Sociedade

PUTREFAÇÃO CAPITALISTA

Escravidão: 45,8 Mi de pessoas hoje seguem escravas

Abolida a cerca de 100 anos, a escravidão segue forte dentro do capitalismo moderno, como maneira de garantir os lucros dos donos das fábricas espalhadas pelo mundo.

terça-feira 31 de maio de 2016| Edição do dia

Hoje no mundo cerca de 46 milhões de pessoas estão sujeitas a alguma forma de escravidão moderna, segundo estimativas da Fundação Walk Free, através do relatório Índice de Escravidão Global 2016, o que registra um aumento de 29% da última pesquisa, realizada em 2014, para esta. Escravidão moderna é uma expressão utilizada para aquelas relações de trabalho nas quais, especialmente mulheres e crianças, são forçadas a exercer uma atividade contra sua vontade, sob a ameaça de indigência ou pobreza extrema, detenção, violência, dívidas fraudulentas e inclusive morte, retirando a sua liberdade individual com a intenção de explorá-la.

Muitas dessas formas de trabalho podem ser acobertadas pela expressão trabalhos forçados, embora quase sempre impliquem o uso de violência. A maior parte das pessoas vítimas da escravidão moderna trabalha em indústrias como agricultura, pesca, construção, confecção têxtil, mineração, serviços e trabalho doméstico. Cerca de uma em cada cinco pessoas são vítimas de exploração sexual.

"Em 2013, a escravidão moderna assume muitas formas e é conhecida por muitos nomes. É chamada de tráfico humano, trabalho forçado, escravidão ou práticas análogas - o que inclui servidão por dívida, casamento servil ou forçado, venda ou exploração de crianças inclusive em processos armados", aponta o estudo, ao explicar a metodologia do índice. Segundo o documento, 58% dessas pessoas vivem em apenas cinco países: Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Uzbequistão. Já os países com a maior proporção de população em condições de escravidão são a Coreia do Norte, o Uzbequistão, o Camboja e a Índia, apesar de haver grande quantidade de pessoas nessas condições espalhadas pela Europa e pela Central e do Norte, no qual o Haiti, o mesmo que completa 12 anos de ocupação militar ilegal no dia de hoje, aparece com muito destaque.

A escravidão moderna afeta todo mundo. Mesmo que você não seja uma vítima da escravidão moderna, você é afetado por ela. As empresas, por exemplo, vivem sob a lógica da concorrência sem escrúpulos, que se beneficiam dos lucros da escravidão moderna. Isso também pode levar à redução de salários ou ao corte de benefícios do conjunto da classe trabalhadora, ou seja, é um modo do capitalismo manter seus altos lucros impondo regimes de trabalhos mais explorados.

A escravidão moderna é um grande negócio. Um estudo recente da OIT estimou que a escravidão gera mais de 150 bilhões de lucro todos os anos, o equivalente à soma dos lucros das quatro empresas mais rentáveis do mundo. Os governos que mais se beneficiam com o trabalho forçado são aqueles com Produto Interno Bruto (PIB) mais elevado como a Holanda, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Suécia e a Austrália.

Um exemplo disse é a relação que o EUA possui com o Haiti. A maioria dos uniformes oficiais de um dos mais populares esportes no páis, o baseball, são produzidas na ilha á preços baixíssimos, que mesmo após o terremoto, não afetou tanto a produção destes artigos, mas baixou seu custo, apoiado no desespero dos haitianos que se viram sem fonte de renda e passaram a trabalhar por um trabalho de miséria, de cerca de U$5 ao dia. Recentemente, a cantora Beyoncé foi acusada de utilizar trabalho escravo do Sri Lanka na confecção de roupas de uma coleção sua.

O Brasil possui muita responsabilidade na atual situação do Haiti, pois além de ocupar militarmente a ilha a 12 anos, em um processo que se iniciou no Governo de Lula e atravessou os governos de Dilma e o governo interino do golpista Michel Temer, que em nenhum momento ouviram os movimentos sociais brasileiros ou os próprios haitianos que não querem mais a ocupação militar, que nada tem ou teve de humanitária. Além disso, os haitianos que saem de seu país em busca de uma melhor perspectiva para si e para sua família acabam caindo no radar do tráfico de pessoas ou do trabalho escravo em solo brasileiro, agravando ainda mais as condições precárias de vida dos haitianos.

Processo parecido ocorreu com os bolivianos no Brasil no inicio dos ano 2000, que eram a grande mão-de-obra escrava das confecções, principalmente na região sudeste. Apesar de o Brasil ser elogiado por suas políticas de “combate ao trabalho escravo”, o mesmo aumentou no país, de 155,6 mil em 2014 para 161,1 em 2015, apesar de a liminar que impedia a divulgação das empresas “lista suja” do trabalho escravo ter sido caçada apenas no final de 2014.

A pobreza e a falta de oportunidades são fatores determinantes para o aumento da vulnerabilidade à escravidão moderna. Os estudos também apontam para desigualdades sociais e estruturais mais profundas para que a exploração persista –a xenofobia, o patriarcado, as classes e castas, e as normas de gênero discriminatórias., que podemos resumir com: o Capitalismo, que baseia seu crescimento na quantidade de vidas que ela desumaniza, de infâncias que ela rouba e de violências, sexuais, físicas ou morais que ela comete. Uma luta consequente pelo fim da trabalho escravo é uma luta pelo fim da exploração e o capitalismo.




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