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Espanha: extrema direita quer atacar os direitos das mulheres

Com um discurso abertamente xenófobo, misógino e reacionário o partido da extrema direita espanhola, Vox, defende a revogação da lei “local” contra a violência de gênero na Andaluzia, sul da Espanha.

quinta-feira 6 de dezembro| Edição do dia

As eleições na Andaluzia foram marcadas pelo crescimento da extrema direita. O partido Vox, liderado por Santiago Abascal, elegeu 12 deputados na Câmara. Pela primeira vez em 36 anos que o PSOE perdeu a maioria na Câmara da Andaluzia.

As propostas reacionárias do Vox ficam explícitas em seu programa. Defendem, dentre tantas arbitrariedades, ataques de conjunto à classe trabalhadora por meio da normatização da precarização das relações de trabalho, a revogação da lei da memória histórica e uma política nacionalista que prevê a expulsão dos imigrantes e o fechamento das fronteiras.

Santiago Abascal é apoiado pela casta judicial e pelas forças de segurança e do Exército Espanhol. Ademais do próprio apoio e alinhamento ideológico com a extrema direita europeia. Marine Le Pen, por exemplo, cumprimentou nas redes sociais (Twitter) o Vox: “Minhas sinceras felicitações aos nossos amigos do Vox, que nessa noite obtiveram um resultado muito significativo para um movimento jovem e dinâmico”.

No que remete à questão da mulher e aos LGBTs, o Vox defende explicitamente a revogação da lei contra a violência de gênero, da lei que garante o direito ao aborto e o casamento igualitário (o partido quer suprimir da saúde pública o aborto e as intervenções cirúrgicas de alteração de sexo), a rejeição das listas eleitorais paritárias entre homens e mulheres e a proposta de abolição dos “órgãos feministas radicais subvencionados”.

É importante ressaltar que o avanço da extrema direita no sul da Espanha tem encontrado resistência em todas as capitais da Andaluzia. Manifestações em que se canta "No pasarán" e "Fuera fascistas de la universidad", como a que terminou por ocupar a reitoria da Universidade de Sevilla. Conforme destaca a CRT, Corriente Revolucionaria de Trabajadores y Trabajadoras – grupo irmão do MRT no estado Espanhol – a emergência do Vox expressa a radicalização de um setor da direita que busca levar ao fim sem mediações uma solução reacionária e centralizadora à crise do regime de 78.

A CRT denuncia veementemente o avanço reacionário do PP, Cs e Vox. Mas, ao mesmo tempo, mantém uma posição independente do governo do PSOE, pilar do regime atual, e seu principal apoio parlamentar, Unidos Podemos, à procura de um novo "pacto" por cima como o de 78.

Não será pela via eleitoral que a extrema direita espanhola será derrotada. Mas sim por meio da luta de classes. Nesse sentido, é necessário impulsionar a auto-organização nos locais de trabalho e de estudo com uma perspectiva anticapitalista e, portanto, contrária a qualquer desvio e capitulação dos setores neo-reformistas e das burocracias sindicais.

Foto: www.canalsur.es




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