Gênero e sexualidade

DIREITO AO ABORTO

Estudante que teve aborto negado pelo STF, aborta legalmente na Colômbia

A estudante Rebeca Mendes da Silva Leite, de 30 anos, tomou a decisão de fazer a interrupção da gravidez de forma legal na Colômbia, depois que teve seu pedido para abortar negado pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF).

segunda-feira 11 de dezembro de 2017| Edição do dia

A possibilidade de fazer o procedimento na Colômbia surgiu quando foi convidada para participar de um seminário em Bogotá organizado pelo Consórcio Latino-americano contra o Aborto Inseguro (Clacai), uma ONG voltada à pesquisa sobre direitos reprodutivos. A passagem e hospedagem foram pagos por essa organização.

Rebeca é estudante de direito, mãe de duas crianças e tem um contrato temporário no IBGE, ganhando pouco mais de um salário mínimo. Ela estava grávida de sete semanas, segundo divulgado no sábado, 9, pelo Anis - Instituto de Bioética. Ele e o PSOL elaboraram uma ação, pedindo ao STF uma liminar que autorizasse Rebeca a abortar. O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Com a gestação avançando, ela passou a buscar opções na América Latina. "Aqui (na Colômbia) há a compreensão sobre o que eu estava passando e o que queria fazer com o meu corpo. O procedimento ocorreu sem grandes problemas, sem nenhum empecilho", afirmou Rebeca, segundo o comunicado distribuído pelo Anis.

A interrupção de gravidez é um procedimento autorizado pela Corte Constitucional da Colômbia desde 2006, em três circunstâncias: quando a gravidez coloca em perigo a saúde física ou mental da mulher, quando a gestação é resultado de estupro ou incesto e em caso de más-formações do feto. "Para viver um procedimento de aborto com segurança, Rebeca teve de ir a um país vizinho que reconhece que qualquer gestação indesejada é uma gestação de risco pelo sofrimento que impõe às mulheres" disse ao Anis Gabriela Rondon, uma das advogadas de Rebeca Mendes.

Infelizmente a oportunidade que Rebeca teve não é uma realidade para todas as mulheres. Nos países que não têm o aborto legalizado milhares de mulheres procuram clínicas clandestinas para interromper a gravidez. O aborto já é uma realidade no Brasil: as ricas abortam, as pobres morrem. Precisamos de políticas de saúde pública que nos dê segurança de que o procedimento acontecerá sem ameaçar a vida das mulheres. Para que Rebeca e nenhuma outra mulher tenha que passar por situações de risco, temos que exigir: educação sexual pra decidir, contraceptivos para não engravidar e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!

Com informações da Agência Estado




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