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FURACÃO MATHEW

Estados Unidos suspenderiam temporariamente as deportações de haitianos

quinta-feira 13 de outubro| Edição do dia

Tiburón, Haiti. Pessoas afetadas esperam nas margens sobre as ruínas de seu povoado. EFE/ Bahare Khodabande

O secretário de segurança dos Estados Unidos, Jeh Johnson, disse nesta terça que depois da devastação causada pelo furacão Matthew, que deixou cerca de milhares de mortos, Washington suspenderá temporariamente os vôos para deportar centenas de haitianos que buscam asilo no país.

No fim do mês passado, os Estados Unidos anunciaram que poriam fim à proteção especial que tinham os haitianos desde 2010, depois do terremoto que atingiu o país mais pobre da América.

“Dissemos que reiniciaríamos as deportações. Sem embargo, o furacão Matthew chegou, atingiu e destruiu e isso significa que os vôos ao Haiti foram suspensos devidas as condições neste país tão atingido”, disse Jhonson durante uma conferência de imprensa no México.

Jhonson esclareceu, não obstante, que regressariam com a política de deportações “depois desta situação”, sem esclarecer uma data específica.

A anormal onda migratória tem levado a concentração de centenas de africanos e haitianos na fronteira norte do México à espera que o governo dos EUA lhes diga se serão acolhidos em seu país, o que pode demorar até um mês.

Muitos deles tem viajado sozinhos ou com suas famílias por até quatro meses e atravessado uma dezena de países, onde, inclusive, tem sido assaltados e extorquidos, como aconteceu na Nicarágua onde tiveram que pagar até 1.300 dólares para cruzar a fronteira e seguir seu caminho.

Oportunismo imperialista

Esta medida tomada por Estados Unidos se soma ao anúncio realizado na quinta passada pela União Européia (EU) da destinação de 255.000 euros em “ajuda humanitária inicial” para o Haiti e a mobilização das ofertas de assistência de países europeus através dos mecanismos de proteção civil da EU.

A população haitiana suporta o índice de pobreza mais elevado do continente e suas condições de vida são as piores da região, e esta realidade não é uma novidade trazida pelo furacão Matthew. Muito pelo contrário, é produto de séculos da mais impiedosa exploração de recursos por parte das potências européias e norte americana.

A enorme quantidade de tropas destinadas para a ocupação promovida por Estados Unidos, aprovada pela ONU e exercida por tropas de países latino americanos, as Minustah, garantiriam a “estabilidade” do Haiti, suprimindo a expressão de ação independente das massas para viabilizar pela força o regime.


Jeremie, Haiti, 11 de outubro – um integrante dos capacetes azuis de Ruanda vigia o aeródromo onde chega a ajuda humanitária para as vítimas do furacão Matthew. EFE/Orlando Barría.


Jeremie, Haiti, 11 de outubro – integrantes da Polícia Nacional Haitiana (PNH) detém a um jovem que participava de um bloqueio de rua em protesto por falta de água e comida, depois da passagem do furacão Matthew. EFE/Orlando Barría.

A suspensão da deportação de haitianos é uma medida mínima e de grande oportunismo por parte do imperialismo, no marco de uma política migratória verdadeiramente cruel que impulsionou a imigração pela mão de obra barata necessária a um período de crescimento do país para depois descartar brutalmente aos trabalhadores imigrantes que passam por situações desumanas na fronteira.

Tradução: Zuca Falcão




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