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CORONAVÍRUS

Estado Espanhol: Basta de anúncios para a TV, nós estamos morrendo!

O governo espanhol de Pedro Sánchez anunciou uma compra de material sanitário da China por 432 milhões de euros. Falaram de mais de 600 mil testes rápidos que já estariam prontos para serem implementados e de outros 5,5 milhões que chegarão em breve.

quinta-feira 26 de março| Edição do dia

Foto: CEDIDAS

Temos que esperar semanas para receber 550 milhões de máscaras e 950 respiradores. Enquanto isso, o governo anuncia que a Espanha superou a China na quantidade de mortos.

As arrepiantes histórias circulam à velocidade do whatsapp, comovendo a população isolada e assustada em suas casas. Mais de vinte mortos em um lar de idosos, cujos corpos foram empilhados no mesmo local onde os vivos tentavam seguir adiante, por conta do colapso dos cemitérios e crematórios.

Duas mil pessoas sem teto fazendo fila em frente a uma tenda montada apressadamente em um espaço de feiras, onde cabem apenas 200 pessoas; as 65 mil camas de hotel – hoje vazias – que ainda não foram confiscadas na cidade de Barcelona. Idosos e pessoas dependentes que vivem sozinhos e que, por não receber mais atenção em suas casas, morrem sem que ninguém chegue a socorrê-los.

Enquanto isso, o governo segue fazendo anúncios para o futuro, os técnicos de Enfermaria denunciam na Promotoria Geral do Estado a falta de proteção para os trabalhadores sanitários. O Sindicato de Técnicos de Enfermaria (SAE) apresentou essa denúncia para que se investigue se a falta de material de proteção que estão sofrendo pode constituir um delito contra a segurança no trabalho, segundo os artigos 316 e 317 do Código Penal. Não é para menos: nas últimas 24 horas se registraram quase 1500 novos contágios somente entre os trabalhadores sanitários.

Na região da Galícia, os trabalhadores sanitários denunciam em um comunicado dos sindicatos que a desorganização e a carência de Equipes de Proteção Individual (EPI), “tem como consequência que haja trabalhadores que têm um primeiro contato com possíveis doentes atuando sem a devida proteção (auxiliares, pessoal administrativo)”.

A confederação sindical espanhola Comissões Operárias, já denunciou que a equipe do Transporte Sanitário em Castela-La Mancha vêm desenvolvendo seu trabalho em uma situação de risco por não dispor dos EPIs adequados para garantir o cuidado de sua saúde, a dos pacientes que eles transportam e a de suas próprias famílias.
Nas últimas 24 horas se registraram quase 1500 novos contágios somente entre os trabalhadores sanitários.

A Justiça intervém em Madri, dando 24 horas para que o governo entregue material de proteção aos sanitários, em uma região que já registra 2.245 casos e 1.825 mortos em um dia e acumula 1.150 pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

As trabalhadoras de Ajuda Domiciliar de León denunciam a falta de material de proteção e as delegadas renunciam às horas sindicais, censurando a atitude da Prefeitura e da empresa adjudicatária. A representante das trabalhadoras, Sonsoles Fernández, afirmou que disponibilizaram “somente 400 máscaras, para uma equipe de 107 auxiliares de ajuda a domicílio. Além disso, contamos com somente as luvas e o jaleco que utilizamos habitualmente, que vamos levando de um domicílio a outro, com todo o risco que isso tem. Necessitamos jalecos descartáveis, máscaras e óculos anti-respingo que possam prevenir um possível contágio em cadeia”.

Temos que esperar semanas para receber 550 milhões de máscaras e 950 respiradores. Enquanto isso o governo anuncia que a Espanha superou a China na quantidade de mortos.

Em Jerez, as Comissões Operárias denunciaram a “situação de risco” que os trabalhadores do setor da limpeza estão expostos na empresa Clece “diante da inexistência de meios suficientes de Equipes de Proteção Individual Específicos” que protejam do perigo do contágio do coronavírus aos que estão limpando os hospitais, contratados pela empresa do multimilionário Florentino Pérez.

As denúncias se propagam com mais velocidade que o coronavírus. Enquanto o governo do PSOE e Unidas-Podemos segue proclamando compras que chegarão não se sabe quando e grandes quantidades de material disponível que os trabalhadores não recebem. As únicas medidas anunciadas que parecem ser rigorosamente cumpridas são as que podem salvar as grandes empresas. E também a do confinamento em casa, que se estenderá até meados de abril, com a polícia patrulhando as ruas, enquanto deixam que os mortos enterrem a seus mortos.

Texto originalmente publicado em espanhol no La Izquierda Diario Estado Español, integrante da Rede Internacional de Diários La Izquierda Diario.




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