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Escola destruída e vidas em risco: tragédia natural ou descaso estatal?

A EMEF Ibrahim Nobre, assim como várias casas da região Oeste de São Paulo, teve seu telhado e parte de sua estrutura destruídos pelas microexplosões durante a chuva do último sábado. A responsabilidade é apenas do fenômeno natural ou principalmente do descaso da prefeitura com as escolas e as vidas no município?

quinta-feira 24 de maio| Edição do dia

O acontecimento foi noticiado em uma série de jornais da grande mídia, e também pela página da Escola no Facebook. Em primeiro lugar queremos nos solidarizar com toda a comunidade escolar da EMEF Ibrahim Nobre, os professores que batalham pela escola dia a dia, os pais que enfrentarão ainda mais contra-tempos com as aulas cancelas, e todas as quase 800 crianças que estão sem aulas tendo o seu direito ao aprendizado suspendido.

Dezenas de casas ficaram destelhadas, outras foram atingidas pelos escombros destas, centenas de árvores foram derrubadas e pessoas nas ruas foram também atingidas, sem ferimentos graves. Segundo os moradores, já havia sido feito um abaixo assinado pela comunidade, exigindo da prefeitura a retirada imediata das grandes árvores de eucalipto da região da escola, dado que o local não tem a topografia adequada para garantia de segurança.

A EMEF Ibrahim Nobre, assim como outras da região que fizeram parte da histórica greve que impôs um recuo ao ex-prefeito golpista João Doria, está passando pelo processo de reposição das aulas, quando a maioria dos professores leciona também aos sábados. Por um feliz acaso, no último sábado os professores e alunos não se encontravam no local, o que poderia ter levado a níveis muito mais criminosos esse acontecimento.

O fenômeno natural das microexplosões ocorre junto à fortes chuvas, dando origem a ventos de até 100km/h. Este não é o primeiro caso na cidade, o último foi em 2016 destruindo um hospital. Não é possível prever o fenômeno, apenas uma tempestade severa com forte ventania.Porém, haja vista que não é uma novidade, cabe às autoridades do poder público garantir a segurança da população, oferecendo as estruturas necessárias para que as pessoas estejam seguras frente à possíveis intempéries naturais. É conhecido pela comunidade que muitas solicitações de manutenção e fortalecimento das estruturas destruídas já haviam sido feitas à Prefeitura de São Paulo

Nesse sentido, a destruição da EMEF Ibrahim Nobre, suas estruturas, salas, materiais e produções escolares, assim como a vulnerabilidade que se impõe às crianças agora com aulas suspensas é diretamente responsabilidade da Prefeitura, tendo a frente o mesmo Bruno Covas que já provou seu descaso com o povo e com a educação ao culpabilizar as próprias vítimas do desabamento da ocupação Paissandu pelo fato, assim como apoia a retirada das crianças de suas famílias, e insistir em destruir a aposentadoria e o plano de carreira do funcionalismo público municipal.

Por outro lado, é também conhecido pelas acusações de fraudes em licitações, assim como seu chefe de gabinete que esta com os bens congelados pelo mesmo motivo. Assim como defende o avanço das privatizações e do envio cada vez maior do dinheiro proveniente dos impostos dos trabalhadores para os subsídios e os bolsos dos grandes empresários e monopólios. Dinheiro esse que poderia, e deveria, estar sendo usado para investir na poda das árvores e em alta tecnologia nas construções públicas evitando episódios tão tristes como os citados nessa nota.

Apenas a organização de toda a comunidade escolar para gerir e fiscalizar o emprego dos recursos e tecnologias disponíveis para o município poderá garantir as melhores condições de construção civil e segurança para os trabalhadores municipais e a população que utiliza junto a eles essas instalações públicas.




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