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CHILE

Está considerada uma grande greve nacional e um plano de luta para acabar com a AFP

Duas grandes mobilizações abalaram o país no último mês: em 24 de Julho, 500 mil pessoas se mobilizaram; e recentemente 21 de Agosto, 1 milhão de pessoas. Para onde avançar?

quinta-feira 25 de agosto| Edição do dia

Um potencial retorno de mobilizações de massas

Desde Arica a Punta Arenas, de norte a sul. Trabalhadores, famílias, aposentados, jovens, mulheres, se mobilizaram contra o sistema imposto na ditadura que há 36 anos entrega pensionistas a fome.

Este questionamento nas ruas é bem mais espontâneo que organizado, e continua desenrolando-se. Escapa a convocatória de organismos sindicais e estudantil, como a CUT e o CONFECH, que seguem sem tomar com força e mantem a passividade das grandes organizações de massas, e na mesma medida que seus dirigentes mantem a confiança e pressão em um parlamento desprestigiado com a corrupção e um governo de reformas que nada muda.

As primeiras convocatórias se expandiram massivamente pelas redes sociais, onde continua o descontentamento e se ampliam as mobilizações. Em suas casas e locais de trabalho é pauta obrigatória de discussão e comentários, é cada vez com maior o rechaço a AFP (Administradoras de Fundos de Pensões) e maior apoio as marchas.

Após o movimento estudantil e as grandes lutas por educação gratuita, estas massivas mobilizações são um segundo grande questionamento a outra “herança” da ditadura militar, consolidada durante 25 anos pelo regime de “transição pactuada”, entre Alianza e Concertación, agora Chile Vamos e Nueva Mayoría.

Se começa a abrir um amplo processo que pode abrir uma nova via de mobilizações de massas, que toca um pilar chave dessa “herança”, impugnada nas ruas, o negócio da AFP, colocando na defensiva seus defensores, que buscam fazer “contraofensiva” para defender o questionado “modelo”, o reformar que nada muda.

O golpe da CEP: Governo e regime em um obscuro labirinto

Após a grande mobilização de 24 de Julho, o criador da AFP – e também do atual anti-sindical Código do Trabalho- José, retornou ao país empreendendo uma “contraofensiva” para defender o modelo de pensões, e assinalou que qualquer “expropriação” seria uma “dinamite” para o sistema. É a mesma campanha da AFP, grandes empresas, políticos capitalistas e seus meios. Foi a primeira resposta a massiva mobilização.

O governo também teve que sair e dar uma resposta para as ruas. Foi a presidente Bachelet, em rede nacional, anunciando uma série de medidas para melhorar as pensões, reformas menores para manter a AFP com pensões “solidarias”. E nesta segunda-feira Bachelet assinalou que não havia trocar “da noite para o dia”, ou seja, nunca.

Mas a mobilização nas ruas a rechaça ambas respostas. E o sistema político, seguem em queda.

A pesquisa CEP ( ligada as grandes famílias como os Matte) tem dado “golpe” na popularidade de todas as instituições, incluindo também Bachelet, o Governo e o Parlamento.

Está se aprofundando a crise e perdendo a hegemonia do velho regime e seus partidos sobre amplos setores sociais, que começam a questionar nas ruas e os pilares do capitalismo chileno. Nem as trocas de gabinete nem os chamados a ordem resolveram as demandas sociais e democráticas das ruas.

Greve nacional e plano de luta para acabar com as AFP

A enorme massividade das mobilizações podem abrir um movimento para acabar com o sistema da AFP. A força da mobilização deve dar passos a um plano de luta e greve nacional que permita organizar ativamente essas centenas de milhares que saíram a manifestar-se, em suas empresas, locais de trabalho, escolas e universidades. Hoje sua massividade é fundamental, mas sua escassa organicidade, pode diluir a classe trabalhadora em “cidadãos” e “indignados”, correndo o risco de perder este “marco” de mobilizações muito importante, mas impotente ao buscar pressionar um regime incapaz de satisfazer as reivindicações sociais.

Ou encorajar saídas de plebiscitos o mecanismo de desvio, em momentos onde há um grande questionamento ao poder politico e espaço para impulsionar a organização de base, mobilizações, plano de luta.

Se amplamente se transforma a espontaneidade em auto-organização, empresas, fabricas e locais de trabalho, em sindicatos e organizações de trabalhadores, coordenações de base e assembleias, se pode colocar de pé um grande movimento de luta dos trabalhadores. Ligado a universidade, escolas, hospitais e população, pode abrir uma grande deliberação, organização e mobilização para derrotar nas ruas esta herança da ditadura, e desenrolar novas lutas no movimento operário e estudantil.

As organizações como a CUT, federações e sindicatos, assim como a CONFECH, devem romper com a passividade, e sua confiança no parlamento corrupto ou “incidência” em reformas maquiadas.

Há de convocar e preparar uma grande greve nacional dos trabalhadores, aposentados, jovens, mulheres, que já se começam a comentar, a possibilidade de fazer em 04 de Novembro, que embora seja muito tempo, se preparado ativamente desde as bases com um plano de luta pode ser um grande ponto de apoio para um ascenso das lutas.

Os sindicatos combativos assim como a coordenação e #NO+AFP, devem exigir as grandes organizações esta greve nacional e um plano de luta ativo desde as bases e convocar ativamente a coordenação com amplos setores.

Um programa anticapitalista

Com isso buscamos impulsionar o Esquerda Diário, em lugares como a zona norte industrial de Santiago em fabricas metalúrgicas, em empresas como os correios e em professores, em fabricas ligadas a empresas de mineração, desde a agrupação Alternativa Obrera, que também combate as eleições da CUT posicionando com uma política independente e dos trabalhadores, combativa e anti-burocrática. Assim por uma unidade do movimento estudantil com trabalhadores e aposentados.

Acabar com a AFP, um grande negócio capitalista no Chile, não virá de reformas no parlamento salpicado de corrupção, e sim da mobilização das massas trabalhadoras, aposentados e jovens, que podem abrir um novo processo de mobilização no país.

Para aumentar as aposentadorias e o salário mínimo conforme a cesta básica, e colocar os recursos em função dos interesses dos trabalhadores e aposentados, há que se terminar com a AFP, expropriando sem compensação os milionários fundos acumulados e avançar a um sistema público e de partilha solidaria administrada pelos trabalhadores, por seus próprios organismos e comitês de aposentados.




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