Juventude

GREVE ESTUDANTIL

Estudantes da Letras USP em greve debatem o Manifesto Comunista

Em meio à greve e ocupação do prédio, estudantes da Letras USP debatem o Manifesto do Partido Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels e a atualidade de suas ideias em nossos dias

Cristina Rose

@CrisRoseMiranda

sexta-feira 17 de junho de 2016| Edição do dia

“A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes.” Assim começa o primeiro capítulo do Manifesto Comunista, “Burgueses e Proletários”, escrito por Karl Marx e Friedrich Engels em 1848. Em meio a uma das maiores greves das três Universidades Estaduais Paulistas, estudantes independentes da Letras USP junto com estudantes que militam na FAÍSCA – Anticapitalista e Revolucionária, e que ocupam o seu prédio de ensino desde o dia 11 maio, se debruçam sobre os clássicos do marxismo resgatando a atualidade de suas ideias para a sociedade de nossos dias.

A primeira parte da formação, divida em duas partes, aconteceu na última sexta-feira, mas também se repetiu na terça passada em um horário acessível às pessoas que trabalham, e reuniu cerca de 30 pessoas.

Após assistir os dois primeiros episódios da minissérie “Marx Voltou!” produzida na Argentina pelo PTS, partido irmão do MRT no Brasil, os estudantes discutiram conceitos fundamentais do marxismo, como “o que são classes?”, “o que é luta de classes?”, “o que é a burguesia e o que é o proletariado?”, e como para Marx a história das sociedades modernas era determinada pela luta de classes, ou seja, pelos conflitos entre as classes dominantes e dominadas de uma época por vezes entravam em choque para defender seus interesses antagônicos.

Retomando o texto do Manifesto, os estudantes descobriram que para Marx “Por Burguesia entende-se a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social que empregam o trabalho assalariado” e “Por proletariado, a classe dos assalariados modernos que, não tendo meios próprios de produção, são obrigados a vender a sua força de trabalho para sobreviver”.

Analisando a sociedade de nossos dias os estudantes chegaram à conclusão de que essas definições se mantêm, pois as relações de produção e apropriação daquilo que é produzido sem mantem às mesmas desde a época de Marx, apesar de toda a propaganda capitalista que diz que o desenvolvimento tecnológico acabou com as classes como Marx as conheceu. Ou seja, nos nossos dias toda a produção social segue sendo feita de forma coletiva por uma massa de assalariados (proletariado), mas a apropriação de tudo aquilo que é produzido coletivamente segue sendo feita de forma individual unicamente pelos proprietários dos meios de produção (burguesia), que lucram e aumentam o seu capital com o trabalho alheio, como fazem os donos de fábricas e indústrias.

Essa forma de produção e apropriação do que é produzido que Marx analisa em seu Manifesto e que se mantêm em nossos dias é a origem de várias desigualdades sociais existentes em nossa sociedade, e também responsável pelas crises econômicas que de tempos em tempos assolam as nações como hoje ocorre no Brasil.

Em seu Manifesto, Marx e Engels dizem que a burguesia vence as crises “de um lado, pela destruição violenta de grande parte das forças produtivas; de outro, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos.” E completam “A que leva isso? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evita-las”.

Analisando a nossa realidade os estudantes da Letras chegaram à conclusão que estas definições também se mantêm atuais, pois como vemos na crise que atravessa hoje o Brasil, uma resposta que a burguesia encontra para superar a crise econômica é a demissão em massa de trabalhadores, ou seja a destruição forçada de forças produtivas e o aumento do exército de reserva. Também foi analisado como podemos confirmar que a burguesia segue aumentando a exploração dos países periféricos para que estes paguem sua crise, como podemos ver hoje com o imperialismo financiando um golpe institucional no Brasil para derrubar o governo de conciliação de classes do PT, para que os ajustes que o governo petista já prometia aplicar sejam implementados em outra velocidade, cortando ainda mais dos gatos sociais, como saúde e educação, mas sem nunca deixar de pagar a dívida pública.

Após realizado todo o debate, os estudantes marcaram a data de sua próxima reunião para seguir a discussão sobre o Manifesto Comunista, se aprofundando na análise do que é o Estado e a serviço de quem ele trabalha, e qual a alternativa e saída que os trabalhadores podem oferecer, na próxima sexta-feira dia 17, às 14h na sala 103 do prédio Ocupado da Letras USP. O encontro é aberto à participação de todos, e o link para mais informações sobre o evento segue abaixo: https://www.facebook.com/events/1711722672412802/




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