Internacional

Estamos diante de dois vírus: a luta contra a pandemia e a luta da Palestina contra a ocupação Israelense

Ahmad Al Jaradat, que vive em Hebron, na Cisjordânia, relata como a ocupação israelense da Palestina minou os esforços para conter os surtos de coronavírus e exacerbou a precarização das condições de vida. Ele descreve também a situação para centenas de palestinos nas prisões israelenses, que correm alto risco de contrair o vírus.

segunda-feira 4 de maio| Edição do dia

Ahmad Al Jaradat é natural de Hebron, uma cidade palestina localizada a 32 quilômetros de Jerusalém. 80% de Hebron está sob controle administrativo e policial da Autoridade Palestina. Os outros 20% são ocupados por israelenses. Ahmad explica a enorme dificuldade que as pessoas na Palestina encontram para enfrentar o coronavírus devido à ocupação israelense. Todo o acesso a suprimentos médicos, remédios e outras necessidades é controlado pelo estado sionista de israel. Em Gaza, o bloqueio está dificultando a vida cotidiana das 2 milhões de pessoas que vivem por lá. “[Eles] estão sitiados há muito tempo - até agora, por 12 anos - o que afetou muito os esforços possíveis para enfrentar o vírus neste momento. Isso fez com que as pessoas e os partidos políticos de lá se alarmassem muito nos ultimos dias e semanas ”, explica Ahmad.

Devido à alta taxa de infecção do vírus, uma grande preocupação entre palestinos e organizações internacionais de direitos humanos é o tratamento de prisioneiros palestinos nas prisões israelenses. Ahmad explica: “Existem cerca de 6.000 prisioneiros em diferentes prisões israelenses. Esses prisioneiros vivem em salas lotadas, e até agora a ocupação israelense não lidou seriamente com o problema do vírus. Eles não tomaram nenhuma medida, limites, ou procedimentos para proteger os prisioneiros do vírus. ”

Tanto a Autoridade Palestina quanto várias organizações políticas e sociais da região estão pedindo a libertação de indivíduos com mais de 50 anos, de crianças e de mulheres. Até agora, as autoridades israelenses não responderam a essa demanda. Em uma demonstração de solidariedade internacional, vários países do Oriente Médio, Europa e setores da juventude judaica nos Estados Unidos iniciaram uma campanha para libertar prisioneiros palestinos.

No domingo passado, Ahmad enviou outro vídeo à rede La Izquierda Diario, denunciando a morte, que poderia ser evitável, de um prisioneiro. Na quarta-feira, 22 de abril, um jovem prisioneiro palestino, de apenas 23 anos, Noor Jaber Barghoutti, morreu enquanto cumpria uma sentença de 8 anos por jogar uma pedra em um membro do exército israelense. Noor estava mostrando sintomas de infecção por covid-19, mas os guardas da prisão se recusaram a ajudá-lo. "Noor estava inconsciente, os prisioneiros palestinos imediatamente notificaram as autoridades prisionais de Israel para levá-lo a um hospital, mas os israelenses levaram meia hora para fazer qualquer coisa."

A família de Noor e seus companheiros de prisão estão alegando negligência médica israelense. Mesmo uma pandemia não impedirá Israel de seu projeto imperialista de conquistar a Palestina e oprimir os palestinos para obter lucro!




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