Estudantes da FEUSP ficam sem aula por falta de professores

A redução no quadro de professores do instituto pode deixar diversos estudantes sem aulas de matérias curriculares obrigatórias.

terça-feira 3 de março| Edição do dia

Conforme as informações apontam, a FEUSP é o instituto que possui, percentualmente, o maior número de professores contratados sob regime precário de trabalho. São cerca de 19% de professores temporários. Se contabilizados com o da EA (Escola da Aplicação) o índice chega a 25%. A gestão Pra Poder Contra Atacar do Centro Acadêmico do instituto, CAPPF, construirá uma assembleia de estudantes no dia 11 de março para debater a mobilização dos estudantes contra a falta de professores e rumo ao 18 de março, dia nacional de mobilização.

O projeto de educação que está sendo aplicado em todos os níveis de ensino, básico e superior, e que tem como principais orquestradores Bolsonaro e Weintraub, tem intensificado o processo de precarização das universidades. Pensando que esse projeto nacional está sendo aplicado a nível estadual e municipal por Doria e Covas, as escolas e as universidades estaduais estão sentindo os efeitos dos ataques dirigidos à educação. No que diz respeito à USP, maior universidade do país, a precarização se manifesta de diferentes maneiras, sendo a Faculdade de Educação um dos institutos mais afetados.

Atualmente, a reitoria da universidade segue a política para educação de Dória resultando na redução da permanência para estudantes, na terceirização de restaurantes universitários, no fechamento de vagas nas creches, na sobrecarga dos funcionários e professores à medida que o quadro de funcionários tem se reduzido e não se contrata o número necessário para o pleno funcionamento da USP. Além da diminuição do número de funcionários e professores, os poucos trabalhadores contratados têm sido submetidos a um instável regime de trabalho.

No caso dos professores, os poucos que foram recentemente contratados recebem salários reduzidos, são temporários e sem direito ao regime de dedicação exclusiva, o que impede que orientem alunos, prejudicando a pesquisa e extensão da universidade. Todos esses fatores, conjuntamente com os outros pontuados anteriormente, consequentemente afetam a qualidade do ensino ofertado aos estudantes, chegando, inclusive, como está acontecendo na FEUSP (Faculdade de Educação da USP), a falta professores das disciplinas que são obrigatórias para o curso de Pedagogia e para licenciaturas.

Além da necessidade de reduzir a qualidade da formação de professores e da educação básica, em função do processo de uberização do trabalho, esses ataques também são promovidos por se saber a potencialidade explosiva que tem a unidade entre estudantes e professores. Assim, fica claro os motivos que fazem a FEUSP ser um dos institutos mais prejudicados no presente contexto, ainda que seja necessário pontuar, que o ensino superior como um todo enfrenta um projeto neoliberal, que tem como perspectiva o aumento do lucro dos grandes empresários e do agronegócio.

Perspectivas de luta:
A gestão do Centro Acadêmico Professor Paulo Freire, impulsionada pela juventude Faísca e independentes, ao ficar ciente da possibilidade de estudantes ficarem sem aula, mesmo estando matriculados nas disciplinas e que, isso poderia acarretar tanto no atraso quanto na redução da qualidade da formação deles, tem construído iniciativas para mobilizar os alunos da FEUSP frente a esses ataques. Uma dessas iniciativas será a assembleia de estudantes no dia 11 de março na própria faculdade, espaço deliberativo e organizativo de fundamental importância, para que ações sejam encaminhadas.

Além da assembleia, a mesma entidade está propondo mobilizar os alunos para o calendário de lutas de maio, com a intenção de construir um forte bloco de mulheres para o dia 8 de março, com a realização de uma campanha por justiça por Marielle rumo ao dia 14 e uma forte resposta às investidas autoritárias de Bolsonaro no dia 18 de Março, dia de mobilização nacional. Compreendemos que essa data, não só deveria seria impulsionada por educadores, mas também por outros setores da classe trabalhadora e da juventude, tendo como inspiração toda a luta que foi travada pelos petroleiros contra Bolsonaro.




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