Gênero e sexualidade

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Espanha: massivo repúdio ao julgamento machista no caso de “La Manada”

sexta-feira 27 de abril| Edição do dia

As ruas das principais cidades do Estado Espanhol foram invadidas por mulheres que rechaçavam a sentença por abuso sexual, e não por estupro, de cinco homens, conhecidos como “la manada” que agrediram em grupo uma jovem durante os Sanfermines (festa típica espanhola) de 2016.

Milhares de mulheres e homens seguravam cartazes e denunciavam “Acabaram de nos condenar todas”, “Aconteça o que acontecer, juntas, diferentes; unidas sempre” ou “Você não está sozinha, tem a sua verdadeira manada com você” durante as inumeráveis concentrações da tarde desta quinta-feira.

Com o grito de “Não é abuso, é estupro”, além de centenas de mensagens nas redes sociais com as tags #EstaEsNuestraManada, #YoSiTeCreo, #JusticiaPatriarcal ou #NoEsNo, o rechaço se estendeu assim que se tornou pública a escandalosa resolução dos juízes.

A sentença feita pública nesta quinta-feira contou com o voto contrário de um dos juízes, Ricardo González, que advogou pela absolvição dos membros da “La Manada”. Em um extenso texto o juiz relatou os motivos da sua diferença que são realmente repudiáveis.

Sobre a vítima, o juiz firmou que “De maior relevância parece o fato de que, em nenhuma das imagens se pode perceber em sua expressão, nem em seus movimentos, manifestação de alguma oposição, rechaço, desgosto, nojo, repulsa, negação, incômodo, sofrimento, dor, medo, descontentamento, desconcerto ou qualquer outro sentimento similar”.

O juiz logo destaca que “a expressão em seu rosto é em todo momento relaxada e tranquila e, precisamente por isso, incompatível para meu juízo com qualquer sentimento de medo, temor, rechaço ou negativa”. Tampouco observa nela “ausência ou torpor de suas capacidades cognitivas [...] pelo contrário, o que me sugerem seus gestos, expressões e sons que emite é excitação sexual”, para terminar de justificar sua sentença misógina.

Os condenados são cinco homens de Sevilla, entre eles um militar e um guarda civil, que estão em prisão provisório após os ocorridos.

Na sentença do caso “La Manada” não aconteceu um problema com a justiça, não é um erro. É a justiça patriarcal e burguesa, que absorve estupradores, militantes neonazistas, políticos capitalistas corruptos e membros da casa real como Urdangarin, enquanto condena twitteros que criticam a monarquia, acusa de terrorismo os jovens de Altsasu, aprisiona e persegue os indepedentistas catalães ou leva à tribular as piqueteiras do 8M em Burgos.

Não é um caso isolado, é todo o sistema, como expressam muitas mulheres que saíram às ruas.




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