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Epidemia de sarampo já atinge 11 estados e campanha vacinal está muito abaixo do ideal

São 1.680 casos registrados de sarampo em 11 Estados do país. Segundo o pesquisador da Fiocruz Cláudio Maierovitch, o sarampo é muito difícil de se controlar rapidamente. O ideal seria que a cobertura vacinal já estivesse em outro patamar, estando agora bem abaixo do que seria considerado ideal.

quarta-feira 21 de agosto| Edição do dia

Já foram várias as notícias na mídia relatando o rápido avanço do surto de sarampo no país. Além do aumento no número de casos, o sarampo se espalha pelo Brasil, tendo no período de uma semana se espalhado de 4 para 11 estados. Em três meses, foram confirmadas 1.680 infecções, a maior parte delas em São Paulo (1.662). Para apagar esse incêndio, o Ministério da Saúde expandiu a recomendação da vacina a todos os bebês do País de 6 meses a um ano e é a "dose zero", não dispensando as vacinas regulares, aplicadas aos 12 e 15 meses. Essa dose é definida como dose para dar proteção adicional.

Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Wanderson Kleber de Oliveira não descarta que novas medidas sejam adotadas Entre as estudadas, está a chamada vacinação de resgate, dirigida para adultos jovens. O problema, contudo, esbarra nos estoques escassos do imunizante. Isso por si já escancara o total descaso para com a saúde pública, mostrando o quão descartáveis são os trabalhadores, mulheres, crianças e a população pobre para os capitalistas e os poderosos.

Agora, com o agravamento e rápido alastramento para mais estados do país, o governo recorreu à Organização Pan-Americana de Saúde e encomendou a compra de 10 milhões de doses. A entrega, porém, deve ocorrer em dois meses. Até lá, a população fica à deriva.

E o absurdo não pára por aí: foi também solicitado a Biomanguinhos, que produz a vacina para o País, o aumento da entrega de doses. No entanto, para que isso se concretize será preciso que o laboratório reduza a produção de vacina contra febre amarela. Ou seja: trata-se de um verdadeiro balcão de negócios, onde quem paga o preço é a população. A estimativa é de que sejam preparadas 26 milhões de doses para sarampo - 12 milhões já foram entregues. Segundo o pesquisador da Fiocruz Cláudio Maierovitch, o sarampo é muito difícil de se controlar rapidamente. O ideal seria que a cobertura vacinal já estivesse em outro patamar, estando agora bem abaixo do que seria considerado ideal.

Até o momento, não foi confirmada nenhuma morte por sarampo. Além de São Paulo, os casos da doença foram registrados no Rio (6), Pernambuco (4), Bahia (1), Paraná (1), Goiás (1), Maranhão (1), Rio Grande do Norte (1), Espírito Santo (1), Sergipe (1) e Piauí (1).

É um absurdo que o governo siga negociando a saúde da população como uma mercadoria. Privatizando e precarizando os hospitais públicos, burocratizando a entrega de medicamentos e deixando milhares de pessoas sem direito a um atendimento seguro e de qualidade. O Estado é responsável por mais essa barbaridade que é o surto de sarampo no país. Que seja de imediato sanada a defasagem de vacinas e que uma campanha que atenda todo o conjunto da população seja garantida já!




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