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Estatal chinesa quer comprar hidrelética de Santo Antônio da Cemig e Odebrecht

A chinesa State Power Investment Overseas (Spic) apresentou ontem uma proposta para comprar a participação da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) na Hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia. A estatal mineira detém 22,4% da usina, de 3.568 MW, por meio das empresas Cemig Geração e Transmissão e SAAG Investimentos. Em comunicado ao mercado, a estatal de Minas afirma que a proposta será deliberada pela governança da empresa.

quarta-feira 28 de junho| Edição do dia

As conversas para vender a participação na usina do Rio Madeira começaram há alguns meses. Além da fatia da Cemig, a empresa chinesa também negocia a aquisição com os outros sócios da hidrelétrica. Um deles é a Odebrecht Energia, que detém 18,6% de participação na Santo Antônio. Nesse caso, a companhia ainda negocia os termos e condições para um acordo de compra. Por tabela, a fatia da Eletrobrás na hidrelétrica também poderia ser vendida, conforme já afirmou o presidente da estatal federal, Wilson Ferreira Junior.

O valor total de 100% dos ativos da Santo Antônio é estimado em cerca de R$ 9 bilhões. Mas, no início das negociações, a expectativa era que um valor a ser desembolsado seria bem menor: entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões. O restante seria vinculado ao cumprimento de metas de desempenho e deveria ser parcelado. A Cemig não informou o valor da proposta feita pela chinesa ontem pela sua participação.

Desde que a hidrelétrica foi colocada à venda, os sócios vinham fazendo road show em vários países para apresentar o projeto. A Odebrecht, por exemplo, foi para a China, onde ofereceu sua participação para várias outras companhias, além da Spic. Na lista das empresas que já olharam a usina, estavam a China Three Gorges e a canadense Brookfield. Mas nos dois casos as conversas não foram adiante. Com a proposta feita ontem pela Cemig, a expectativa de analistas do mercado é que as demais negociações sejam aceleradas para que as compras sejam feitas simultaneamente.

A Cemig está sendo duramente atingida pela crise que tem no estado de Minas Gerais um dos quadros mais graves no país. A empresa anunciou um programa de privatizações que pode superar R$ 6 bilhões, incluindo a venda de participações em empresas de transmissão de energia elétrica e também a distribuidora do Rio de Janeiro Light. Em recente entrevista ao Estadão/Broadcast, o presidente da companhia afirmou que a venda de ativos da estatal é uma necessidade.

Hoje a Cemig é a maior empresa integrada do setor de energia elétrica da América do Sul, em número de clientes, e a maior da América Latina, em quilômetros de rede e de equipamentos e instalações. Já não é uma empresa pública, possuindo capital aberto, mas o controle ainda é do governo mineiro.

O encolhimento da empresa e venda de seus ativos para multinacionais estrangeiras está em consonância com a política de privatizações do governo Temer, que vem num ritmo acelerado vendendo o patrimônio da Petrobrás e outras estatais e usando de chantagens como o plano de recuperação fiscal para obrigar os estados a fazer o mesmo, como vimos no caso da CEDAE, a companhia de saneamento do Rio de Janeiro.




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