CORRUPÇÃO

Escondendo o próprio roubo, TCE-RJ condena empreiteiras por corrupção no Maracanã

Após intermináveis denúncias o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro finalmente tomou medidas contra o desvio milionário de recursos nas obras do Maracanã para a Copa e Olimpíadas. Entre inúmeras fontes estes desvios foram comprovados em delações. O TCE, evidentemente, não se pronunciou sobre a propina de 1% que teria ido para o bolso de seus membros. A corrupção, fingem que é algo alheio ao judiciário.

terça-feira 5 de julho de 2016| Edição do dia

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) votou por unanimidade um parecer condenando as obras do Maracanã, gerando bloqueio de contas e ativos no valor de R$ 198 milhões das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez.

Há muitos anos circulam notícias sobre os desvios nesta obra. O anúncio bilionário anos atrás já havia chamado atenção na época uma vez que o Maracanã havia passado por reformas para o PAN 2007. Poucos anos depois nova reforma milionária levou a praticamente demolir e reconstruir o estádio a um custo maior do que se tivesse sido erguido do zero.

Clóvis Renato Peixoto Primo, ex-dirigente da Andrade Gutierrez, preso pela operação Lava Jato, declarou que havia pago propina para o próprio TCE, no valor de 1% da obra que custou quase um bilhão de reais. Na mesma delação acusa de ter pago 5% (ou mais de R$ 50 milhões) ao ex-governador Sérgio Cabral.

Cabral, apesar das intermináveis denúncias segue sem ser investigado e menos ainda condenado. Apesar de aparecer dançando com guardanapos na cabeça com Cavendish da Delta em caríssimo restaurante parisiense, depois de ter documentações provadas que havia favorecido a Delta e fazia viagens com o dono da empresa (como a do passeio de bicicleta em foto abaixo), consegue evadir-se de toda investigação.

Tal como o tucanato paulista é blindado pelo MPF-SP, o MPF-RJ com mil ligações com o PMDB nunca os toca a fundo. O mesmo vale para o TCE, que escolheu punir as empreiteiras em base a uma delação que cita o recebimento de propina pelo próprio TCE e por Cabral. O próprio TCE e Cabral não são alvo de investigações ou punições

Superfaturamento e propina para o TCE e condenação do TCE aos outros - uma justiça muito especial

De acordo com o plano inicial, o governo do Rio deveria desembolsar R$ 705 milhões pela reforma, mas, surpresa, surgiram 16 aditivos que ergueram a obra a estrondosos 1,2bilhão de reais.

Entre 2010 e 2014, o TCE instaurou 21 processos para analisar o contrato, os 16 aditivos e o resultado de quatro auditorias especiais da obra. Será que pela sua fatia de propina o TCE sempre encontrou irregularidades ao auditar, registrou as mesmas, mas nunca condenou ninguém...

Depois de diversas operações onde o judiciário mostra sua arbitrariedade, colecionando delações e gravações e escolhendo qual político atacar e quando, o TCE do Rio de Janeiro consegue um feito ímpar em terra de uma justiça arbitrária: usar uma delação que se auto-condena, ignorar esta parte, para realizar uma condenação dos outros. Um exercício singular de arbitrariedade.




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