Internacional

SUPLEMENTO DA FT-QI

Estados Unidos: Left Voice

quinta-feira 16 de maio| Edição do dia

Há três anos desde as eleições presidenciais que deram no triunfo inesperado de Donald Trump, os Estados Unidos seguem marcados pela polarização. As eleições de meio mandato do ano passado foram a viva expressão disso. Por um lado, ainda que Trump tenha sido derrotado, contou com o apoio do setor social que o fez ganhar a presidência, baseado em uma retórica xenófoba contra os imigrantes, sua intenção de construir um muro na fronteira com o México e mais recentemente suas ameaças e alertas contra o “socialismo”.

Por um lado, os capitalistas ligados ao Partido Republicano não abandonaram seu apoio porque, apesar de ser um fator de instabilidade, a economia anda bem e os capitalistas seguem ganhando como sempre. Por outro, mulheres do Partido Democrata, latinas, muçulmanas e negras autodenominadas socialistas, como Alexandria Ocasio-Cortez e Ilhan Omar ganharam cargos no Congresso, gerando grandes ilusões de mudança entre a juventude e as comunidades oprimidas. Entre setores muito amplos das massas, sobretudo entre a juventude, existe um extenso sentimento de simpatia pelo “socialismo” que, para essa geração, implica mudar os aspectos mais escandalosos da desigualdade social nos Estados Unidos: a riqueza ostensiva dos super ricos, a proliferação do trabalho precário, o racismo contra as comunidades negras, o sistema privado de segurança social e educacional, que mantém jovens e trabalhadores endividados por anos. Bernie Sanders, o político reformista de Vermont que disputará as próximas eleições primarias para ser o novo candidato do Partido Democrata à presidência, é o representante deste novo sentimento.

Nesse contexto, o crescimento vertiginoso do DSA (Democratic Socialists of America) desde 2016, composto por 50 mil membros, é o fenômeno político mais dinâmico na esquerda. Depois que, em 2016, o establishment Democrata cometeu uma fraude contra Bernie Sanders nas primárias e esse reconheceu Hillary Clinton como candidata, milhares de jovens migraram para as fileiras do DSA. Nesses três anos, uma nova militância surgiu na base desse partido, nutrido de jovens que se mobilizam pela abolição da polícia migratória, pelos direitos dos migrantes, contra o muro de Trump, pelo triunfo das greves de trabalhadores, pelos direitos das mulheres e pelo direito à saúde para todos nos Estados Unidos. A política da direção do DSA é levar toda esta energia e simpatia renovada pelas ideias socialistas atrás da candidatura de Bernie Sanders, dentro do Partido Democrata, que é um partido imperialista e que mais de uma vez na história cooptou movimentos sociais e organizações operárias para evitar que as massas desafiassem o regime bipartidário norte-americano. O mesmo Bernie Sanders que apoiou recentemente a manobra de “ajuda humanitária” de Trump na Venezuela, que era a forma de mascarar a fracassada tentativa golpista.

No Left Voice, publicação digital e impressa em inglês da FT, acreditamos que a juventude organizada no DSA, as e os trabalhadores que hoje saem à luta, não podemos depositar nossa confiança nos candidatos do Partido Democrata, e que existe hoje um espaço para que as ideias revolucionárias floresçam na superpotência. O questionamento ao capitalismo entre setores de massas nos Estados Unidos, pela primeira vez há décadas, permite a nós revolucionários explicar que nossa luta é para acabar pela raiz com esse sistema de exploração, com a opressão imperialista, o racismo e o desastre climático ao qual os capitalistas estão nos arrastando. Que temos que lutar contra o inimigo no coração da superpotência com uma política anti-imperialista, porque é os Estados Unidos quem oprime nossos povos irmãos na América Latina, Ásia e África. Que temos que transformar a luta contra a exploração e a opressão em uma só luta contra o sistema de conjunto. 

Há condições históricas para levar adiante esta tarefa e, por isso, estamos pondo nossa energia para que o Left Voice se converta na vitrine de nossa corrente a nível internacional e em uma voz marxista revolucionária, que seja uma alternativa para esses jovens e esses trabalhadores, que nos próximos anos compreendam que não há saída reformista para a crise capitalista de conjunto. Recentemente, em Nova York, apresentamos nosso quarto número da revista impressa Left Voice, em uma sala tomada por uma centena de jovens do DSA, trabalhadores, enfermeiras, integrantes da comunidade LGBT, professores e estudantes. Queremos que nosso diário digital e nossa revista cumpram um papel na tarefa de que as ideias do marxismo revolucionários ressurjam nos Estados Unidos e sejam um fator que ajude a radicalizar ideológica e politicamente um setor dessa geração que desperta para a vida política.




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