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Estado Espanhol: PSOE e Unidas Podemos não alcançam um acordo e se bloqueia a formação de governo

O PSOE e a Unidas Podemos (UP) não chegaram a um acordo para a formação de governo a partir da presidência do PSOE na reunião realizada na terça-feira (9). Os partidários de Pedro Sánchez (PSOE) seguem oferecendo um governo de “cooperação” enquanto Iglesias (UP) mantém sua aposta para fazer parte do governo.

terça-feira 16 de julho| Edição do dia

O caminho de Pedro Sánchez à presidência está se transformando em um trajeto tortuoso. Na última rodada de reuniões que realizou, já sem muito ânimo se percebeu a distância cada vez maior entre o PSOE e seu "parceiro preferencial", Unidas Podemos (UP).

As diferenças entre os partidos se centram particularmente no pedido de Iglesias e os seus de entrar no governo, um extremo a que o PSOE se recusa.

Após a reunião entre os líderes, foi a primeira vez que a UP criticou a atitude do PSOE frente aos meios de comunicação, a qual define como a de “um partido que obteve maioria absoluta”, que “tenta impor” sua agenda e posições sem negociar.

Neste sentido, Iglesias queria defender-se das acusações que vêm de seus parceiros, que criticam que o único leitmovit [motivo] da UP são “as cadeiras no Conselho de Ministros”. O líder da UP assinalou que a proposta programática apresentada por Sanchez é um "recorta e cola" do programa eleitoral, algo que para Iglesias faz ainda mais clara a necessidade que sua formação entre no governo.

Na conferência frente aos meios e segundo fontes da UP, estão dispostos a novas eleições se o PSOE não ceder para formar um governo dos dois partidos.

O penúltimo exemplo da integração da UP ao Regime é que agora todo programa ou estratégia da formação está sujeito a governar conjuntamente com o PSOE, um dos pilares fundamentais do regime monárquico e anti-democrático.

Não obstante, e apesar dos esforços da UP para se adaptar às necessidades do PSOE e do regime de 78 – como se comprometer a não apoiar um referendo na Catalunha ou não mover um só dedo quando for feito púbica a condenação dos presos políticos – desde o PSOE se negam totalmente a formar governo.

Eles mantêm sua vontade de um governo de “cooperação”, concedendo a Iglesias e aos seus um papel “preferencial” durante o mandato. Inclusive como relatado na mídia por Adriana Lastra, porta-voz do PSOE no Congresso, aceitam propostas de “independentes de reconhecido prestígio para ocupar pastas ministeriais”, mas esse é o limite, algo insuficiente para a UP.

O ultimato lançado desde o PSOE é difícil de superar, já que assim como Adriana Lastra comunicou, “não haverá segundas oportunidades” e deixou cair a responsabilidade de novas eleições sobre os ombros da UP, além de afirmar que “Sánchez não voltaria a se apresentar”.

“Seria a segunda vez que Iglesias poderia impedir a Espanha tenha um governo de esquerda”, ameaçou Lastra, sabendo que a pressão pesa mais na UP, que vem de um revés eleitoral e com perspectivas ainda piores, segundo a última pesquisa da Centro de Pesquisas Sociológicas.

De acordo com este barômetro, 20% dos entrevistados optam por um governo de uma única cor e com apoio pontual, enquanto que 16% são a favor da entrada da UP no governo. Além disso, o estudo destaca a perda de até 3 pontos para a formação de Iglesias se se repetissem as eleições.

É verdade que por trás dessa queda de braço esconde-se, em grande parte, a disputa por cargos. Entretanto, não é a única coisa sobre a mesa e que esquenta essas negociações.

Em primeiro lugar, essas negociações representam o enésimo passo da UP para a integração total no Regime de 78, o que faz dele um ator que só se preocupa em desempenhar um papel de estabilidade para o governo e a Coroa e a deixa como uma ferramenta inútil para reverter a situação de crise e precariedade sofrida pelas classes populares.

Iglesias, em sua crítica ao programa apresentado pelo PSOE para negociação, observou que nada foi dito sobre a reforma trabalhista (a última reforma) e não se colocou limites aos aluguéis. Seria possível esperar algo mais deste Partido Socialista, arquiteto deste regime monárquico, antidemocrático e imperialista?

Em segundo lugar, este bloqueio nas negociações da formação de governo tem implicações mais profundas para o regime espanhol. Embora novas eleições em novembro apareçam em um horizonte ainda distante, o certo é que o Regime não seria capaz de fechar sua crise de representatividade, que o levaria a uma hipotética quarta eleição em apenas 4 anos.

Agora estamos testemunhando um jogo de máscaras com um prognóstico de resolução difícil, embora uma nova disputa eleitoral pareça ser o pior cenário para a UP. Mas a verdade é que, independentemente do resultado dessas negociações e da formação de governo, nem a precariedade do trabalho, nem a crise da habitação, nem as políticas imperialistas, nem as políticas racistas, acabarão.




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