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Espanha: "testagem em massa é estratégia mais efetiva do que confinamento e militarização"

Pedro Sánchez optou pelo isolamento da população e a militarização das ruas, e não os testes massivos que são anunciados agora. Países como a Coreia do Sul optaram por testes em massa. Neste artigo são apresentados dados que mostram que esta última estratégia é a mais efetiva.

domingo 22 de março| Edição do dia

Há uma semana, Pedro Sánchez anunciou um conjunto de medidas tomadas pelo governo para combater a crise do coronavírus, entre as quais se destacam o confinamento que deve ser levado adiante por pelo menos um mês, de acordo com as últimas notícias de hoje (22).

Além disso, com a militarização das ruas, e uma injeção de 200 bilhões de euros por parte do Estado anunciada na terça-feira. O conjunto das medidas não incluia a testagem massiva, que como analisaremos ao longo deste artigo, é o método que deu melhores resultados. Após uma semana do começo deste plano, agora o governo anuncia a compra de 64 mil testes rápidos, a encomenda de mais 6 milhões e a aquisição de três robôs que conseguem processar 80.000 amostras por dia.

Para além da utilidade da manutenção de estatísticas adequadas sobre o avanço da doença, os testes massivos permitem utilizar de maneira mais eficiente os recursos, o equipamento hospitalar e o tempo dos trabalhadores da saúde, assim como indicava o epidemólogo da Universidade de Yale, Gregg Gonsalves, em uma entrevista ao portal fivethirtyeight. A testagem massiva faz com que as medidas de distanciamento social sejam mais efetivas. Em vez de uma quarentena indiscriminada, que acaba tendo “filtrações” em todos os lugares, permite localizar os lugares onde se apresenta um surto epidêmico e consequentemente atuar.

A razão pela qual a Coreia do Sul é tomada como exemplo para enfrentar a pandemia está justamente em que, combinada com a quarentena, implementou testagem para toda a população com sintomas. Em referência ao êxito do país asiático, Eric Feigl-Ding, membro principal da Federação de Cientistas Estadounidenses em Washington D.C. e epidemólogo da Escola de Saúde Pública Chan de Harvard,, colocou que “É muito melhor testar e então colocar em quarentena pessoas específicas que fazer um trancamento de toda a cidade ou estado, o que de certa maneira evita que o vírus saia do estado, mas na realidade não faz com que o estado seja menos propenso a ter altas taxas de infecção”.

O povoado de Vó, próximo a Veneza, na Itália, também está sendo observado de perto por especialistas de todo o mundo. Segundo o Financial Times, através de testes e a reavaliação de seus 3.300 habitantes “independentemente de se apresentavam sintomas, e a quarentena rigorosa de seus contatos uma vez que se confirmou a infecção, as autoridades de saúde puderam deter por completo a propagação da doença ali.” A primeira rodada de testagem massiva demonstrou 3%; e a segunda, logo após isolar os infectados, 0,3%, que por sua vez foram isolados. A respeito disso, Andrea Crisanti, uma infectóloga do Imperial College de Londres que participa na intervenção da crise italiana, declarou neste jornal: “Conseguimos conter o surto aqui porque identificamos e eliminamos a infecções “submersas” (assintomáticas) e as isolamos”, “é isso que faz a diferença”.

O terceiro caso que comprova até agora é a Alemanha, com uma taxa de mortalidade baixíssima até o momento, de 0,18%. São 19.000 casos confirmados e somente 68 mortos.

Também neste caso os testes massivos são chave junto a outras medidas: “Reconhecemos rapidamente a doença no país, estamos adiantados em termos de diagnóstico, de detecção”, sinalizou Christian Drosten, diretos do Instituto de virologia no hospital da Caridade de Berlin.

Um recurso fundamental, tanto na Coreia do Sul, na localidade veneziana da Itália ou na Alemanha onde conseguiram conter a pandemia, a testagem é massiva. A própria OMS, inclusive, o recomenda fortemente: “Temos uma mensagem simples para todos os países: testem, testem, testem” disse o diretor geral da OMS, Adhanom Ghebreyesus (também conhecido como Dr. Tedros) em uma conferência de imprensa em Genebra no dia 16 de Março. Testar não apenas os casos com insuficiências respiratórias graves (ou seja, todos os sintomas ou aqueles que se identifiquem como possíveis portadores por rota epidemiológica) mas todas as pessoas que possuam algum tipo de sintoma.

No seguinte gráfico se mostram a quantidade total de testes feitos em diferentes países, sendo o Estado Espanhol o que menos os realizou.

Situação no Estado Espanhol

No Estado Espanhol, o coronavírus está em fase de crescimento exponencial. Os casos passara de 2 para 100 em uma semana; na seguinte, de 100 para 1.000, e de 1.000 para 4.000 em quatro dias.

A estratégia do governo se centrou exclusivamente em evitar o colapso sanitário de um sistema que foi saqueado durante os cortes sociais de Zapatero e Rajoy e em garantir os interesses das grandes fortunas.

Foi priorizado que o teste do coronavírus fosse realizado apenas naquelas pessoas que se apresentassem sintomas graves.

Segundo um artigo publicado pelo EDeconomía Digital, das 17.500 análises realizadas na Espanha até o dia 10 de março, a taxa era de 375 testes a cada 1 milhão de habitantes. Enquanto que na Coreia do Sul, existiam quase 190.000 amostras até o dia 8 de março, com um taxa de quase 3.700 testes a cada milhão de habitantes, quase dez vezes mais que no Estado Espanhol.

Nos seguintes gráficos é comparada a quantidade de contágios registrado e a quantidade de mortos no Estado Espanhol com outros países, que deixa evidente que a estratégia de testagem em massa é a estratégia mais efetiva.

Gráfico com o total de infectados desde o começo do surto. Fonte: El País

Mas assim como em vários países, o governo de Pedro Sánchez havia optado pela estratégia de confinamento e militarização. Mas agora, com um número de mortos superior a 1.300, informou a aquisição de 649.000 testes rápidos e uma operação que está fechando o Ministério da Saúde para a importação de 6 milhões de testes a mais de outros países.

Artigo publicado originalmente em espanhol no Izquierda Diario Estado Español, diário integrante da Rede Internacional de Diários La Izquierda Diario




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