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Escândalo: Estudante brasileira é metralhada por paramilitares na Nicarágua

Estudante universitária brasileira foi morta a tiros por paramilitares de Nicarágua. Zonas do país estão militarizadas em resposta aos protestos contra a reforma da previdência e contra o governo, onde muitos jovens estão sendo alvo da repressão.

terça-feira 24 de julho| Edição do dia

Uma estudante universitária brasileira foi morta na madrugada da última segunda-feira, dia 23 na capital da Nicarágua, Manágua. Raynéia Grabrielle Lima tinha 31 anos e estudava medicina na Universidade Americana (UAM).

A jovem, nascida em Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, estava sozinha no carro voltando para casa, com o namorado em outro veículo logo atrás. Seu carro recebeu vários tiros numa região habitada por altos funcionários do governo e a principal suspeita é que tenha sido atacado por paramilitares que supervisionam a região.

A Nicarágua vem passando por fortes mobilizações ligadas principalmente à tentativa de reforma da Previdência encabeçada pelo presidente Daniel Ortega em Abril, desde então, o governo vem respondendo com repressão e assassinatos às paralisações e protestos feitos pela população. Nicarágua está completamente militarizada em "resposta" aos protestos.

Raynéia não era uma manifestante, mas segundo uma amiga, esteve em hospitais ajudando feridos das repressões do governo mais de uma vez nos últimos tempos.

Desde abril, Manágua vive um toque de recolher não declarado a partir das 19hrs. São inúmeros os relatos de assassinatos e sequestros feitos por policiais e paramilitares do governo, até agora, 360 pessoas já morreram vítima da brutal repressão policial do governo de Ortega.

Raynéia foi metralhada próximo ao Colégio Americano por paramilitares que tomaram a Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua, nem mesmo jornalistas conseguiram entrar no campus na última semana, sendo recebidos pelos paramilitares com tiros de alerta.

Esta ocupação policial não é por acaso, a UNAN era um dos mais fortes pilares de manifestações contra o governo de Ortega, mas no último dia 13 policiais e paramilitares avançaram contra as trincheiras dos estudantes e tomaram o campus, matando dois estudantes com tiros na cabeça.

Apesar da força policial ostensiva se identificando com bandeiras da Frente Sandinista de Libertação Nacional, partido do presidente, ele alega que não tem ligação com estes grupos.

Mais ainda diante desse escândalo, é fundamental estender a mobilização das ruas encabeçada e dirigida por milhares de trabalhadores da Nicarágua e exigir punição aos responsáveis.
Os trabalhadores do campo e da cidade são o único setor que, com independência política e sem cair na armadilha que propõe a Aliança Cívica e a patronal representada no Conselho Superior da Empresa Privada (COSEP), podem ganhar nas ruas e impor o fim da militarização das cidades, contra as polícias, para que não haja mais nenhuma morte e também para impor uma saída ao conjunto das demandas dos camponeses, das mulheres, da juventude e do povo pobre nicaraguense, que vem resistindo de maneira valente diante de todos os desmandos do Orteguismo.

Toda a solidariedade aos familiares e amigos da estudante brasileira.




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