". Como podemos construir a verdadeira unidade da classe trabalhadora, separada hoje pelas suas direções sindicais e pela ideologia burguesa que prega o racismo, o machismo e a LGBTfobia como formas de controle, sem denunciar dirigentes como Paulinho da Força que no 1 de Maio sobe ao carro de som do ato "histórico de unidade" para dizer que não há força para derrotar a reforma da previdência? Como lutar pela unidade dos estudantes se a UNE adia seu Congresso e impede - na UFABC, infelizmente com métodos burocráticos reproduzidos pela Oposição - com que os estudantes definam um plano de luta e que desde já possamos coordenar nacionalmente nossa luta? Ou sem debater a imperiosa necessidade de independência de classe, que na luta contra os cortes e contra a Reforma da Previdência, o PPL e outros partidos burgueses não são nossos aliados?

Por estes motivos, que nós do grupo de mulheres Pão e Rosas e do Esquerda Diário que estudamos na UFABC alertamos que não basta convocar uma reunião e definir um calendário de mobilização sem politizar desde as bases a necessidade de construir organismos de auto-organização onde permita com que centenas de estudantes se incorporarem e possam decidir os rumos do movimento, o seu programa e sua estratégia. Sem garantir uma construção democrática desta luta, corremos o risco de ser um grande golpe de efeito que sirva apenas para essas burocracias estudantis e sindicais buscarem uma relocalização frente aos anseios de milhares de pessoas que não aceitam essa reforma e se posicionam contra os cortes.

Veja as resoluções na página do DCE:




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