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GUERRA COMERCIAL EUA X CHINA

Escalada na guerra comercial: Trump anuncia mais taxas sobre as mercadorias chinesas

Nessa quinta (1), o presidente Donald Trump anunciou em sua conta do Twitter que o governo norte-americano irá impor novas taxas sobre mercadorias chinesas importadas, estimadas em 300 bilhões de dólares, depois do fracasso das negociações entre as missões diplomáticas das duas maiores economias do mundo.

quinta-feira 1º de agosto| Edição do dia

A desculpa de Trump para impor as novas taxas teria sido a promessa não cumprida pelo governo chinês de que compraria mais produtos agrícolas e em parar de exportar Fentanyl, substância derivada do ópio. Por isso, o presidente anunciou que a partir do dia 1° de setembro, tarifas adicionais no valor de 10% seriam impostas a produtos e bens vindos da China aos EUA. E isso não exclui as tarifas adicionais de 25% que já são impostas a mercadorias chinesas, que juntas possuem um valor aproximado de 250 bilhões de dólares.

Esse anúncio de Trump rompeu com um frágil cessar-fogo, firmado num encontro bilateral ocorrido no G20 em Osaka, no Japão, e por outro lado, isso representa um marco na guerra comercial entre os dois países, depois que um encontro bilateral em Washington, no mês de maio, teve como resultado o aumento de 10 para 25% da taxa de importação.

Uma medida nesse sentido contra a economia chinesa já era esperada. Durante toda a semana, houve troca de farpas entre os dois governos, sobretudo durante as negociações ocorridas em Xangai com o representante dos EUA para assuntos de comércio internacional Robert Lighthizer, o secretário do Tesouro Steve Mnuchin e o interlocutor do primeiro-ministro assistente chinês Liu He.

Apesar dos dois lados afirmarem diplomaticamente que as negociações foram construtivas, pelo lado chinês e vocalizado pelo porta-voz do Partido Comunista, o jornal Xinhua, o país apenas aumentaria o nível de importação dos produtos agrícolas norte-americanos em linha com a demanda interna e quando os EUA criassem “boas condições” para isso. Por sua vez, o presidente Trump disse “não haver sinais” de que a China cumpriria com o acordo, pois sua economia “ia muito mal” e que Pequim não estaria negociando com boa fé. Criticando os ataques de Trump, um porta-voz do Ministério do Exterior chinês respondeu que é “irrelevante” as tentativas dos EUA em pressionar Pequim e que seu anúncio lhe causava “risos sarcásticos”.

No entanto, os dois países concordaram em retomar outra rodada de negociações justamente em setembro, quando o governo norte-americano irá impor novas taxas adicionais sobre as importações chinesas. E pelo que parece, o governo Trump promete avançar para questões controversas como a transferência de tecnologia. Esse ponto foi quase um motivo para que as negociações em maio fracassassem, entretanto, o governo dos EUA tinha aceitado o recuo para impor a importação forçada de produtos agrícolas como um sinal de “boa vontade” para continuar negociando.

Aumentando ainda mais o seu calibre, Trump também afirmou que uma das táticas dos chineses era adiar as negociações propositalmente, na espera por um governo do Partido Democrata, afirmando que “sabem que se eu ganho, o acordo será muito mais duro”, mirando também a sua base para as eleições de 2020, já que durante toda a sua campanha eleitoral o significado do “Fazer os EUA grandes novamente” é, em grande medida, enfrentar o desenvolvimento industrial e tecnológico da China, não deixar com que ela se torne uma potência imperialista que ocupe o lugar dos EUA no futuro e assim gerar mais empregos no país com o retorno das fábricas que se instalaram na Ásia.

No momento, grande parte das mercadorias taxadas são manufaturas e produtos industriais, sobretudo celulares. Contudo, algumas grandes multinacionais norte-americanas também serão afetadas com o aumento da taxação dos produtos chineses. São empresas tão diversas como a gigante na produção de máquinas Caterpillar, a companhia aéreo-espacial Boeing, a postal FedEx e a gigante de dispositivos eletrônicos Apple.

Portanto, estamos diante de mais uma etapa da guerra comercial entre China e EUA, com pouquíssimas expectativas de calma na maré pelos anos vindouros, já que nenhuma das duas maiores economias do mundo está abrindo mão pela competição internacional da venda de capitais, tecnologia e força bélica, apesar da força hegemônica, porém em decadência, dos EUA.

Para saber mais sobre essa disputa, quais são os objetivos de fundo que levam os EUA a prossegui-la, o que mudou na relação EUA-China e como podemos entender os efeitos dessa mudança histórica, ouça nosso podcast do Esquerda Diário, com os companheiros Andy Acier e Iuri Tonelo:




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