Política

EDITORIAL

Esquerda Diário: uma voz anticapitalista

Os desafios do Esquerda Diário frente a uma realidade com oportunidades e perigos para os trabalhadores e para a esquerda anticapitalista. Nosso diário é construído pelo esforço militante de jovens, trabalhadores e nenhum centavo de governos e empresas. Leia sobre os desafios que encaramos e como você pode ajudar a que essas ideias cheguem a muito mais pessoas nas redes, nos locais de trabalho e estudo.

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

terça-feira 17 de outubro| Edição do dia

Foto: Trabalhadores da educação do Rio Grande do Sul em manifestação no dia 29 de setembro

Trump no poder, xenofobia na Europa. Aumento do desemprego, do trabalho precário, retirada de direitos com a reforma trabalhista e, do outro lado, aumento dos lucros capitalistas, da desigualdade. Tivemos um golpe institucional em nosso país, e agora uma tentativa de amordaçar professores e estudantes com “escola sem partido”. A direita consegue avançar mediante a desmoralização dos trabalhadores graças a traição do caminho da greve geral pelas centrais sindicais. Mas nem tudo é pela direita nessa crise que se estende no tempo, há importantes resistências que podem ajudar a superar os entraves das direções dos sindicatos e marcar um contraponto aos capitalistas e à direita. O mais importante ponto de apoio no momento é a greve de todo funcionalismo gaúcho, mas também tivemos os trabalhadores do Correio em greve nacional, e uma persistente raiva da juventude contra o racismo, LGTBfobia, machismo. A necessidade de uma forte voz anticapitalista é cada vez maior, é essa tarefa que o Esquerda Diário se coloca.

Oferecemos uma visão de esquerda sobre cada acontecimento da política, da economia, da situação internacional, do cotidiano, da cultura, formamos a rede internacional de diários Esquerda Diário, presente em 11 países e 5 idiomas, chegamos, só no Brasil, a uma média de 26 mil leitores por dia, o que significa que mensalmente 800 mil pessoas informam-se e formam sua opinião com a ajuda do nosso portal que publica diariamente uma média de 25 artigos, quase 200mil leitores recorrentes leem diversas vezes o diário procurando se informar e usar o Esquerda Diário para combater a direita e o capitalismo.

Nosso portal construído diariamente com o esforço militante de jovens, estudantes e trabalhadores tem como seus colunistas além de uma geração de jovens intelectuais marxistas, de trabalhadores de diferentes cidades e locais de trabalho do país, algumas porta-vozes. Todas elas mulheres que são referências em suas regiões e crescentemente em setor da esquerda do país, como a Professora Maíra Machado do ABC Paulista, Carolina Cacau, estudante da UERJ e professora do Estado do Rio de Janeiro e Diana Assunção, diretora de base do Sindicato dos Trabalhadores da USP e referência nacional nos debates sobre marxismo e feminismo.

Enquanto dia a dia aumenta o roubo do país pelo capital imperialista com toda a ajuda da mídia, da Lava Jato e da maioria do Congresso, também cresce a crise de representatividade e importantes apostas da elite, como Doria vão se desgastando, em um regime cada vez mais fragmentado e com dificuldade de construir uma nova hegemonia. É nesse quadro que a cúpula do Exército quer se colocar como um ator político, mostrando para elite que podem ser uma alternativa de poder se não houver solução a uma crise política que se mostra como um momento inicial de crise do Estado, e enquanto isso vão ganhando espaço como um agente político para fortalecer o Escola Sem Partido e outros interesses reacionários.

O PT abriu caminho a essa direita, primeiro ajudando-a em 13 anos no poder, depois pouco resistindo ao golpe e agora deixando passar ataques sem luta enquanto prepara um projeto eleitoral que repete farsescamente a tragédia de ontem, com Renan, com Eunício e toda alta estirpe da oligarquia e do golpe, como argumentado em artigo recente do editor do Esquerda Diário, André Augusto. Uma voz e uma força anticapitalista pode ajudar a dar corpo para a resistência a esses ataques. A mídia burguesa, mas também a mídia petista, ocultam a luta dos trabalhadores gaúchos e dos correios, mal mostraram a raiva dos LGBT contra a “cura gay”. Precisamos do oposto. Uma forte voz que faça ecoar e aumentar a voz de cada resistência e a ajude a encontrar um programa superador, de enfrentamento com o capitalismo e toda a podre democracia dos ricos de nosso país. Não fazer isso é permitir que Doria, Bolsonaro, o Judiciário ou até mesmo os Generais se ofereçam como resposta “contra o sistema” que é também deles e para eles.

