Política

MASSACRE EM PARAISÓPOLIS

Escárnio: Tenente-coronel afirma que jovens mortos pela PM perderam a vida de forma “imbecil”

Após ser responsável pelo massacre de nove jovens em Paraisópolis, PM paulista ainda faz escárnio: perderam a vida de forma “imbecil”.

segunda-feira 2 de dezembro| Edição do dia

Em entrevista para o programa Balanço Geral, de Datena, o porta-voz da Polícia Militar, Emerson Massera, afirma que as nove mortes causadas pela PM na zona sul da capital paulista, na noite de sábado para domingo, se tratam de “Pessoas jovens que perderam a vida de maneira completamente imbecil”. Na tentativa de tirar qualquer tipo de culpa dos policiais, o tenente ainda afirma: “A gente sabe como é a situação, como são os becos em comunidade como a de Paraisópolis. Infelizmente em uma dessas vielas, uma pessoa tropeçou e caiu, e outras caíram em cima, e as que vinham atrás pisotearam”.

Como visto por meio de vídeos postados nas redes sociais por moradores da região, a situação foi muito diferente da narrada por Massera. Após causar terror no baile funk que acontecia na comunidade, sob o pretexto de procurar por traficantes, policiais barraram dezenas de jovens em vielas e os espancaram brutalmente, causando nove mortes. A mãe de um dos meninos mortos discorda da versão da polícia que associa as mortes ao pisoteamento, afirmando que nas roupas de seu filho não havia nenhuma marca de sola de sapato.

Emerson Massera, ainda na entrevista, questiona a veracidade dos vídeos em questão, afirmando que podem ter sido feitos em outra situação. Sabemos que a polícia trabalha a mando de um Estado racista que busca a todo custo tirar da juventude negra e periférica seus espaços de lazer, associando suas festas ao uso e tráfico de drogas, que são ignorados nas festas da juventude de outras classes.

A PM do estado de São Paulo é responsável, só nesse ano, por 414 mortes segundo os dados oficiais. João Dória, governador de São Paulo, afirmou que as mortes não foram culpa dos policiais e chegou a parabenizar a polícia militar depois desse massacre. A atitude, tanto do tenente quanto de Dória, só evidencia que a vida dessas pessoas não vale nada ao Estado e que massacres como esse são o reflexo da política racista e genocida que vem sendo posta sobre a juventude e a classe trabalhadora, reflexo de um Estado tem as mãos sujas de sangue dessas nove mortes e de tantas outras. É necessário por fim à guerra contras as drogas, que dia-a-dia vem sendo utilizada como pretexto para operações policiais como a de Paraisópolis, que escorrem sangue negro das favelas.




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