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PRECARIZAÇÃO

“Estão fazendo mais e mais trabalhadores sobreviverem de bicos”, Diana Assunção comenta novos dados do IPEA

quinta-feira 29 de setembro| Edição do dia

A perda de empregos formais tem levado muitos trabalhadores a aceitar vagas sem carteira assinada este ano, com salários mais baixos e sem nenhuma garantia. Os rendimentos do trabalho informal são, em média, 40% menores do que o setor formal, o que reduz o poder de compra das famílias, e por outro lado aumenta a taxa de lucro dos empresários.

De acordo com o levantamento feito pelo IPEA, com dados do IBGE, no primeiro semestre de 2016, foram cortadas 226 mil vagas com carteira assinada e 259 mil pessoas deixaram de trabalhar por conta própria. Do lado informal, houve uma expansão de 668 mil postos neste mesmo período. O mercado de trabalho passou de 53% da população economicamente ativa com carteira registrada em 2012 para somente 49% esse ano.

Um dos setores com maior aumento da informalidade foi a construção civil. O número de postos de trabalho com carteira assinada caiu 4,16% do primeiro para o segundo semestre, enquanto as vagas informais cresceram 10,7%. A construção, onde a informalidade é historicamente elevada, passou por um processo de formalização nos últimos anos puxado por obras públicas e pelo aquecimento do setor imobiliário.

Diana Assunção, editora do Esquerda Diário, candidata do MRT a vereadora em São Paulo pelo PSOL, comentou esses dados: “como nós sabemos, sempre quem mais sofre as consequências do desemprego são os setores mais precarizados da classe trabalhadora. Por isso dizemos já a alguns anos que a precarização tem cara de mulher. As demissões começam com os terceirizados, os jovens, as mulheres. E sem emprego vemos dia a dia como mais e mais mulheres tem que se submeter a um bico como diarista e homens como ajudante de obra. Ou seja mais e mais trabalhadores estão sobrevivendo de bicos. Tudo sem carteira assinada, sem nenhum direito. Isso é consequência da política dos empresários e dos diferentes governos, começando com Dilma e agora incentivado por Temer, de fazer que nós trabalhadores paguemos pela crise”.

Essa dinâmica de aumento da informalidade, ou seja, do trabalho sem direitos, leva inclusive a um aumento da informalidade dentro desses que são os setores mais precários dos trabalhos. O trabalho doméstico registrou, segundo o IPEA uma queda no trabalho registrado de 5% e um aumento de 4% no não-registrado.

O que está acontecendo no mercado de trabalho não está isolado de uma política que une o governo Temer e os empresários, continuando os ataques iniciados por Dilma, que toca não somente a informalidade mas um conjunto de ataques envolvendo as aposentadorias e a CLT. Sobre isso a editora do Esquerda Diário comentou:

“Essa situação de precarização do trabalho é uma expressão de como querem que nós trabalhadores paguemos pela crise, seja pelo desemprego e pelo trabalho precário mas também atacando o direito à aposentadoria e com a reforma trabalhista. Contra o desemprego lutamos para impor uma lei que proíba as demissões, lutamos lado a lado com os terceirizados há muitos anos na USP e em vários lugares para lutar por seus direitos porque sabemos que são os primeiros atacados quando há crise. Hoje é um dia de mobilização de metalúrgicos em todo país. Uma das categorias que mais tem sofrido demissões e retirada de direitos. Os sindicatos e as centrais sindicais, aqueles que apoiavam o governo de Dilma como a CUT e CTB e aqueles que apoiaram o golpe como a Força estão trabalhando para separar as lutas dos metalúrgicos das de outras categorias. Precisamos que aconteça uma verdadeira greve geral, para isso é preciso romper com sua passividade e termos verdadeiras assembleias e organização nos locais de trabalho, para organizar a força da classe trabalhadora contra os ataques das empresas e do governo Temer”.




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