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Equador: continua a perseguição governamental à imprensa alternativa e opositores

Nestes dias, a perseguição contra a mídia alternativa saltou no Equador, no contexto da política repressiva de Lenín Moreno. Na última terça-feira, um dos principais colaboradores da "Revista Crisis" foi ameaçado pela polícia em sua própria casa.

sexta-feira 29 de novembro de 2019| Edição do dia

Atualmente, a perseguição contra a mídia alternativa saltou no Equador, no contexto da política repressiva de Lenín Moreno. Na última terça-feira, um dos principais colaboradores da “Revista Crisis” foi ameaçado pela polícia em sua própria casa.

A enorme mobilização no início de outubro, que protagonizou o povo equatoriano contra as medidas de ajuste do governo Moreno, fez retroceder o aumento no preço da gasolina.

Mas agora (principalmente porque as organizações sindicais não levaram adiante um plano de luta para combater todos esses planos), Lenín Moreno, com o apoio das oligarquias, desencadeou uma tempestade de perseguição, censura e repressão que ameaça se tornar em uma estratégia de longo prazo para sustentar seu poder político debilitado.

O relato governamental tenta "explicar" a enorme resposta social do povo equatoriano através da teoria da conspiração. Dessa forma, com a ajuda do Poder Judiciário, começaram a surgir acusações contra a mídia, movimentos sociais e opositores políticos. Os crimes atribuídos a eles são os de "sedição" e "tentativa de golpe de estado".

Nas primeiras semanas, enquanto as rodadas de negociações com o movimento indígena e os sindicatos ainda estavam sendo realizadas, várias ordens de busca e captura foram realizadas contra vários líderes do movimento político vinculado ao ex-presidente Correa.

Posteriormente, a perseguição foi dirigida contra os líderes dos movimentos sociais, com ameaças explícitas por parte do governo a eles.

Agora são os meios de comunicação que parecem estar na mira do aparato estatal. A Russia Today (RT), televisão financiada pelo governo de Putin, teve a transmissão cortada sem aviso prévio.

A RT está longe de ser considerada um meio alternativo, mas foi uma das poucas televisões com sinal no Equador que reportou as mobilizações, bem como a repressão feroz da Polícia e dos militares contra os manifestantes.

Casos semelhantes ocorreram contra a TeleSur ou a HispanTv, que sofreram bloqueios de informações durante os eventos de outubro. O governo atribuiu a suposta tentativa de golpe de Estado a uma intervenção imaginária russa e venezuelana, como os principais promotores, daí o ataque a esses meios de comunicação.

No entanto, esta tese apoiada por Lenín Moreno e seu gabinete contrasta fortemente com o fato de que são os meios de comunicação alternativos que estão sendo mais duramente perseguidos.

É o exemplo do que aconteceu na terça-feira passada com um dos principais editores da Revista Crisis no Equador, Carlos Pazmiño, que foi agredido no meio da noite em sua casa pela Polícia de Operações Especiais. Estes entraram ameaçadoramente; e como o jornalista relata, foi uma operação política com a intenção de reunir informações e, principalmente, aplicar uma lição e gerar medo.

Nos dias maior bloqueio informativo, com a cumplicidade obscena da grande mídia, foi precisamente a Revista Crisis, Wambra e muitas outras pequenas mídias que, com um grande esforço, conseguiram quebrar a barreira da mídia imposta pelo governo.

Lenín Moreno, como outros líderes que estão passando por situações semelhantes na América Latina, não esquece o papel desempenhado pelos ativistas que apoiam esses meios de comunicação e agora descarrega sua repressão sobre aqueles que se aliaram aos interesses do povo pobre nos momentos de agudo enfrentamento com o estado.

À partir da rede internacional de diários La Izquierda Diario, nos solidarizamos com todos os meios que sofrem esses ataques repressivos de governos e regimes que apenas tentam defender os interesses de classe de uma minoria privilegiada.

No Chile e na Bolívia, são nossos companheiros militantes do La Izquierda Diario os que enfrentam a tentativa de silenciar por meio do ruído das balas as demandas legítimas dos povos.

Porque quando a luta de classes avança, contar a realidade se torna um ato revolucionário.




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