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Equipe de Bolsonaro planeja escolha autoritária de reitores nas universidades federais

Depois de defenderem cobrança de mensalidade nas universidades federais, auxiliares do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro planejam que o governo dele, caso seja eleito, intervenha na escolha dos reitores atropelando e até extinguindo as votações que ocorrem nas instituições de ensino.

segunda-feira 22 de outubro| Edição do dia

Segundo a revista Exame, auxiliares de Bolsonaro propuseram a ele que, caso seja eleito, intervenha na escolha dos reitores das universidades federais, inclusive atropelando a escolha das comunidades acadêmicas. Eles planejam que seja o governo que dê a última palavra sobre a gestão das universidades, de modo a garantir uma reitoria alinhada com seus interesses de destruição da educação pública.

Eles também defenderam a cobrança de mensalidade nas universidades federais, ameaçando diretamente a educação pública. Atualmente as comunidades universitárias indicam os nomes e o presidente referenda a escolha dos mais votados para reitor e vice. A proposta da equipe de Bolsonaro é que essa escolha seja feita com base aos interesses do governo e não à escolha das comunidades universitárias.

Veja mais: Ameaça à educação pública: Bolsonaro quer cobrar mensalidade em universidades federais

Nas universidades do Brasil a escolha já é bastante anti democrática, com os estudantes, que compõe a maioria da comunidade acadêmica, tendo quase nenhuma expressão no total das votações. A lei prevê que o voto dos professores representa 70% da escolha, enquanto estudantes e funcionários representam apenas 15% cada setor. Isso faz com que o voto de um estudante ou de um trabalhar da universidade não valha quase nada em comparação ao voto dos professores, que são minoria na comunidade acadêmica. A proposta da equipe de Bolsonaro é ainda mais autoritária e pode levar essas votações a serem atropeladas ou mesmo que simplesmente não ocorram. Eles recomendam ainda que se enfrente a Lei 9.192/1995, que prevê essa dinâmica nas votações, provavelmente para impôr um modelo mais autoritário onde as comunidades acadêmicas não participem de escolha alguma.

A equipe de Bolsonaro estuda os calendários das universidades federais e também sobre quem se candidata e quais afinidades políticas têm cada um para buscar reitores que tenham acordo com as propostas nefastas de Bolsonaro. Os conselheiros do candidato do PSL, sob argumento de colocar como reitores pessoas que tenham experiência em gestão e administração, querem colocar no controle das universidades reitores alinhados com a política nefasta de Bolsonaro.

Alegando que as universidades foram supostamente "aparelhadas" por organizações de esquerda, pretendem que todo o controle dessas instituições esteja nas mãos de gente tão privatista quando Bolsonaro. Essa fantasia do aparelhamento das universidades só serve para justificar uma intervenção autoritária do governo nestes espaços, "aparelhando" eles a serviço dos interesses de Bolsonaro, Paulo Guedes e outros inimigos da educação pública.




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