VIOLÊNCIA POLICIAL

Escândalo: Polícia racista assassina João Pedro. Apenas 14 anos e um futuro interrompido

Nesta segunda-feira, João Pedro, jovem negro de apenas 14 anos, foi ferido à tiros em meio a uma operação policial. Segundo relatos nas redes sociais, o jovem estava brincando com seus primos, quando traficantes entraram em sua casa e a policia disparou diversos tiros, um deles atingindo o jovem na barriga. O jovem teria ficado desaparecido desde as 16 horas de segunda-feira, e a família teria recebido a noticia pela manhã de que o corpo se encontrava no IML.

terça-feira 19 de maio| Edição do dia

Mais uma trágica morte pela policia ocorre em meio a pandemia. Após o massacre de 13 pessoas na Operação que se deu na Complexo do Alemão no RJ, e o caso do tiroteio em Vidigal, um novo caso tem chocado as redes sociais. João Pedro, de apenas 14 anos, brincava com seus primos em plena tarde de segunda-feira quando teve sua vida ceifada pela policia em São Gonçalo no Rio de Janeiro.

 

O jovem que teria ficado desaparecido, segundo novos relatos nas redes sociais, foi encontrado morto e seu corpo encontra-se no IML. A família que estava desesperada, ficou sabendo da triste noticias agora pela manhã. 

Segundo informes do jornal O Dia, o helicóptero da Polícia Civil percorreu cerca de 40 km com o corpo do jovem do município da Região Metropolitana até a área do Corpo de Bombeiros na capital. De lá, ele foi levado ao IML de Tribobó, de volta a São Gonçalo.

Ainda segundo o parente, quando os policiais invadiram o quintal deles, os primos falaram que João não era envolvido com o crime.

"Mas os policiais rapidamente pegaram ele e o colocaram dentro do helicóptero. O pessoal foi tentar ir atrás, mas o policiais não deixaram e ainda o ameaçaram, dizendo que se eles saíssem iriam atirar", afirma, denunciando ainda que os agentes modificaram o local para que o primo fosse incriminado".

Esse é o futuro que o capitalismo, em sua fase decadente, oferece para a juventude negra. Senão morrer pela Covid-19 ou pelo desemprego, que hoje pesquisadores como Ricardo Antunes avaliam ser de 30 a 40 milhões, se morre pelas mãos da polícia brasileira, a mais assassina do mundo.

Desta forma, Witzel retoma em plena pandemia sua política racista de repressão as favelas. Ano passado a polícia assassinou mais de 1800 pessoas, Witzel que protagonizou junto a outros políticos reacionários a quebra da placa da Marielle, sempre fez questão de se mostrar um inimigo dos negros. Chegou a dizer que a solução para as favelas seria um míssil. No momento mais crítico da pandemia, com a saúde pública num colosso iminente e com escândalos de corrupção que envolve seu governo, Witzel retoma com força sua política racista e repressiva.

Suas disputas com Bolsonaro sobre o isolamento social e abertura total com o fim das quarentena é sem sombra de dúvidas uma grande diferença que coloca eles dois em polos opostos da disputa entre alas desse regime degradado. Mas, certamente, a política de extermínio da juventude negra com repressão policial são sem sombra de dúvidas projetos que os une. Ambos são racistas declarados, inimigos dos negros que cada a sua maneira aprofundam o racismo estrutural, as operações policiais nas favelas e o assassinato de negros e negras são parte fundamental que compõe Bolsonaro e os militares, vale lembrar que o general Braga Neto comandou a intervenção federal no Rio, momento em que vimos Marielle ser assassinada.

Witzel vai dando à pandemia do coronavírus, comprovadamente mais letal entre negros no mundo inteiro, uma cara ainda mais racista, não bastasse a precarização da saúde e das condições de vida e moradia nas favelas, Witzel se utiliza mais uma vez da repressão policial para dar continuidade a seu projeto racista no Rio de Janeiro.

Por isso para enfrentar o racismo estrutural que todos os dias produz mortes de negros nas periferias do país, é fundamental que os sindicatos e as organizações de direitos humanos assim como as organizações de bairros, favelas e comunidades se organizem de forma independente para enfrentar a violência que tem aumentado exponencialmente com o isolamento social, uma resposta a pandemia, que sem testes massivos e garantia de EPIs para os que seguem trabalhando, se mostra também insuficiente.

Nós do Esquerda Diário nos solidarizamos com a família de João Pedro e exigimos investigação independente, uma vez que sabemos que não virá desta instituição assassina e racista nenhuma resposta, para garantir justiça e punição dos responsáveis.




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