Juventude

BRASÍLIA

Escolas ocupadas em Brasília: uma aula de vida e de luta política

O Esquerda Diário visitou duas escolas ocupadas neste fim de semana, em Brasília, no caso dois colégios públicos [CEMSO, no plano piloto, e CEMAB, em Taguatinga], constatando, de um lado a coragem, a ousadia e a combatividade dos alunos/as que ocupam seu local de estudo em luta contra os decretos do governo Temer, em protesto contra o desmonte da já precária educação pública e, ao mesmo tempo, os relatos das ações de grupos da direita organizada, do MBL e seus aliados, provocadores e defensores da ordem e do retrocesso.

Gilson Dantas

Brasília

domingo 30 de outubro| Edição do dia

Várias escolas no DF vieram sendo ocupadas a exemplo do CEMAB em Taguatinga, do CEM 304, em Samambaia Sul, o CED sede 01 (Centrão), em Planaltina; o Gisno, na Asa Norte; o CEMSO, Setor Oeste, na 912 Sul; o CEM 111, no Recanto das Emas; os Institutos Federais de Brasília de Samambaia, Planaltina, Riacho Fundo, Estrutural, São Sebastião e os campi de Valparaíso e Águas Lindas, no entorno. Há toda uma situação ainda em aberto.

De parte dos estudantes que ocupam e protestam, aqui no DF é eloquente a força de todo um setor de vanguarda jovem, que desponta a partir da sala de aula, gritando a plenos pulmões pelo seus direitos, pelo seu papel de sujeito político e mostrando a força da juventude quando se lança a ser dona do seu próprio destino. Aliás, é exatamente isso que tanto irrita a direita e seus jovens fascistas. E é isso que teria que sensibilizar, por exemplo, os sindicatos da CUT, que poderiam se colocar, concretamente, muito mais presentes. Grupos de professores, de alunos da UnB, pais, comparecem a escolas ocupadas procurando oferecer apoio pessoal, avulso. Mas há todo um espaço que teria que ser das organizações sociais se fazendo vigorosamente presentes.

Falando ao ED, um dos estudantes se perguntava: onde estão as nossas organizações, porque não apareceram quando os fascistas fizeram várias invasões nesta semana? E claramente diziam: precisamos de mais apoio!

E hoje, domingo, teria sido um bom momento para uma grande carreata dos sindicatos mais atuantes da cidade – professores, por exemplo – nas portas dos colégios ocupados, estimulando e dando apoio, ao movimento estudantil que resiste aos ataques do governo em nome de todos nós. Nada disso aconteceu. E, no entanto, é o elemento mais necessário: uma forte aliança estudantes-trabalhadores e comunidade organizada, para abraçar como sua uma luta que nasce do despertar da juventude secundarista mais combativa, que não vê horizonte na escola como ela é.

A experiência que está sendo feita pelos coletivos de estudantes nessas ocupações, no entanto, segue seu curso. Seja coordenando a ocupação, organizando a alimentação durante a ocupação, montando a guarda do seu local de estudo contra os vândalos do MBL, no convívio diário com o silêncio criminoso e as deturpações da grande mídia, a percepção do quanto é pouco ativa a Ubes e a UNE, a camaradagem que é exercitada, a solidariedade de professores e pais combativos, tudo isso funciona como fermento e experiência viva para o desabrochar de uma jovem vanguarda que poderá travar combates com muito mais consciência na próxima etapa. Esse é o maior medo do governo golpista e de qualquer governo capitalista. De que na consciência desenvolvida na luta prática, nas dificuldades políticas que vão sendo enfrentadas no cotidiano de luta, no exercício concreto como sujeito político de suas escolas, no duro aprendizado de quem são seus amigos e inimigos, essa juventude possa amadurecer e sobretudo contagiar outros setores da população, especialmente a classe trabalhadora.

Esse será o saldo para o qual o Esquerda Diário se lança a contribuir, cada dia mais, e em função do qual continuará se fazendo presente no terreno de combate.
Apelamos à máxima solidariedade, de todo lado, de todos os órgãos democráticos dos trabalhadores, dos estudantes, dos professores, dos pais, da CUT, da comunidade a irem ao encontro das escolas ocupadas, cercando-as do seu apoio e encorajamento.

Por fim, chamamos a toda essa juventude que desponta para a luta política a usar esta tribuna, esse espaço do Esquerda Diário, como seu, para através dele desenvolver denúncias, elaborar artigos, crônicas, estabelecendo uma rede nacional de correspondentes “de combate”, de elaboradores políticos, e ir se constituindo na condição de uma jovem geração de jornalistas engajados com a vida e a efervescência que brota das escolas ocupadas.

Confiram o vídeo abaixo, de um aluno de escola ocupada em Brasília, um exemplo da aliança concreta que pode ser levada adiante entre os universitários e os secundaristas:




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