Gênero e sexualidade

PROTESTOS NA ESPANHA

Estado Espanhol: protestos massivos de mulheres contra o pacto de direita na Andaluzia

Milhares de pessoas, em sua maioria mulheres e LGBTI de todas as idades, se mobilizaram nesta segunda-feira nas principais cidades do estado espanhol.

quarta-feira 16 de janeiro| Edição do dia

O protesto foi contra o pacto do Governo na Andaluzia entre os partidos PP, Cs e Vox.

Há uma semana, o partido de extrema direita liderado por Santiago Abascal anunciou o acordo com o Partido Popular para governar Andaluzia. No momento, os alarmes do movimento de mulheres, do movimento LGBTI, do movimento antirracista e das organizações que lutam pelos direitos dos imigrantes, trabalhadoras e trabalhadores começam a soar.

Como parte dessa onda de repúdio contra o pacto da direita, ocorreram nesta segunda centenas de concentrações por todo o estado organizadas por numerosos coletivos de mulheres e feministas.

A primeira ação das mulheres em 2019 prevê que este será novamente um ano em que o movimento de mulheres será protagonista.

Em Madrid, a concentração que se iniciou às 19 horas foi tão massiva que fez transbordar de pessoas a Porta do Sol contra o pacto do PP, Cs e Vox e em especial contra as medidas reacionárias que atacam os direitos das mulheres e LGBTI, propostas pelo partido de Abascal.

Milhares e milhares de pessoas gritando palavras de ordem como “PP, Cs e Vox: “españolitos” (partidos contrários à independência do estado da Catalunha), machistas e franquistas”. Os gritos de “No Pasarán” encheram o quilômetro 0 de força e determinação.

A convocatória se converteu em um grande ato de denúncia contra a justiça patriarcal, os ataques machistas e contra a ameaça de ataque aos direitos conquistados. Uma resposta clara e sonora que se fazia sentir pelos gritos de “No Pasarán!”, “Ni una menos!” e “Las calles son nuestras”.

Em Barcelona, a concentração, que começou ao mesmo tempo, também foi enorme, deixando a praça Sant Jaume pequena, com mais de 4.000 pessoas.
No protesto da capital catalã foram erguidos vários cartazes contra partidos de direita e extrema direita e contra o sistema patriarcal a exemplo de "não é um caso isolado, mas sim o patriarcado" ou para defender os direitos das mulheres como "Nenhum passo atrás pelos direitos".

O dia dos protestos começou pela manhã, com as primeiras manifestações nas cidades da Andaluzia. Às 12 horas, milhares de pessoas manifestaram-se em Sevilla, às portas do Parlamento de Andaluzia, na sessão de posse de Juanma Moreno aos gritos de "Ni un paso atrás" e "No negociamos".
Pessoas de outras cidades andaluzas, como Granada e Málaga, também saíram às ruas para protestar contra o pacto do governo e em defesa dos direitos das mulheres.

O mesmo ocorria no período da tarde em dezenas de cidades em todo o estado, como é o caso de Bilbao, Zaragoza, Valencia, Burgos, Valladolid, Palma de Mallorca ou Ibiza, entre muitas outras. Um dia que mais uma vez mobilizou o movimento feminista nas ruas em defesa dos direitos das mulheres e contra o pacto reacionário do governo de Andaluzia.

O programa de medidas reacionárias, racistas, misóginas, LGTBIfóbicas, “españolistas” e repressivas do PP, Cs e Vox propõe expulsar maciçamente os imigrantes, fortalecer a xenofobia institucional, reprimir ainda mais o povo catalão, revogar a Lei Integral sobre Violência de Gênero, proibir o direito ao aborto em qualquer caso, promover a família tradicional e processar as mulheres que fazem queixas sobre a violência de gênero. Um programa “anti-direitos”, patriarcal, racista e capitalista para liquidar conquistas sociais de milhões de pessoas.

Mas frente a essa nova ameaça aos nossos direitos, devemos evitar cair na armadilha de escolher entre o "mal maior" e o "mal menor", como propõe o Podemos. Ao mesmo tempo que o governo "progressista" do PSOE diz defender os direitos das mulheres, age mantendo acordos com a Igreja, financiando-a com dinheiro público, ao invés de investir fundos para um plano profundo contra a os ataques machistas ou para implementar a educação sexual abrangente na educação pública. É o governo que defende o banco, enquanto milhares de mulheres ainda são despejadas de suas casas porque não podem pagar o aluguel.




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