Política

RESPOSTA AO ESTADÃO

Estadão, MEC e Temer: aliados contra a Educação

O golpista Temer e sua corja ministerial querem impor duros ataques aos direitos sociais e tem na grande mídia uma importantíssima aliada contra os trabalhadores, aposentados e nós jovens. Mais uma vez o Estadão em São Paulo advoga a favor dos golpistas.

Tatiane Lima

UNICAMP

terça-feira 18 de outubro| Edição do dia

O último editorial do Estadão, “O MEC e a crise fiscal”, que trata do tema da educação, é mais uma das inúmeras aclamações deste jornal para que sejam aplicadas as reformas e os cortes de gastos sociais o quanto antes, a despeito do fato de que isso reduzirá ainda mais investimentos e programas educacionais e que afetará a vida de milhões de estudantes e trabalhadores da área da educação.

Nada novo no front, o primeiro parágrafo da o tom de todo o editorial: Uma defesa incondicional da agenda de ataques do governo golpista, tentando lhe atribuir uma cara “sensata” e formar uma opinião pública contra os lutadores que ousam não se calar, que saem às ruas e se mobilizam nas escolas e universidades em protesto, como a exemplar onda de ocupações secundarista no Paraná que já alcançou 600 escolas.

Partem primeiro de impor uma ideia de que as restrições orçamentárias estão dadas, de que “são necessárias diante da crise econômica que o país atravessa”. Dizem que então o sensato é cortar gastos dos programas educacionais (e também da saúde, com a famosa PEC 241), reavaliando inclusive a manutenção daqueles programas que considerar "caro" ou "ineficiente" (entenda-se: não produtivista, que não serve ao projeto de educação empresarial que defendem).

Elogiam como uma boa iniciativa o enorme corte de vagas do programa de formação docente Universidade Aberta do Brasil, uma redução de quase 80% do que era previsto para esse ano, reduzindo para um quarto o número de matriculados com relação a 2010. Comemoram também o fim do programa de intercâmbio Ciências Sem Fronteiras para os cursos de graduação, mas lamentam que, ainda que tenha avançado nos cortes, o governo manterá o Pronatec e FIES. Não a toa a metralhadora dos cortes sacrificadores aponta a programas que auxiliam na formação discente ou são via de acesso ao ensino qualificado para a juventude pobre e trabalhadora. Aí já se vê para quem será importante tais medidas. O governo golpista quer destruir nosso futuro, mas o argumento de que é “necessário” porque “os recursos estão escassos” não convence quando vemos denúncias dos privilégios intocados que têm os políticos dessa ordem exploradora e opressora, como seus salários milionários, suas casas luxuosas e o futuro prestigioso que garante aos seus filhos. Nem o Estadão e nem nenhum analista da alta casta intelectual liberal assumem que na balança os gastos públicos estão mais comprometidos com gastos de uma dívida que não é nossa, mas que o governo assegura o pagamento, enquanto a educação e saúde nunca foram prioridade.

No editorial tem ainda uma denúncia ao PT e seu projeto de educação. Apontam os projetos de expansão do ensino superior e técnico nos 13 anos de governo petista, para dizer que foram sem investimentos e sem seriedade. Não podemos defender o indefensável, os governos de Lula e Dilma não foram exemplo algum, mas o que o Estadão não diz é que não o foram justamente por levarem a cabo algo que o governo golpista quer fazer também, mas escancaradamente e com um novo discurso demagógico por trás: se aliar aos grandes empresários. Os governos petistas foram dos banqueiros, empreiteiras e multinacionais, todas as “concessões” sociais foram marcadas por precarização e vulnerabilidade. Instituições de educação privadas chegaram a ser financiadas por até 70% do dinheiro público, reservas de vagas em universidades foram pagas integralmente aos monopólios do ensino, sem permanência estudantil ou mesmo permitindo grandes endividamentos à juventude para conquistar o sonho de um diploma e uma profissão. Para o ensino superior público a mesma lógica, cortes de gastos e falta de infraestrutura elementar. Não atoa os governos petistas encararam longas greves das universidades federais. Mas aqui não podemos nos enganar com a retórica golpista sob o cadáver do PT. A nossa luta contra os ajustes, contra a reforma trabalhista e da previdência que ameaçam nosso futuro, contra a PEC 241, a Reforma do Ensino Médio e contra todos os planos neoliberais desse governo ilegítimo não é uma luta cética. Não queremos recompor o PT e nem aceitar a miséria do possível de um projeto de educação imperialista.

Contra toda a “sensatez” e “eficiência” nos levantamos em cada ato, cada paralisação e ocupação para subverter o velho. Queremos uma educação pública, com recursos conforme a demanda para que tenha de fato qualidade e cumpra seus objetivos pedagógicos, de formação e valorização dos trabalhadores, sem privatização e sem terceirização do trabalho, sem dívidas e sem desvios de verbas públicas aos bolsos dos empresários. Podemos defender os nossos direitos e ir muito além: ligarmos nossa luta aos trabalhadores e todos os setores oprimidos pelo projeto de país golpista e, a partir de nossos métodos de luta, construirmos uma grande mobilização nacional que envolva cada escola e universidade, cada local de trabalho, para derrubá-lo e ditarmos novas regras para o jogo.




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