A direita ganhou força na internet e agora procura amedrontar até mesmo nos museus. É preciso o exato oposto. Uma força que use o mais moderno da tecnologia a serviço de ganhar força em milhares de fábricas e locais de trabalho e estudo.

Uma batalha importantíssima que os trabalhadores têm diante de si e à qual o Esquerda Diário dedica seus esforços é a reforma trabalhista que entrará em vigor em poucos dias. Parte da agenda do golpe, ela só foi possível diante do boicote das direções das grandes centrais sindicais como a Força Sindical, mas também CUT e CTB, que, traindo os trabalhadores, como na recente greve dos Correios, desorganizaram a nossa luta, como desenvolve um dos colunistas do diário, o metroviário Felipe Guarnieri. Podemos nos apoiar no exemplo do Rio Grande do Sul para se enfrentar com Temer e os governos estaduais e colocar os trabalhadores em cena para recuperar os sindicatos para a luta de classes, um objetivo que o MRT e o Esquerda Diário se colocam em cada luta.

Para contribuir na politização que persiste e no avanço da organização e objetivos que se colocam as novas gerações que buscam ideias, nos dedicamos a editar a revista Ideias de Esquerda para junto a renomados intelectuais do Brasil e do mundo trazer opiniões anticapitalistas e revolucionárias para entender e transformar radicalmente a realidade. Nos dedicamos a afinar “as armas da crítica” mas também conforme o possível ajudar a que virem força material, nas ruas.

O Esquerda Diário busca ajudar a que as experiências de frações revolucionárias de professores, metroviários, trabalhadores da USP, da juventude que se alia aos trabalhadores exponham suas opiniões de organização e luta ajudando outros lugares a se organizar, a fazer denúncias. Ajudar que uma experiência do outro lado do mundo ajude a tirar lições aqui. Que uma denúncia de uma fábrica, de um call center ecoe na fábrica do lado e vá formando uma corrente de opinião na internet, nos locais de trabalho e estudo e nas ruas.

Essa missão do Esquerda Diário é a forma que o Movimento Revolucionário de Trabalhadores que o impulsiona como um “organizador coletivo” que multiplique a voz anticapitalista de cada local de trabalho e estudo onde chegamos e a propague em nosso imenso país e pelo mundo.

Queremos sua ajuda para que essa voz anticapitalista se fortaleça, se multiplique nas redes, nos locais de trabalho e estudo.

Queremos contribuir para a luta que a esquerda independente do PT se fortaleça. Dedicamos esforços para combater a reforma política que procura calar os trabalhadores e a esquerda, publicando posicionamentos da esquerda e entre eles de parlamentares do PSOL nesse e outros temas necessários para o avanço de posições anticapitalistas.

Não nos contentamos em fazer propaganda e agitação nos poucos segundos e em poucos dias de eleições que a burguesia nos dá de dois em anos. Não nos contentamos com os escassos e interessados espaços que ocasionalmente a mídia burguesa pode dar a nossas vozes e nossas lutas. Queremos cotidiana e permanentemente construir uma fração anticapitalista e revolucionária no movimento operário, na juventude e em cada movimento contra as opressões a isso dedicamos o esforço militante, sem propagandas e patrocínios de governos ou capitalistas, para buscar alcançar milhões e ganhar mais forças nos locais de trabalho e estudo para essas ideias.

É preciso ir na contramão do sentido comum de uma parte da esquerda brasileira e internacional. Céticos da classe trabalhadora e de si mesmos esperam ou procuram atalhos oportunistas, detrás de conciliadores, reformistas e até mesmo daqueles que se dizem nem de “esquerda nem de direita”, como o Podemos Espanhol que se nega a ajudar o povo catalão a conquistar seu direito à autodeterminação, favorecendo a pressão da reacionária e sanguinária coroa espanhola.

É para aumentar essa voz que queremos sua ajuda. Lendo, difundindo, enviando ideias e opiniões, contribuindo financeiramente para o Esquerda Diário, mas mais que isso, debatendo conosco como formar uma forte voz anticapitalista.

Para nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, o Esquerda Diário é uma maneira de tentar usar novas tecnologias para tentar traduzir para o século XXI o leninismo. Não há espaço vazio na consciência. Esse período dinâmico, cheio de desafios, oportunidade e perigos, pode ressuscitar velhos reformismos ou abrir caminho para ideias verdadeiramente revolucionárias. Assim, vamos nos preparando para sentar bases do que também tem que ser o leninismo no século XXI: a construção de um partido revolucionário de trabalhadores, usando o mais moderno do nosso tempo.




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