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"Está chegando a hora de colocar tudo em seu lugar" ameaça Bolsonaro em escalada autoritária

quarta-feira 17 de junho| Edição do dia

Bolsonaro escalou na disputa de autoritarismo que domina a política nacional, defendendo deputados e apoiadores frente ao avanço do Supremo Tribunal Federal no inquérito dos atos antidemocráticos. Após o ministro Alexandre de Moraes quebrar o sigilo de 11 deputados bolsonaristas, à pedido do Procurador Geral da República Augusto Aras, Bolsonaro finalmente declarou publicamente atacando o STF, respondendo aos questionamentos de uma apoiadora em Brasília.

Quando uma apoiadora questionou que haveria 3 amigos presos no inquérito dos atos antidemocráticos que corre no STF, Bolsonaro declarou:

"Estou fazendo exatamente o que tem que ser feito. Eu não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca. Eles estão abusando, isso está a olhos vistos. O ocorrido no dia de ontem, quebrar sigilo de parlamentar, não tem história vista numa democracia por mais frágil que seja. Está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar."

Com isso, Bolsonaro ameaça escalar o autoritarismo, em um discurso ambíguo no qual afirma que está tomando medidas legais contra o inquérito que quebrou o sigilo de 11 deputados bolsonaristas e, ao mesmo tempo, escala no autoritarismo fazendo mais um dos seus discursos que joga lenha na fogueira dos seus apoiadores defensores do fechamento do STF.

Até então Bolsonaro havia apenas se posicionado no Twitter contra a quebra do sigilo dos parlamentares Daniel Silveira (PSL-RJ), Alê Silva (PSL-MG), Aline Sleutjes (PSL-PR), Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Caroline de Toni (PSL-SC), Daniel Silveira (PSL-RJ), General Girão (PSL-RN), Guga Peixoto (PSL-SP), Junio Amaral (PSL-MG) e Otoni de Paula (PSC-RJ).

A disputa de autoritarismos entre Bolsonaro segue em aberto, com governo e judiciário disputando entre quem usa em benefício próprio a Lei de Segurança Nacional, seja o STF contra meia-dúzia de manifestantes protofascistas e agora contra deputados bolsonaristas, seja Bolsonaro utilizando estas leis para censurar críticos ao seu governo, para garantir controle sobre as informações que saem na imprensa, ou ainda contra adversários políticos.

A disputa do autoritarismos se resume a, de um lado Bolsonaro lutando pelos interesses empresariais na pandemia e em defesa de seus próprios interesses, querendo impor liberdade de ação para seus ministros e, de outro, o STF procurando cortar a cabeça da extrema direita bolsonarista, procura disciplinar o governo para que este se mantenha apenas na pauta econômica dos ataques - com protagonismo do judiciário sobre a política. Frente aos dois bandos antidemocráticos, os trabalhadores devem se posicionar de maneira independente, lutando pelo Fora Bolsonaro e Mourão pela força da mobilização, para que sejam depois os trabalhadores e o povo pobre quem possa dar resposta à crise da pandemia, à precarização e o desemprego gerado pelas medidas do governo.




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