Sociedade

EXTREMA-DIREITA

Estado é responsável pelo vazamento de dados de menina de 10 anos que foi estuprada no ES

Dados de menina de 10 anos estuprada deveriam ser sigilosos, mas Sara Winter divulgou no dia de ontem(16) nas redes sociais e em grupos de apoiadores. Essas informações vieram do estado, de outra forma, como Sara Winter, que já foi funcionária de Damares Alves, saberia?

terça-feira 18 de agosto| Edição do dia

Foto: Agência Brasil

A fascista Sara Winter, que foi parte do governo Bolsonaro a convite de Damares, expôs nas redes sociais o nome da criança que foi estuprada pelo tio durante 4 anos e a localização do hospital no qual seria realizado o aborto. Informações que são sigilosas e somente o Estado tem acesso. Os grupos conservadores reacionários que foram até o hospital afirmaram ter contato com a Ministra Damares. É evidente que foi o estado que vazou essas informações, que não poderia ter sido vindo a público de outra forma.

A repercussão do caso começou com uma campanha, pressionando nas redes sociais a que a gravidez fosse levada adiante. Depois disso, o caso foi levado à justiça pela prefeitura da cidade sem necessidade alguma, haja vista que a (já insuficiente) legislação prevê o aborto sem necessidade de BO ou autorização judicial.

O Tribunal de Justiça do ES autorizou o aborto e mesmo assim o Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (HUCAM), em Vitória, absurdamente se negou a realizar o direito mínimo da criança. O mesmo estado que nega a uma criança estuprada, um direito garantido, é o que depois tenta impedir a operação, vazando informações para grupos de extrema-direita.

Após o hospital de HUCAM de Vitória (ES) se negar a realizar o procedimento neste domingo, a menina foi levada para outro estado pela Secretaria de Saúde do Espírito Santo. O novo local tinha sido mantido em sigilo, porém, Sara Winter junto a outros grupos ligados a Ministra Damares descobriram e divulgaram a notícia em suas redes sociais.

É necessário exigir do Estado, uma investigação de forma independente com total apoio material estatal, indo atrás de como os reacionários bolsonaristas tiveram acesso aos dados sigilosos. Não podemos ter ilusão de que sem uma investigação independente que trabalhe em paralelo e controle todo o processo, será possível chegar a alguma verdade. Se o Estado é responsável por vigiar, controlar e punir o corpo das mulheres, vai também ser o mesmo Estado o maior interessado na impunidade.

Além disso, os grupos de extrema-direita foram também à casa dos familiares, acompanhados de um pré-candidato a vereador pelo PSL, para pressionar para que a gravidez da menina de 10 anos fosse mantida. De acordo com o Jornal A Tribuna, um vídeo mostra os bolsonaristas afirmando o contato com a ministra Damares:

“Eu conversei ontem com a assessora da min. Damares, só para você saber o nível de informação que eu tenho. Olha onde chegou, à min.Damares! Então a gente quer que a senhora use a voz que a senhora tem para defender esse bisneto”

Não bastasse toda a dor e a violência sofrida pela criança durante os 4 anos, é preciso ainda lidar com esses grupos fascistas que, em conluio com o Estado (quem mais poderia divulgar as informações?), querem manter a imposição sobre o corpo da mulher e, pior, de uma criança!

No Brasil, o aborto não só é questão de saúde pública, como também de gênero, raça e classe, afinal, a cada 4 mulheres mortas por abortos clandestinos, 3 são negras. E não é de hoje que o corpo da mulher é submetido ao controle do Estado capitalista.

Gravidez aos 10 anos mata, o sistema opressor garante a opressão às mulheres, e não é novidade que o Estado é responsável pela morte diária de várias mulheres com a criminalização do aborto. Por isso se faz fundamental e bastante urgente lutar pelo direito ao aborto legal, seguro e 100% gratuito.




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